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18 de setembro de 2023

A educação sentimental dos pássaros


Autor: José Eduardo Agualusa
Género: Contos

Idioma: Português

Páginas: 127

Editora: Dom Quixote

Ano: 2011

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José Eduardo Agualusa nasceu no Huambo em 1960, e estudou Agronomia e Silvicultura em Lisboa.

Iniciou a sua carreira literária em 1988 - as suas obras estão publicadas em mais de vinte países.

N
a capa d'A educação sentimental dos pássaros, o livro descreve os onze contos que o compõem como sendo «sobre anjos, demónios e outras pessoas quase normais».

Não falta diversidade nos vários contos. Diversidade e exotismo, presentes, sobretudo, nos cenários e nas expressões usadas, relembrando-nos frequentemente a ascendência luso-brasileira do autor.

Abundam ainda as alegorias, as metáforas e os símbolos, deixando ao leitor a interpretação livre de alguns finais.

Neste Verão que passou, quente e langoroso, A educação sentimental dos pássaros de Agualusa foi a companhia perfeita, saldando-se numa leitura breve mas muito agradável.



Índice do livro (os meus contos favoritos estão destacados)

1. A educação sentimental dos pássaros

2. Enquanto o fogo avança

3. Disse chamar-se Escuridão

4. Uma pessoa quase normal

5. Alá depois da fátwa

6. Rio Negro

7. Filosofia de elevador

8. O quarto anjo

9. A última fronteira

10. Sermão em parábolas

11. Hillary

«Zinho detestava as irmãs. Odiava-as em segredo. Faltava-lhe ânimo para as odiar em público. (...) As duas nutriam em relação ao irmão uma solene indiferença de rainhas. Tratavam-no como a uma empregada velha, não muito estimada, diante da qual se sentissem à vontade para trocar de roupa, mas a quem nunca se lembrariam de pedir uma opinião.» (excerto tirado do conto "Enquanto o fogo avança").

****
(bom)

9 de maio de 2023

Elevação

  

Autor: Stephen King
Género: Mistério

Idioma: Português

Páginas: 120

Editora: Bertrand Editora

Ano: 2020
Título original:
Elevation

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Detentor de uma capacidade invulgar de provocar medo, Stephen King assusta-nos como poucos escritores.

Mas do seu talento imenso também saem histórias de esperança e superação. Elevação, de 2018 – o mesmo ano em que King publicou O intruso –, é um desses exemplos.

Scott Carey perde peso todos os dias... mas não se nota na sua aparência. Homem pacato, Scott só confia o seu segredo ao Dr. Ellis, entretanto reformado, que não encontra nada de errado a não ser a situação inexplicável.

Scott recusa-se a tornar-se uma experiência, por isso guarda segredo da sua condição. Ao mesmo tempo, envolve-se numa discussão com as vizinhas Deidre e Missy, um casal de lésbicas que abriu um restaurante na cidade, e que todos os dias sente a má-vontade e a hostilidade dos restantes habitantes por não encaixarem nas “expectativas” da comunidade.

Entretanto, Scott começa a compreender a vida difícil das vizinhas e tenta ajudar, enquanto lida com o seu próprio dilema, antecipando o dia em que desaparecerá.

Enquanto a comunidade se une num evento desportivo e se prepara para mais uma comemoração do Dia de Acção de Graças, a história mostra como podemos encontrar algo em comum apesar das diferenças. Uma premissa simples para ilustrar um manifesto pela tolerância.

Em Elevação, Stephen King leva-nos de volta a Castle Rock, uma cidade pequena que já serviu de cenário a alguns dos seus livros (The dead zone; Needful things).

Ao contrário da maioria dos livros de King, este não recebeu nomeações nem prémios. Mas não é uma leitura menor; é uma boa história, com um toque de sobrenatural, e uma mensagem bonita, com contornos políticos (Donald Trump é mencionado – King sempre foi vocal em relação à sua ideologia política).

A leitura d'Elevação é fluída, e chegamos rapidamente ao final (o livro é curto), inspirador e com tónica na amizade.

Recomendo sem reservas.

****
(bom)

31 de maio de 2022

Garra

 

Autor: Cecelia Ahern
Género: Romance

Idioma: Português

Páginas: 288

Editora: Suma de Letras

Ano: 2021
Título original:
Roar 

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Cheguei a este livro através de um artigo online. Nele, falava-se de uma nova série feminista, com uma abordagem original que misturaria elementos futuristas e de realismo mágico.
 
O elenco da série, Roar, tem vários nomes sonantes: Nicole Kidman, Hugh Dancy, Alison Brie, Alfred Molina. Apesar de preferir não ver trailers, decidi ver o mais curto que encontrei e fiquei interessada. Então, decidi ler o livro antes de ver a série.

Garra é o primeiro livro que leio de Cecelia Ahern, apesar de ter visto o filme baseado no seu romance de estreia - P.S. I love you. Cecelia é uma autora irlandesa publicada em 50 países com vendas que ascendem a 25 milhões de exemplares. 

Composto por 30 contos diferentes, Garra ilustra em cada história uma faceta diferente da mulher moderna: esposa, mãe, profissional, confrontada com preconceitos e limitações, e com situações de violência. As protagonistas de cada história são anónimas, sendo sempre referidas como «a mulher».

Achei excelente a ideia de contos em vez de uma narrativa longa, o que torna a leitura mais apetecível. Mais ainda para mim, que tenho o hábito de ler mais do que um livro ao mesmo tempo.

Li o livro com calma, degustando as histórias e as mensagens, mais ou menos óbvias, em cada uma. Apreciei quase todas, porque houve umas quantas que não me disseram grande coisa, mas no global, apreciei as metáforas e, sobretudo, os elementos de fantasia e de surrealismo, presentes nos contos da mulher que comia fotografias, da que ficava na prateleira, da que devolveu o marido, ou da que se vestia de cor-de-rosa - os meus contos favoritos do livro.

Garra é um livro imaginativo, apesar de algumas das mensagens serem enfraquecidas pela curta duração da história ou por uma "moral" demasiado óbvia - aconteceu nos contos que apreciei menos, como a história da mulher que pensava que tinha o espelho partido, a da que sorriu, ou da que tinha um (fato) forte. Mas é de louvar o comentário social, bastante relevante.

Uma nota final para a capa, que resulta muito bem - excerto do livro aqui. Quando possível, vou ver a série. 

****
(bom)