2 de abril de 2020

Persépolis


Autor: Marjane Satrapi
Género: Biografia
Idioma: Inglês
Páginas: 352 (integral)
Editora: Vintage Digital (e-book)
Ano: 2008
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Marjane Satrapi (pseudónimo de Marjane Ebihamis) é de origem iraniana e nesta série de banda desenhada muito aclamada, conta a sua história.

É uma criança quando o regime de Reza Pahlavi cai; o xá fora posto no poder pelos norte-americanos, que queriam acesso livre ao petróleo iraniano. O povo iraniano, ao tentar libertar-se de cinquenta anos de tirania, abriu a porta ao regime islâmico, não lucrando com a troca.


A primeira parte de Persépolis é narrada por uma criança que tenta entender o mundo dos adultos e fazer sentido das coisas que lhe são contadas. Estamos no início da década de 80 e as universidades estão a ser encerradas; o uso do véu torna-se obrigatório para as mulheres. Os pais da precoce Marjane protestam contra o regime mas a repressão é violenta. Assustados, mandam a filha para a Áustria para prosseguir os estudos.

É assim que Marjane começa a frequentar o liceu francês em Viena, sem falar uma palavra de alemão. Os amigos são miúdos rebeldes que lhe dão a conhecer as drogas e a sexualidade livre. Dividida entre duas culturas completamente diferentes, luta por ter algum equilíbrio. 

Quando após quatro anos, Marjane regressa a Teerão, a guerra com o Iraque terminou mas a cidade está em ruínas e o governo continua repressivo. A jovem cai numa depressão grave mas com o apoio da família consegue ultrapassá-la e voltar a concentrar-se na sua educação.

O que eu mais gosto nos desenhos de Marjane Satrapi é a mistura do trágico com o burlesco, nunca se furtando à auto-crítica, aos eventos históricos e ao juízo à sociedade islâmica iraniana, onde a liberdade de expressão não existe, onde tudo é proibido (maquilhagem, música, festas, demonstrações de afecto). Os iranianos tentam criar, em casa, um espaço de liberdade e identidade, mas muitos são influenciados pelos valores tradicionais e são eles mesmos a repreender outros que não sigam a ideologia do regime. 

Persépolis narra gráfica e habilmente os sentimentos e emoções de uma mulher rebelde que recusa viver em submissão, ilustrando de uma forma poderosa o cenário histórico-político iraniano. É uma história arrebatadora, que merece ser lida.

O livro, banido de várias escolas norte-americanas - onde foi incluído como leitura obrigatória, gerando mil controvérsias -, ganhou vários prémios, foi adaptado ao cinema, premiado em Cannes e nomeado aos Óscares. A autora abandonou o Irão em 1994 para não mais voltar. Obteve a nacionalidade francesa e reside em Paris, vivendo da realização, da escrita e da ilustração.

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(muito bom)

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