31 de março de 2026

Uma família feliz

     








Autor: Raphael Montes
Género: Thriller
Idioma: Português
Páginas: 367
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2024

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Ouvi falar de Raphael Montes há alguns meses. Montes é um autor brasileiro de thrillers que tem vindo a ganhar cada vez mais visibilidade.

Em Uma Família Feliz, acompanhamos Eva, casada com um advogado em ascensão e mãe de gémeas. A sua vida parece ideal: tem sucesso online com a arte reborn — bonecos hiper-realistas que imitam bebés — e vive com a família num condomínio de luxo, o Blue Paradise.

Tudo parece controlado até Eva descobrir que está grávida. A partir daí, começam a surgir pequenos sinais: comportamentos estranhos, tensões e segredos.

O livro joga muito com a dúvida. Desconfiamos de tudo e de todos, e as personagens nunca são totalmente estáveis. Há várias reviravoltas, o que mantém o ritmo e prende a leitura.

A escrita de Raphael Montes é simples e direta, com capítulos curtos. Não traz nada de novo para quem já está habituado ao género — é um thriller clássico, bem executado.

No final, ficam algumas pontas soltas, sobretudo em relação a pistas secundárias que não são totalmente desenvolvidas.

O livro foi adaptado ao cinema, com realização de José Eduardo Belmonte, sendo que o próprio autor escreveu o argumento para o filme.

«Fico observando os frequentadores do shopping. (...) para os homens, queixo quadrado, barba desenhada, topete discreto e músculos (...); para as mulheres, lábios grossos, maçãs do rosto fartas e um vestido colado ao corpo, marcando bem a bunda e os peitos. Um casal passa por mim e, minutos depois,  outro casal idêntico vem no sentido contrário — parece que são as mesmas pessoas, com roupas diferentes. É como um grande exército de Barbies e Kens, todos com a mesma harmonização facial.»

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(bom)

26 de março de 2026

O adeus a Mário Zambujal aos 90 anos (1936-2026)

 

Fonte: Imagens Google

Mário Zambujal nasceu a 5 de março de 1936 em Moura, no Alentejo.

Construiu uma carreira de 45 anos dedicada às palavras, passando pela imprensa, rádio, televisão, teatro e literatura. Trabalhou em vários jornais, como A Bola, O Século, Diário de Notícias e Record; foi ainda director do semanário Se7e e presidiu ao Clube de Jornalistas durante 14 anos.

Na televisão, destacou-se como apresentador de programas desportivos da RTP, como Grande Encontro e Domingo Desportivo, e participou também em rádio e na escrita de séries de comédia televisiva (Lá em casa tudo bem; Nós os Ricos; Os Imparáveis).

Autor de cerca de vinte livros, tornou-se especialmente conhecido com Crónica dos Bons Malandros (1980), romance picaresco que alcançou grande popularidade e foi adaptado ao cinema e à televisão. 

A sua obra caracteriza-se pelo humor, pelo olhar atento sobre a sociedade portuguesa e por personagens marginais retratadas com ironia e humanidade.
 

Fonte: Imagens Google

Distinguido ao longo da vida com várias homenagens — entre elas a Medalha de Mérito Cultural de Lisboa e o Prémio Gazeta de Mérito — publicou o seu último romance, O Último a Sair, em 2025. Foi amplamente reconhecido como um dos grandes contadores de histórias do jornalismo e da literatura portugueses contemporâneos.

Numa entrevista ao Expresso, a Dezembro de 2009, disse à entrevistadora, Cândida Santos Silva: «Nunca fui malandro, nem sou. É uma palavra excessiva para caracterizar uma pessoa como eu. Gosto de brincar, de rir, de viver intensamente. Por vezes há alguma malícia nas minhas piadas. Gosto da sensualidade das coisas. Não sou um tipo que guarde rancor. Não tenho paciência para estar zangado com ninguém. Nem estou zangado com a vida.»

Mário Zambujal morreu a 12 de março de 2026, uma semana após celebrar 90 anos.

Fontes: Observador e Wikipédia

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Fonte: Imagens Google

12 de março de 2026

Olive Kitteridge

    





Autor: Elizabeth Strout
Género: Literatura
Idioma: Português
Páginas: 352
Editora: Alfaguara
Ano: 2008
Tradução: Tânia Ganho 

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Olive Kitteridge é um romance de 2008, composto por histórias interligadas, passadas numa pequena cidade costeira (fictícia) do Maine.

Em vez de uma narrativa linear, o livro reúne 13 contos ligados entre si (A Farmácia, Maré Enchente, A Pianista, Uma Pequena Alegria, etc.), cada um centrado em habitantes da comunidade. A Olive do título — uma professora de matemática reformada — é a protagonista em algumas histórias e mencionada de passagem noutras.

Olive é uma figura carismática que percebe de sentimentos, mas não os sabe expressar de uma forma que não magoe ou afaste os outros. É retratada como uma pessoa difícil, directa e antipática. O avançar da acção revela-a ao leitor de uma forma diferente, sem sentimentalismos.

Apesar do cenário soalheiro e ritmo de vida pacato onde tudo se desenrola, os temas de Olive Kitteridge estão longe de serem "solares": isolamento emocional, ambiguidade moral, remorso, envelhecimento, desilusão.

O livro venceu o Pulitzer para Ficção, e foi adaptado para mini-série pela HBO, com Frances McDormand no papel de Olive — a adaptação recebeu vários Emmy.

O livro destaca-se pela forma como transforma pequenas cenas do quotidiano em momentos de reconhecimento moral e empatia. Ao acompanharmos os habitantes, reconhecemos-lhes a sua humanidade.

O resultado é uma leitura calma e reflexiva. 

Há um segundo livro com Olive K. como protagonista, editado em 2019, intitulado A segunda vida de Olive Kitteridge, que acompanha a fase tardia da sua vida — conto lê-lo este ano.
«— Estão ambos a fazer terapia. — Hesitou e olhou em volta.  Não te preocupes com isso, Henry. Na terapia, a culpa é sempre da mãe. Tenho a certeza que sais de lá incólume e a cheirar a água de rosas. — Olive tamborilou os dedos na máquina de lavar. — Tenho de desligar, ela está a fazer uma máquina de roupa aqui em baixo. Eu estou bem, Henry. Volto daqui a uma semana.»

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(muito bom)