7 de março de 2012

O leito celestial

Autor: Irving Wallace

Género: Ficção
Idioma: Português
Editora: Livros do Brasil
Páginas: 300
Preço: € 9,60
ISBN:  978-9-72-380576-5
Título original: The celestial bed

Avaliação: *** (mediano)

Irving Wallace é um autor norte-americano que fez grande sucesso nos anos 80 e ainda hoje é um nome de referência no campo de ficção. O que mais me agrada no seu estilo é a simplicidade linguística e os enredos. Wallace elabora temas bastante diversificados e interessantes para os seus livros que, após a breve leitura da sinopse na contracapa, nos desperta a atenção. O Leito Celestial não é excepção.

A temática, algo arrojada para o ano em que foi escrito (1987), trata de disfunções sexuais como a impotência, a ejaculação precoce e a ausência de libido, tendo como palco a liberal e soalheira Califórnia.

O Dr. Freeberg é um terapeuta sexual que adopta dos seus ídolos de profissão a utilização de delegados sexuais como parte do tratamento para os problemas dos que o procuram; os delegados são homens e mulheres atraentes, confiantes e sem pudores, cujo objectivo é desinibirem gradualmente os pacientes e ensinarem-lhes a desfrutar do seu corpo e do corpo do seu parceiro sexual através de um determinado número de sessões, sessões essas pontuadas por troca de carícias, apreensão do próprio corpo, jogos de sedução e descontracção total, cuja meta é levar o paciente a atingir o orgasmo, a ter uma erecção, a sentir desejo sexual novamente, conforme os casos.

Mas a Califórnia não é tão liberal como se esperava e Freeberg tem na peugada um magistrado do Ministério Público com fome de protagonismo e um pastor evangelista com o pecado na boca e a bíblia como suporte dos seus argumentos. As suas acusações retratam o terapeuta diplomado como um proxeneta e os seus delegados sexuais como prostitutos.

Assim, ao longo do livro seguimos o caso de três pacientes (dois homens e uma mulher) e o tratamento que lhes é aplicado pelos delegados, ao mesmo tempo que os vilões de serviço juntam provas para fundamentar o seu caso através de um esquema camuflado. Confesso que os meus capítulos preferidos foram aqueles que acompanhavam as ditas sessões entre paciente e delegado, sempre numa linguagem correcta e gráfica sem cair na vulgaridade.

O aspecto menos conseguido são os sub-enredos imaginados por Wallace para suportar a história, com o seu ponto mais baixo patente no romance trôpego entre os dois delegados sexuais protagonistas e na forma como finaliza e remata o livro, o que prejudica em muito o livro e tira-lhe imensa credibilidade. É como assistirmos a uma palestra rigorosamente técnica sobre astronomia e às tantas aparecer um doutorado mascarado de extra-terrestre a fazer macacadas, desvirtuando o que foi dito até então.

O Leito Celestial
vendeu muito e ainda vende alguma coisa; o sexo vende sempre. Ajuda ser uma leitura fluída e ligeira, traços comuns da escrita de Wallace
. Apesar dos pontos negativos que referi prejudicarem em muito o livro, vale a pena lê-lo.

21 de fevereiro de 2012

Millenium 01 - os homens que odeiam as mulheres

Autor: Stieg Larsson
Género:
Thriller

Idioma:
Português
Editora:
Oceanos
Páginas: 539
Preço: €17,40
ISBN:  978-9-89-230237-9

Avaliação:
**** (bom)

Millenium 01 - os homens que odeiam as mulheres é o primeiro volume da trilogia Millenium de Stieg Larsson; o autor é um jornalista sueco que não viveu para assistir ao sucesso que os seus livros tiveram. Portugal não escapou ao fenómeno.

Mikael Bloqvist é um jornalista especialista em escândalos financeiros, cuja vida profissional foi dedicada a desmascarar a corrupção no mundo dos negócios sueco. Co-fundador da revista Millenium, goza de um prestígio ímpar até ao dia em que é condenado por difamação de um poderoso empresário; isso afasta-o da vida pública e da redacção da publicação.

Nessa altura, é contactado pelo advogado de Henrik Vanger, um magnata industrial octogenário que o contrata para desvendar o desaparecimento da sobrinha Harriet, há 40 anos atrás. O pagamento pelos serviços é fantástico e traz um extra apetecível: provas documentais irrefutáveis da inocência de Bloqvist no caso de difamação.


Assim, sob o pretexto de estar a escrever um biografia de Vanger, Bloqvist começa a investigar o que poderá ter acontecido a Harriet, sendo que o clã Vanger é composto por homens e mulheres de personalidades vincadas, que não lhe facilitarão a tarefa. 

Paralelamente, conhecemos a nossa co-protagonista, Lisbeth Salander, uma jovem hacker excêntrica no vestir e no agir, com um passado marcado pela violência. Lisbeth tem uma mente brilhante mas é condicionada pela sua incapacidade de se integrar e ser aceite (ao que não ajuda ser um bicho do mato); ela e Bloqvist fazem uma dupla arrasadora no desvendar do mistério de Harriet Vanger.

O livro é volumoso (mais de 500 páginas) mas viciante. As primeiras dezenas de páginas são bastante aborrecidas e é preciso persistência para chegarmos ao sumo da história. A partir daí, é difícil deixá-lo de lado.
Alguns parágrafos pelo meio pareceram-me deslocados e sem grande acrescento à história e temos menos Lisbeth do que Bloqvist até decidirem trabalhar em conjunto, o que abrandou um pouco a leitura: a hacker é uma personagem fascinante que queremos seguir de perto; por cada 10 a 15 páginas de Bloqvist temos 2 ou 3 de Lisbeth, o que compromete o ritmo da história. Ela é bem mais interessante e visceral do que ele; apesar de eu ter apreciado alguns traços da personalidade do protagonista, Lisbeth é magnética.

No geral, é um bom livro, uma mistura de policial e thriller, com muita violência e crueldade e um enredo complexo.  Os parágrafos finais de Lisbeth pareceram-me um pouco vagos mas vou ler a continuação para perceber melhor.

Fiquei fã e vou continuar a leitura da trilogia.


3 de fevereiro de 2012

O círculo da morte

Autor: Andrew Pyper
Género:
Thriller

Idioma:
Português
Editora:
Editorial Presença

Páginas: 272
Preço: €16
ISBN:  978-9-722-34154-7

Avaliação:
*** (mediano)

Patrick Rush é um jornalista viúvo desanimado com o seu emprego. O seu sonho é escrever e ser um autor publicado, ser reconhecido como os seus escritores favoritos. Preso numa rotina de casa-trabalho-casa, onde cuida do seu filho de 8 anos, lê em todas as horas livres, alimentando o sonho literário.

Até ao dia em que lê um anúncio sobre um workshop de escrita criativa e se inscreve, passando a integrar o Círculo de Kensington. Nele, Patrick segue atentamente o trabalho de Ângela, uma jovem que conta uma história sombria sobre uma rapariga atormentada por uma figura misteriosa que a persegue. Paralelamente, o bairro onde Patrick vive começa a ser testemunha de acontecimentos com estranhas ligações à história de Ângela.

O Círculo da morte
é um bom thriller, que tem momentos bastante bons e está bem pensado (as circunstâncias em que Patrick lança o seu livro, por exemplo), mas para mim não resultou tão bem como esperava, ao que o final morno não ajudou. Também não simpatizei particularmente com o protagonista e algumas situações não foram esclarecidas, o que num thriller é fulcral, porque são as reviravoltas e sub-enredos que contribuem para a riqueza narrativa.


Longe de questionar o talento do autor, que tem frases e passagens neste livro bastante boas, achei que a história ficou aquém do que esperei; os capítulos finais foram decepcionantes depois de toda a expectativa criada.

O Círculo da morte ganhou o título de Crime Novel of the Year pelo New York Times. É uma boa leitura mas comparado com outros autores do género, simplesmente não chega ao mesmo patamar.