25 de outubro de 2020

Whisper network

Autor: Chandler Baker
Género: Thriller

Idioma: Inglês
Páginas: 320
Editora: Flatiron Books (ebook)
Ano: 2019

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Sloane, Ardie, Grace e Rosalita trabalham na fictícia Truviv Inc. - uma empresa no ramo do desporto, tipo Nike, sediada em Dallas - há anos, as três primeiras no departamento jurídico e a última como empregada de limpeza. 

A morte repentina do director-geral da Truviv significa que o director-legal, Ames, provavelmente será promovido ao lugar vago, assumindo o comando da empresa.

Cada uma das mulheres tem uma relação diferente com Ames, cuja ascensão na empresa sempre foi acompanhada de boatos (uma rede de sussurros = whisper network) sobre o seu comportamento para com as colegas femininas, boatos sempre desvalorizados e que não impediram que fosse promovido ao longo dos anos.

Entretanto o mundo mudou e as vozes das mulheres fazem-se ouvir cada vez mais alto. E as mulheres do mundo corporativo de Dallas veem a possível promoção de Ames como uma afronta. Quando desconfiam que ele está a ser inadequado para com uma nova colega, decidem expô-lo, e outros da mesma cepa, numa mensagem eletrónica que se torna viral, cujo anexo é uma tabela com nomes e comportamentos dos homens que cometem os assédios nas diferentes empresas, alimentada por várias profissionais de diferentes áreas.

A decisão de Sloane e das colegas de tomarem uma posição desencadeia uma mudança. Mentiras são descobertas. Vários segredos são expostos. As vidas das mulheres envolvidas - como mulheres, colegas, mães, esposas, amigas - são atingidas.

Whisper network é um bom livro, com os momentos altos nos monólogos interiores das quatro protagonistas, que reflectem os desafios da mulher moderna na tentativa de equilibrar a vida familiar e profissional, com os seus diferentes pontos de vistas e expectativas.

No seguimento do movimento #metoo, é um thriller interessante com um desenvolvimento sólido e um final previsível. Vale pelas personagens femininas e as diferentes dinâmicas entre si, que várias mulheres vão reconhecer, apesar da identidade norte-americana ser bastante diferente da europeia.

Uma boa surpresa.

****
(bom)

18 de outubro de 2020

A grande magia

 
Autor: Elizabeth Gilbert
Género: Auto-ajuda, Motivacional
Idioma: Português
Páginas: 288
Editora: Objectiva
Ano: 2016

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Gosto de livros sobre como estimular e expressar criatividade, nomeadamente os de escrita criativa. Um dos meus preferidos, e mais mencionado numa qualquer lista sobre o tema, é o excelente On writing/Escrever - memórias de um ofício de Stephen King.
 
Em A grande magia, a autora que se tornou mundialmente famosa com Comer Orar Amar partiha o seu processo criativo e várias notas sobre a arte literária e a criatividade em geral. Qualquer outro artista além de um (aspirante a) escritor terá muito pouco a reter. 
 
Resulta que temos como que um diário da autora, que expõe a sua perspectiva sobre a criatividade e seus próprios altos e baixos no processo de criação.
 
É difícil classificar o conteúdo de um livro motivacional, pois as nossas expectativas podem ser muito diferentes das expectativas de outros leitores e do propósito da própria escritora, mas na realidade não há grande coisa a tirar daqui, no sentido em que não há uma ideia inovadora. Há conceitos interessantes, como o das ideias terem um prazo definido para serem concretizadas e vão pulando de mente criativa em mente criativa até um determinado artista investir o tempo e energia em as concretizar.
 
Elizabeth Gilbert foca-se na sua própria história e os conselhos úteis são poucos. Há muito tough love, em que Gilbert diz que um escritor tem de se habituar à rejeição e à ideia de não escrever algo que revolucione o mundo literário. Há ainda a mensagem de que a profissão de escritor é muito pouco útil à sociedade (!), peculiar quando vindo de alguém que ficou milionária por causa de um livro que publicou em 2006.

A grande magia é uma conversa amigável; a mensagem, simples, depressa se torna repetitiva e não justifica um livro tão longo.

***
(mediano/razoável)

11 de outubro de 2020

O menino de Cabul

 
Autor: Khaled Hosseini
Género: Romance
Idioma: Português
Páginas: 333
Editora: Editorial Presença
Ano: 2013

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Depois de ter lido A thousand splendid suns, sabia que voltaria a ler Khaled Hosseini, nomeadamente o título que o tornou famoso.
 
Este livro, publicado pela primeira vez em 2003, arrecadou inúmeros prémios literários e foi daptado ao cinema (2007). Permitiu ainda ao autor, médico de profissão, dedicar-se à escrita a tempo inteiro.
 
O menino de Cabul - The kite runner, no original - é a história de dois rapazes, Amir e Hassan, com pouco em comum: etnias diferentes (pashtun e hazara), crenças diferentes no Islão (sunita e xiita), estratos sociais díspares (um pai abastado e um pai serviçal); é quando lançam papagaios que se esbate a diferença, animados pelo mesmo fim. 
 
É aquando de uma corrida pela captura de um papagaio que algo acontece que vai mudar para sempre a vida dos dois rapazes. O que acontece naquele dia, num Afeganistão pré-talibã já profundamente desigual, assegura que o rapaz pobre e analfabeto (Hassan) nunca irá além do seu lugar pré-definido e autorizado na sociedade: um excluído de uma minoria étnica e desprezada, sem direitos nem voz. 
 
Amir  faz também as suas escolhas, as escolhas de um menino cobarde que crescerá para se tornar num homem cobarde, assombrado décadas fora pelas suas escolhas e pela sua relação com Hassan, mesmo com 12 mil quilómetros de distância entre ambos.

O menino de Cabul tem um protagonista impossível de admirar. Isso tornou-o uma leitura difícil para mim. O tema principal do romance alterna entre a culpa e a redenção mas o caminho é penoso, com várias decisões questionáveis, hipocrisia e falta de tecido moral. 
 
A menção do Afeganistão evoca imagens de guerra, desigualdade social, mulheres veladas e intolerância religiosa. A escrita de Hosseini não é especialmente evocativa e há partes da narrativa algo forçadas e desinspiradas na sua previsibilidade, com personagens muito estereotipadas.
 
Este livro ficou aquém das expectativas. A sua força reside nos temas e de nos dar a conhecer vários episódios da história e costumes afegãos (o quotidiano durante as ocupações soviética e talibã, o costume abominável de bacha bazi (ainda praticado, apesar da moldura penal!) folclore, etc.).
 
A thousand splendid suns continua o meu favorito dos dois lidos até agora.

****
(bom)

4 de outubro de 2020

The seven husbands of Evelyn Hugo


Autor: Taylor Jenkins Reid
Género: Romance
Idioma: Inglês
Páginas: 400
Editora: Washington Sq. Press (ebook)
Ano: 2017

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De repente parecia que via o nome de Taylor Jenkins Reid em todo o lado, ligado a diferentes livros. Não ligo muito a modas mas a sinopse pareceu-me interessante e ideal para as férias.
 

The seven husbands of Evelyn Hugo conta a história de uma jovem que, com dois tostões no bolso e um palminho de cara (mais um decote de virar cabeças) tenta a sua sorte em Hollywood.
 
Muitas décadas mais tarde, encontramo-la octogenária, uma actriz consagrada, milionária e com um punhado de histórias sumarentas para contar.  O livro é o ditado da sua história a uma jornalista. Evelyn Hugo, diva e senhora do seu destino, escolhe o tempo, o lugar e a pessoa que vai publicar a história da sua vida. Para trás ficaram sete casamentos, cada um com os seus desafios, encantos e desencantos.

The seven husbands of Evelyn Hugo é uma leitura leve, indicada para o período de veraneio que recentemente findou. Tem uma reviravolta nos capítulos finais que não achei óbvia e um enredo fácil de acompanhar.
Algumas personagens - alguns maridos, entenda-se - têm capítulos curtos e contornos pouco definidos, próximos de pequenas caixas de texto nas páginas de uma qualquer revista cor-de-rosa.
 
Boa leitura de férias.
 
****
(bom)
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