28 de janeiro de 2015

Nove semanas e meia


Autor: Elizabeth McNeill
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 152
Editora:
Quinta Essência

Ano:
2014
ISBN: 978-989-7261145
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Vi o filme Nove semanas e meia há muitos anos e houve algumas cenas que ficaram na memória, muito por culpa da química entre os protagonistas. O que eu desconhecia era que se baseava num livro e que o filme é uma versão muito mais romântica e a anos-luz  da violência da obra original.

Escrito pela austríaca Ingeborg Day, que emigrou para a América ainda jovem, sabe-se hoje que é uma semi-biografia de um relacionamento que a autora viveu em terras americanas. Independentemente disso, é uma leitura explosiva, e deve ter sido uma "bomba" quando foi publicado, em 1978.

Elizabeth tem um quotidiano igual a tantos outros: trabalha para pagar as contas, sai com os amigos para desanuviar e dar umas gargalhadas e procura uma relação que a satisfaça em pleno. Quando conhece um homem (cujo nome nunca é referido), o sexo passa de excitante a arrebatador, mas sempre com um traço de domínio sobre ela, ao ponto de Elizabeth não perceber se consegue parar de ver um homem que a controla totalmente e como será se ele a deixar, numa dependência para lá de doentia.

Pessoalmente, acho difícil que Nove semanas e meia passe por literatura erótica; é claramente o contrário: uma mulher que quando vai ter com o amante, é banhada, penteada e alimentada pela mão dele, enquanto se encontra algemada (a maioria das vezes) aos pés dele e castigada física e psicologicamente quando se recusa a alinhar nos jogos e encenações que ele prepara, é a antítese do que considero erótico. Achei o livro nauseante neste aspecto. O homem misterioso nunca se dá e isso acaba por ser fatal ao relacionamento, mas a protagonista aguenta - e aceita - mais do que seria normal numa pessoa equilibrada.

Apesar disso, a autora consegue ter uma escrita elegante e manter-se factual, compondo uma Elizabeth credível e profundamente normal (vista de fora), apanhada numa situação que vai permitindo até... não permitir mais.

Curiosamente, a adaptação ao cinema é melhor digerida, mantendo os aspectos mais importantes e evitando os mais controversos, mas dando a ideia certa: a dos efeitos que uma relação de dependência tem no submisso, que vai abdicando gradualmente do seu eu em prol do dominante, até isso ser a normalidade entre os dois e ter consequências irreversíveis, porque só se evolui daí para algo pior. 

Podem ler um excerto do livro aqui. Gosto de leituras ecléticas, embora nem todas sejam livros a reter, como este.

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(mediano/razoável)

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