12 de março de 2026

Olive Kitteridge

    





Autor: Elizabeth Strout
Género: Literatura
Idioma: Português
Páginas: 352
Editora: Alfaguara
Ano: 2008
Tradução: Tânia Ganho 

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Olive Kitteridge é um romance de 2008, composto por histórias interligadas, passadas numa pequena cidade costeira (fictícia) do Maine.

Em vez de uma narrativa linear, o livro reúne 13 contos ligados entre si (A Farmácia, Maré Enchente, A Pianista, Uma Pequena Alegria, etc.), cada um centrado em habitantes da comunidade. A Olive do título — uma professora de matemática reformada — é a protagonista em algumas histórias e mencionada de passagem noutras.

Olive é uma figura carismática que percebe de sentimentos, mas não os sabe expressar de uma forma que não magoe ou afaste os outros. É retratada como uma pessoa difícil, directa e antipática. O avançar da acção revela-a ao leitor de uma forma diferente, sem sentimentalismos.

Apesar do cenário soalheiro e ritmo de vida pacato onde tudo se desenrola, os temas de Olive Kitteridge estão longe de serem "solares": isolamento emocional, ambiguidade moral, remorso, envelhecimento, desilusão.

O livro venceu o Pulitzer para Ficção, e foi adaptado para mini-série pela HBO, com Frances McDormand no papel de Olive — a adaptação recebeu vários Emmy.

O livro destaca-se pela forma como transforma pequenas cenas do quotidiano em momentos de reconhecimento moral e empatia. Ao acompanharmos os habitantes, reconhecemos-lhes a sua humanidade.

O resultado é uma leitura calma e reflexiva. 

Há um segundo livro com Olive K. como protagonista, editado em 2019, intitulado A segunda vida de Olive Kitteridge, que acompanha a fase tardia da sua vida — conto lê-lo este ano.
«— Estão ambos a fazer terapia. — Hesitou e olhou em volta.  Não te preocupes com isso, Henry. Na terapia, a culpa é sempre da mãe. Tenho a certeza que sais de lá incólume e a cheirar a água de rosas. — Olive tamborilou os dedos na máquina de lavar. — Tenho de desligar, ela está a fazer uma máquina de roupa aqui em baixo. Eu estou bem, Henry. Volto daqui a uma semana.»

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(muito bom)

8 de março de 2026

O adeus a António Lobo Antunes aos 83 anos (1942-2026)

 

Fonte: Imagens Google

Nascido em Lisboa em 1942, António Lobo Antunes formou-se em Medicina e especializou-se em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda.

A experiência como médico militar na Guerra Colonial em Angola marcou decisivamente a sua escrita. Dessa vivência nasceram alguns dos seus primeiros romances, como Memória de Elefante (1979), Os Cus de Judas (1979) e Conhecimento do Inferno (1980), obras que o afirmaram como uma das vozes mais fortes da ficção portuguesa do pós-25 de Abril.

Ao longo de mais de quatro décadas publicou cerca de quarenta livros e construiu uma escrita singular, centrada na memória e na exploração da experiência humana.

Entre as suas obras mais conhecidas estão
Manual dos Inquisidores, Auto dos Danados, Exortação aos Crocodilos e Eu Hei-de Amar uma Pedra.

Fonte: Imagens Google

Amplamente traduzido e distinguido com vários prémios, incluindo o Prémio Jerusalém em 2005 e o Prémio Camões em 2007, foi frequentemente apontado como candidato ao Nobel da Literatura — distinção que nunca recebeu e à qual dizia não dar grande importância. 

Mais do que prémios, interessava-lhe o trabalho literário em si: escrevia à mão, sem planos prévios. Dizia viver “em guerra civil” consigo mesmo e descrevia a escrita como um processo intenso e quase físico, comparando o fim de um livro à convalescença de uma doença.

Nos últimos anos afastara-se da vida pública e doara o seu espólio literário à cidade de Lisboa. A sua morte marca o desaparecimento de uma das vozes mais influentes da literatura em língua portuguesa.

A Dom Quixote anunciou que tem previsto, para Abril de 2026, o lançamento do livro «Poemas», reunindo poesia inédita escrita pelo escritor ao longo da vida. 

António Lobo Antunes morreu a 5 de Março de 2026, vítima de doença oncológica.

Fontes: Expresso e Wikipédia

Fonte: Imagens Google

15 de fevereiro de 2026

A volta no caixão

 






Autor: Pedro Lucas Martins
Género:
Contos, Terror
Idioma: Português

Páginas: 244

Editora: Barca

Ano: 2024

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A volta no caixão é o segundo livro que leio do autor Pedro Lucas Martins, nascido em Lisboa em 1983, e formado em Linguística e Tradução.   

O volume lido antes, de que gostei bastante, foi A promessa do faroleiro – ler o meu apontamento sobre o livro aqui

Na presente colectânea, a
 presença da morte estende-se no tempo, ilustrada em
trinta e um contos.

P
edro Lucas Martins recorre, na sua maioria, a histórias curtas e incisivas para revelar diferentes faces da morte e o que poderá esperar-nos após o fim, «quando se toca a terra fria». 

As histórias, diversas entre si e muito bem escritas, deixam uma marca persistente, ultrapassando o razoável e infiltrando-se na nossa imaginação.

Os meus contos favoritos são Enquanto a neve dormia, A morte ao adormecer, Uma ida e volta à quinta, Uma casa feliz, Ingrediente Secreto, e Sacrifício
.

Uma nota ainda para a edição de capa dura, aquela que li, muito bonita, especialmente o papel escolhido e o design interior.

«Similarmente, nunca houve um contacto físico — embora, em raras e assustadoras ocasiões, pudesse jurar que sentia dedos cadaverosos a tactearem-lhe a parte de trás do pescoço, ou a deslizarem silenciosamente pelos lençóis. (...) a lógica pouco importava quando a sensação vinha. Até porque a lógica fora descartada no dia em que os mortos decidiram tê-lo como confidente.»

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(bom)