15 de março de 2015

É assim que a perdes


Autor:
Junot Díaz
Género:
Contos
Idioma: Português

Páginas: 153
Editora:
Relógio d'Água

Ano:
2013
ISBN: 978-989-6412999
Tradução: José Miguel Silva
Título original: This is how you lose her 
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Nas minhas pesquisas de livros, tenho encontrado várias referências a Junot Díaz, um autor dominicano emigrado nos EUA desde os 6 anos. Decidi lê-lo.

O seu livro mais conhecido é a A breve e assombrosa vida de Oscar Wao, premiado com o Pulitzer em 2008. Não foi por esse que comecei, mas sim por esta colectânea de contos, apesar de hoje em dia já ser raro ler contos, mais por acaso do que por preconceito.

Em É assim que a perdes, o nosso narrador é Yunior, um dominicano que vive com o irmão e a mãe em Nova Jersey, num enorme bairro populado por emigrantes negros e latinos. Como toda a gente, vivem com dificuldades e mantêm a sua cultura viva socializando com outros dominicanos e falando a língua materna, num americano intercalado com calão e outras expressões coloridas.

O livro é composto por 9 contos interligados e o tema comum é a infidelidade masculina nas relações afectivas. Yunior fala sobre o irmão e os amigos (e as várias sucias com quem se envolvem) mas não é muito diferente deles, embora se indigne pela forma como tratam as namoradas e a família (ele não é assim nem conseguiria ser!). Os contos acompanham o seu crescimento e a forma como tenta escapar, sem sucesso, à herança cultural e social da maioria dos homens dominicanos. A escrita é energética e alterna comentários extremamente brejeiros com frases mais eruditas, numa combinação única que coloca Díaz num lugar à parte de outros autores que li.

No último conto há uma reviravolta que coloca todo o livro a uma luz diferente: Junot e Yunior confundem-se na mesma pessoa, o que faz sentido. Afinal, Yunior gosta de ler, teve uma fixação por filmes apocalípticos na adolescência e sobreviveu a entregar mesas de bilhar (o que lhe vale uma hérnia), a lavar pratos e a trabalhar no Raritan River Steel, tudo empregos que o próprio Díaz também teve. Este facto faz-nos reflectir e encarar o autor de outra forma, sem perder de vista que esta não deixa de ser uma obra de ficção.

Considerações à parte, o tema do amor (fraternal, maternal, romântico, platónico) continua universal e Díaz aborda várias das suas facetas com uma voz muito característica. Gostei da energia e da cor da narrativa. Vou ler outros livros dele, sem dúvida.
«Não sou má pessoa. Eu sei que isto soa defensivo, pouco escrupuloso, mas é verdade. Sou como toda a gente: fraco, cheio de falhas, mas basicamente bom. A Magdalena, porém, não tem a mesma opinião. Acha que eu sou um dominicano típico: um sucio, um cabrão. (...) Ela só descobriu porque a tipa lhe escreveu uma puta duma carta. Uma carta cheia de pormenores. Com merdas que uma pessoa não conta sequer aos amigos numa noite de copos.»

****
(bom)

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