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25 de janeiro de 2026

Held

   




Autor: Anne Michaels
Género: Literatura
Idioma: Inglês
Páginas: 240
Editora: Bloomsbury Publishing
Ano: 2023

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Eu li-o na língua original, mas Held está traduzido em Portugal, pela Relógio D'Água, com o título Abraço. A autora é Anne Michaels, poeta e romancista, nascida em 1958 no Canadá.

Held foi finalista do Booker Prize em 2024, ano em que venceu Orbital, de Samantha Harvey — que quero ler este ano. 

O livro começa num campo de batalha em 1917, em plena Grande Guerra. John, um soldado, jaz ferido e imobilizado, alternando entre a consciência da dor e as memórias de tempos felizes.

A partir daqui, o romance desenrola-se de uma forma não linear, avançando e recuando ao longo das décadas. O passado e o presente co-existem, com gerações posteriores a falarem, ou a recordarem, as gerações passadas. Há episódios muito bons, principalmente o ligado às fotografias com imagens de pessoas falecidas, ou o outro onde uma médica volta a uma zona de guerra mesmo sabendo-se grávida, mas a narrativa rapidamente passa para outro arco, nunca se demorando.

Held explora a memória como identidade e o luto como herança. O peso emocional faz o leitor avançar devagar, desfrutando do texto lírico e carregado.

Gostei do livro, mas não fica como uma leitura memorável. Uma das razões é que as personagens funcionam como metáforas, e são pouco desenvolvidas; outra razão é a narrativa não-linear, que começa a cansar ao fim dos primeiros capítulos. Pessoalmente, prefiro um texto mais consistente e personagens mais desenvolvidas

«How can two bodies make a soul? Why does the making of a soul have nothing to do with worthiness or otherwise? It was a argument for God he had never contemplated before.»

****
(bom)

13 de dezembro de 2025

A cicatriz

 





Autor: Maria Francisca Gama
Género:
Romance, Contemporâneo
Idioma: Português

Páginas: 168

Editora: Suma de Letras

Ano: 2024

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A cicatriz é um bestseller português que saiu em 2024. Foi o segundo romance da autora, Maria Francisca Gama (1997-), formada em Direito.   

Na plataforma Goodreads, tem, à data deste apontamento, mais de 14 mil avaliações, com uma média de 4 em 5 estrelas possíveis.

A acção passa-se no Rio de Janeiro, pano de fundo de uma paixão entre dois jovens portugueses. Depois de dias de férias idílicos, aproveitam uma das últimas noites para irem jantar fora. Decidem regressar a pé para o hotel, mas não se recordam se o caminho é pela esquerda ou pela direita. E como se lê na contracapa o livro, como é que a vida pode mudar tanto por uma escolha irrisória?

A cicatriz fala de amor, de trauma e de violência, alternando diferentes períodos temporais. A questão da identidade e autonomia femininas está presente em toda a narrativa.

O ritmo é lento, com a protagonista a revelar-se gradualmente, bem trabalhada. As personagens secundárias são menos desenvolvidas. 

Quanto às nuances políticas apontadas por alguns leitores, eu não as li assim. Pareceu-me que as preocupações feministas surgem naturalmente da experiência das personagens - o foco é no individual e no psicológico.

É um romance que exige paciência para a introspecção e que faz perguntas ligadas à memória e à superação ou cicatrização das nossas feridas (físicas e emocionais).

A cicatriz é uma leitura curta mas densa.

«No entanto, nesta noite, talvez pelos gins bebidos ao jantar ou pelo cansaço acumulado das férias, tanta passeata, mergulhos, beijos e sexo, não sabíamos exatamente por onde ir. Era sexta-feira, as ruas estavam cheias de gente, tão cheias que era difícil atravessá-las, e acabámos por nos perder. "Agora é para a esquerda ou para a direita?"»

****
(bom)