14 de outubro de 2010

As mulheres da casa do tigre

Autor: Marion Zimmer Bradley, Andre Norton, Mercedes Lackley
Género: Fantasia
Idioma: Português
Editora: DIFEL
Páginas: 546
Preço: € 18
ISBN: 972-29-0343-8
Avaliação: *** (mediano) 

Sou uma fã de Marion Zimmer Bradley (MZB) desde que li As Brumas de Avalon, já lá vão muitos anos. As Brumas são o auge da carreira da autora e fez-me ler todos os outros livros dela, uns melhores e outros menos bons.

Neste livro, o cenário é Merina, uma cidade próspera onde reinam as mulheres da Casa do Tigre, mulheres de linhagem antiga que mantêm o equilíbrio na cidade, conciliando os interesses económicos e mantendo vivo o culto da Deusa. Porém, tudo muda quando o imperador Balthasar e o mago negro Apolon se aproximam com o seu poderoso exército e a cidade não tem qualquer hipótese  de lhes resisitir. 

As Mulheres da Casa do Tigre planeiam a defesa da cidade, cientes que apenas a sua coragem se interpõe no caminho do imperador e do seu triunfo: a rainha-mãe, Adele, fará uso dos poderes espirituais e mágicos de que dispõe; Lydana, a rainha reinante, organizará a resistência armada; e a princesa herdeira, Shelyra, será os «olhos e os ouvidos» da resistência fazendo valer uma antiga aliança com os ciganos.

Pessoalmente, tinha expectativas altas para este livro, ainda mais porque pensei que se MZB escreve tão bem a solo, o que resultaria na fusão com mais duas escritoras consagradas na literatura de fantasia, cada uma a contribuir com o seu talento? Nada de muito bom, infelizmente. Em grande parte, porque em muitas situações ao longo da acção, os três estilos de escrita não se harmonizam. Há alturas em que se nota perfeitamente um desfasamento da acção, como se estivéssemos perante personagens que não têm grande coisa a ver umas com as outras. As alternâncias de estilo também não resultaram muito bem, o que se torna frustrante porque a história tinha potencial (a sinopse promete mais do que cumpre).

Quanto às mulheres fortes a que estamos habituadas nos livros das autoras, aqui não vivem. As personagens não são mal delineadas nem exploradas, mas estão longe de ser apaixonantes e complexas como, por exemplo, uma Morgana (As Brumas de Avalon) ou uma Cassandra (O Presságio de Fogo).

Se fizerem questão de o ler, recomendo que o requisitem na biblioteca municipal ou peçam emprestado, acho que é a opção mais acertada. Leiam e formem a vossa opinião. Mas não posso aconselhar que se gaste quase 20 euros neste livro (nessa já caí eu!).

2 comentários:

Labisomem disse...

Ainda dei o beneficio da dúvida às Brumas de Avalon mas fico-me por aí no que diz respeito às obras desta senhora que acabam por ser pouco mais que "hinos à mulher".

É tudo muito bonito só que se tornam previsíveis e deixam aquela sensação de "mais do mesmo" ao fim de dois ou três capitulos, sendo a única excepção o "Presságio de Fogo".

Barroca disse...

Concordo que a MZB versão Fantasia poderá afastar muitos leitores masculinos, em parte devido ao enfoque pronunciado nas personagens femininas.

Porém, na sua vertente sci-fi (série Darkover), há livros maioritária ou inteiramente dedicados a personagens masculinos, como os títulos 'Dois para Conquistar' ou 'O Lobo de Kilghard', que valerá a pena espreitar. ;)

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