1 de novembro de 2019

Siege: Trump under fire


Autor: Michael Wolff
Género: Política
Idioma: Inglês
Páginas: 352
Editora: Henry Holt & Company
Ano: 2019

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«Trump needed to surround himself with the dysfunctional and the inept, because he was dysfunctional and inept.»

Nos últimos dias, fala-se mais do que nunca de uma possível destituição (impeachment) de Donald Trump, no seguimento do escândalo surgido de Trump ter alegadamente pedido ao presidente ucraniano para investigar o filho de um opositor político, Joe Biden (VP durante os mandatos de B. Obama). 

Para além dos milhares de artigos, posts, tweets que se têm escritos sobre a actual presidência norte-americana, houve alguns livros a serem publicados, e dois dos que causaram mais sururu foram escritos por Michael Wolff. 

Em Siege: Trump under fire, são descritas várias situações que terão ocorrido entre o início do segundo ano da presidência de Donald Trump e a entrega do relatório de Mueller, em Março deste ano. A viagem aos bastidores da Casa Branca lê-se como um folhetim, descrevendo Trump como um narcisista com um défice de atenção gritante e um grau de inteligência abaixo do expectável de um homem na sua posição.

Há passagens arrepiantes e outras caricatas, um sentimento de incredulidade que nos força a pousar o livro de lado de vez em quando, mas a curiosidade vence sempre - estamos a falar de um dos homens mais poderosos do mundo, nomeadamente o homem que tem os códigos do arsenal nuclear mais portentoso do mundo ocidental. Homem esse que é descrito como tendo a mentalidade de uma criança de doze anos, que dá alcunhas ao seu pessoal de acordo com a aparência física de cada um (baixo, gordo, tem um bigode «ridículo») e tenta seduzir qualquer mulher atraente que entre no seu campo de visão.

Alegadamente, ex-colaboradores e outras fontes «fidedignas» contaram/confirmaram ao autor tudo o que é narrado no livro, por isso quando lemos sobre Trump, de pijama, a jantar o habitual cheeseburger na suite presidencial enquanto palra ao telefone non-stop sobre assuntos de Estado com amigos e conhecidos, ou sobre os seus comentários pouco felizes em reuniões e grupos de trabalho, a imagem de um fanfarrão vaidoso e cheio de si  que se forma é supostamente a realidade.

Página após página, conhecemos pormenores sobre o caso Jamal Kashoggi, o poder de Bannon, a visita de Trump ao Reino Unido, a sua relação com a família, o nepotismo reinante na Casa Branca (onde a filha e o genro do Presidente são especialmente visados), num desfile incrível de histórias caricatas e bizarras.

Perguntei-me várias vezes se isto poderia ser verdade, e alguns jornalistas que leram o livro escreveram artigos - disponíveis online - onde descrevem que a maioria do que é dito teria sido corroborado por fontes independentes (vale o que vale). Muito triste.

O contéudo de Siege: Trump under fire parece, por vezes, ser mau demais para ser real. Que o candidato que defendia a construção de um muro na fronteira dos EUA com o México para impedir a imigração ilegal, e que, pautando as suas ideias com um discurso racista, tenha ganho já parecia material saído de uma série de televisão ou de um livro sobre uma realidade distópica, mas ler sobre a inaptidão gritante de Trump ao leme de um dos países mais poderosos do mundo sem qualquer ensejo de saber mais, de se aperfeiçoar, é estar a assistir de cadeirinha ao fim da democracia como a conhecemos. Paralelamente, surge o homem de negócios habituado a explorar qualquer vantagem que surja, teoricamente com um aparelho estatal ao seu serviço para o fazer. 

Aguardam-se novos episódios em breve, o mais tardar em 2020. Entretanto, o autor deste livro - na lista dos bestsellers semanas consecutivas - já assegurou uma reforma dourada; é o american dream.
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(mediano/razoável)

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