16 de agosto de 2026

O adeus a Keigo Higashino aos 68 anos (1958-2026)

Fonte: Imagens Google

Nascido em Osaka em 1958, Higashino estudou engenharia e trabalhou numa empresa de componentes automóveis antes de se dedicar profissionalmente à literatura.

A sua estreia aconteceu em 1985 com After School, um romance policial que venceu o Prémio Edogawa Ranpo.

Naoko, Malice, Journey Under the Midnight Sun, The Miracles of the Namiya General Store e, sobretudo, The Devotion of Suspect X tornaram-se alguns dos seus títulos mais conhecidos internacionalmente.

Os seus livros foram traduzidos em mais de 40 países e adaptados ao cinema e à televisão. Em Portugal, tem dois títulos publicados. Para quem gosta de policiais, é um autor bastante recomendado. 

A ciência teve um papel recorrente na escrita de Keigo Higashino, mas a lógica científica dos seus enredos nunca elimina a dimensão emocional. O enigma não é apenas uma construção lógica, mas um mecanismo para observar as pessoas quando são colocadas perante situações extremas.

Fonte: Imagens Google

The Devotion of Suspect X (A devoção do suspeito X, em Portugal), vencedor do Prémio Naoki em 2006, é um exemplo dessa abordagem.

Higashino dizia que alguns escritores queriam emocionar quem os lia e outros cultivavam a beleza das palavras; ele queria, acima de tudo, surpreender os leitores com as suas ideias. Até onde vai a lealdade? O que fazer quando a justiça e a compaixão entram em conflito? Quanto daquilo que fazemos é determinado pelas circunstâncias?

Em 2023, Higashino atingiu a marca de mais de 100 milhões de exemplares vendidos no Japão - um dos escritores japoneses mais lidos da sua geração.

O seu último romance, Eternal Memory, o 106.º livro da sua bibliografia, foi publicado postumamente.

O escritor morreu a 23 de julho de 2026, aos 68 anos, vítima de cancro.

Fontes: MSN e Wikipédia


Fonte: Imagens Google

26 de julho de 2026

A segunda vida de Olive Kitteridge

     






Autor: Elizabeth Strout
Género: Literatura
Idioma: Português
Páginas: 344
Editora: Alfaguara
Ano: 2019
Tradução: Tânia Ganho 

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A segunda vida de Olive Kitteridge é a continuação de Olive Kitteridge (ler o meu apontamento aqui).

Elizabeth Strout mantém a mesma estrutura de histórias interligadas, passadas numa pequena cidade costeira (fictícia) do Maine. Cada capítulo funciona como um conto autónomo (Detido, Parto, Exilados, Coração), com Olive a aparecer ora como protagonista, ora como presença secundária.

A professora de Matemática, reformada há vários anos, continua frontal e emocionalmente pouco expressiva, embora a idade a tenha tornado mais consciente das suas falhas e lhe permita mostrar-se mais vulnerável.

À semelhança do primeiro livro, os temas continuam densos: a perda de autonomia e o isolamento que acompanham a velhice, a aceitação da morte, as segundas oportunidades amorosas, o arrependimento e o remorso.

A prosa da autora continua a saldar-se numa leitura calma e reflexiva, onde o interesse reside na psicologia das personagens e na emoção contida.

A "segunda vida" de Olive é uma aprendizagem de como viver com maior abertura emocional, em que o envelhecimento não é apresentado como decadência, mas como um processo de maior honestidade consigo própria.

Enquanto o primeiro livro explora as falhas humanas enquanto ainda há tempo para errar, o segundo debruça-se sobre o que permanece quando o tempo começa a escassear.

«Doía-lhe tudo, como se tivesse caminhado muito mais do que o seu corpo aguentava, doía-lhe o corpo inteiro, e pensou: dói-me a alma. E concluiu, então, que nunca devíamos encarar de ânimo leve a solidão que as pessoas sentiam no seu âmago, que as escolhas que faziam para evitarem essa escuridão escancarada eram escolhas que exigiam respeito.»

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(muito bom)

12 de julho de 2026

O surpreendente silêncio dos homens

       









Autor: Rita Ferro
Género: Romance
Idioma: Português
Páginas: 224
Editora: Dom Quixote
Ano: 2025

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O surpreendente silêncio dos homens, de Rita Ferro (1955–), foi publicado em 2025.

A escritora e cronista portuguesa estreou-se na literatura em 1990, e é autora de uma vasta obra que inclui romances, crónicas e livros de não-ficção. A sua escrita aborda frequentemente as relações humanas, a condição feminina, a família e temas sociais. 

Maria da Graça, narradora da história, cresce sob a influência do aviso que é preciso desconfiar dos homens. Ao longo do livro, conta-nos episódios da infância até à idade adulta, pontuados por manifestações de violência masculina. O romance aponta a forma como muitas mulheres são educadas para antecipar o perigo, moldando comportamentos e escolhas para se protegerem.

Ao longo das páginas, reparei que o tom se situou entre o romance introspectivo e o ensaio social, com Rita Ferro a abordar temas como o medo transmitido entre gerações e o silêncio dos homens perante comportamentos abusivos (de outros homens).

O "silêncio" do título estende-se aos homens que optam por não agir e/ou não censurar os comportamentos contra as mulheres, preferindo, ao invés, a passividade.

A escrita de Rita Ferro é directa e provocadora, e a narrativa interrompe para introduzir reflexões, estatísticas e comentários sobre a violência de género. Ao início, esta mudança de tom surpreendeu-me, mas acabou por se integrar naturalmente no romance.

Mais do que pela história que conta, O surpreendente silêncio dos homens destaca-se pelas questões que levanta, e pelo convite a uma reflexão necessária sobre as mesmas.

É importante evitar generalizações simplistas sobre homens ou mulheres, mas não devemos ignorar os factos e os números. A violência de género é uma realidade documentada e merece ser discutida sem preconceitos, sem se desvalorizar a dimensão do problema. 

«Os homens descobriram quase tudo, ninguém desmente. Depois da roda a escrita, o vidro, a lâmpada, o avião, a pólvora, o telefone, a televisão, a internet, o GPS. Mas não o melhor da vida: as mulheres. Não o seu corpo, as suas almas! Não pelo sexo, a reprodução, ou a família, mas por tudo quanto lhes damos, se merecem. E mesmo se não merecem.» 

«Deve-se ao homem a maior parte dos grandes feitos, sim senhor, porque até ao século XIX não nos deixaram sonhar, criar, arriscar. (...) lascaram a pedra, descobriram novos mundos, chegaram à Lua e a Marte, separaram siameses, transplantaram fígados e corações. Mas ainda não encontraram uma forma de nos poupar aos abusos, aos espancamentos, às violações? (...) E como conciliar a mesma mão que afaga e ampara, com a que brutaliza, sequestra, estupra?»

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(bom)