3 de maio de 2015

A coisa à volta do teu pescoço


Autor:
Chimamanda Ngozi Adichie
Género:
Contos
Idioma: Português

Páginas: 224
Editora:
Dom Quixote

Ano:
2009
ISBN:
978-972-2049672
Tradução: Ana Saldanha
Título original: The thing around your neck 
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Sou fã de Chimamanda Ngozi Adichie desde o primeiro livro, o romance A cor do hibisco, que li há seis meses.

A coisa à volta do teu pescoço é um livro de contos, onde a autora divide as suas histórias entre os subúrbios da Nigéria e os bairros norte-americanos onde os imigrantes nigerianos tentam viver a versão (possível) do "american dream", arrancadas à tradição africana e lançadas numa modernidade que as mesmas teimam em não aceitar inicialmente.

A escrita de Chimamanda é quente e emotiva. Cada conto (são 12) é um pedaço de vida de (e com) pessoas que cresceram numa realidade completamente diferente da nossa, o que torna a leitura emocionante.

«Pensava que toda a gente na América tinha um carro e uma arma; os teus tios e as tuas tias e os teus primos e as tuas primas também pensavam o mesmo. Logo depois de ganhares a lotaria dos vistos americanos, disseram-te: - Dentro de um mês, vais ter um grande carro. Em breve, uma grande casa. Mas não compres uma arma como todos aqueles americanos.»

O meus favoritos são: Uma Experiência Privada, em que duas mulheres, uma cristã abastada e a outra uma muçulmana pobre, são obrigadas a refugiarem-se durante uns tumultos violentos na rua e a descobrirem uma intimidade e ligação que nunca poderia ser possível de outra forma; Fantasmas, onde um professor de Matemática reformado se vê crente em superstições de que antes zombava, sendo (re)visitado por entes queridos que já morreram; A Embaixada Americana, em que uma mulher se recusa a usar a morte do filho para conseguir um visto. O livro fecha ainda com chave d´ouro em que os últimos 3 contos, que retratam (mais) mulheres fortes, que não abdicam da sua identidade africana nem da sua força interior, custe o que custar, enfrentam o que são sem rodeios.

Pelo caminho deste homens e mulheres, feito de luta e sacrifício, vemos o melhor e o menos bom do ser humano. Pessoalmente, gosto do facto de cada voz ser única, das personagens se destacarem bem umas das outras e da autora não recorrer à vulgaridade ou ao comentário racista (mesmo que velado) a cada três linhas de texto.

Chimamanda Ngozi Adichie tem vindo a acumular prémios e menções honrosas, entre os quais se destacam o Commonwealth Writer’s Prize for Best First Book (2005) por A Cor do Hibisco, o PEN Beyond Margins Award (2007) por Meio Sol Amarelo, e a inclusão, em 2010, na lista The New Yorker’s «20 under 40», uma lista dos 20 autores de ficção mais influentes com menos de 40 anos.

Chimamanda é uma escritora entusiasmante, os seus livros estão cheios de cor e de sentimento, e eu continuarei a lê-la. 

****
(bom)

2 comentários:

Isaura Pereira disse...

Olá!

Tenho curiosidade em relação a esta autora faz algum tempo. Mas nunca sei por que livro começar.
Não sou muito de contos, mas este livro parece interessante pelos temas que aborda.

Beijinhos e boas leituras

barroca disse...

Olá Isaura!

Eu tb não sou muito de contos, mas quando gosto do autor, leio tudo! ;)

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