3 de fevereiro de 2023

Pequenas grandes mentiras

   

Autor: Liane Moriarty
Género: Mistério, Thriller

Idioma: Português

Páginas: 480

Editora: Asa

Ano: 2015
Título original:
Big little lies

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Liane Moriarty é uma escritora australiana bestseller. Este é o livro pelo qual é mais conhecida, um livro que vendeu milhões de exemplares e teve uma adaptação ao pequeno ecrã.

Pequenas grandes mentiras lida com temas sombrios, equilibrando-os com leveza e humor.

A história, passada numa cidade costeira chamada Pirriwee, tem como protagonistas três mulheres muito diferentes entre si, que se tornam amigas quando os filhos começam a frequentar a mesma sala no jardim de infância.

Temos Jane, uma mãe solteira recém-chegada à cidade; Madeline, uma carismática mãe de três que vai no segundo casamento; e Celeste, uma mulher abastada e mãe de gémeos.

Pessoalmente, achei a forma de contar a história uma excelente aposta: desde o primeiro capítulo que sabemos que ocorreu um crime, mas há que ler para descobrir quem foi a vítima e o seu homicida. Inicia-se então uma narrativa que remonta a seis meses antes da noite do crime. O enredo vai-se desenrolando com a narração habitual da vida das protagonistas, intercalados com vários depoimentos das testemunhas à polícia.

E como todos se conhecem em Pirriwee, há vários comentários misturados com cusquices, que permitem ver toda a gente a uma outra luz e tentar perceber o que é invenção ou algo que alguém quer esconder/tem vergonha.

O tom, e pano de fundo, de Pequenas grandes mentiras é contemporâneo, com temas correntes - bullying, ciúmes, hipocrisia, violência doméstica, adultério, novas tecnologias –, e Liane Moriarty tece habilmente a história de uma comunidade, e dos seus habitantes, doseando os pequenos dramas individuais de cada personagem, os seus segredos e motivações.

As personagens são complexas e bem desenvolvidas, e além do trio de protagonistas, temos uma galeria numerosa de figuras secundárias, também elas bem trabalhadas.

O final é surpreendente; o livro é bom entretenimento e a leitura é viciante (4 estrelas e meia).

Vi há uns tempos uma série, Nove perfeitos desconhecidos, inspirada num outro livro de Liane Moriarty e gostei. Vou tentar ler mais da autora.

Ainda relativamente a Pequenas grandes mentiras, quero ver a adaptação televisiva em breve, que conta com Nicole Kidman, Meryl Streep e Laura Dern.

*****
(muito bom)

8 de janeiro de 2023

I'm glad my mom died

 

Autor: Jennette McCurdy
Narrador: Jennette McCurdy
Género: Autobiografia
Idioma: Inglês
Duração: 6h e 26m
Editora: Audible Originals (Audible)
Ano: 2022

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Este livro chamou-me a atenção pelo título e pela capa.

I'm glad my mom died é uma autobiografia comovente, e com um tom humorístico cortante, sobre as dificuldades da ex-atriz Jennette McCurdy, numa história que inclui distúrbios alimentares, alcoolismo e a relação complicada com uma mãe autoritária que a forçou, desde muito jovem, a ser actriz e a sustentar a família, entre outros comportamentos que constituem abuso físico, mental e emocional de uma menor.

«Why do we romanticize the dead? Why can't we be honest about them? Especially moms, they're the most romanticized of anyone. Moms are saints, angels by merely existing. No one could possibly understand what it's like to be a mom. Men will never understand, women with no children will never understand. No one but moms know the hardship of motherhood and we non-moms must heap nothing but praise upon mom because we lowly, pitiful, non-moms are mere peasants compared to the goddesses we call mothers.»

McCurdy conheceu o estrelato quando participou em séries infanto-juvenis da Nickelodeon - iCarly e Sam & Cat. A forma como a mãe a manipulou e pressionou a manter-se no ramo, o ritmo de trabalho, as formas de contornar a lei quando se envolvem menores, mostram o quão implacável é o trabalho infantil na indústria do entretenimento.

Agora com 30 anos, a autora descreve vários episódios familiares e profissionais, numa “arena” onde vale tudo. Fá-lo depois de anos de terapia e após ter superado suficientemente o trauma para contar a sua história.

McCurdy fala ainda do dinheiro que a Nickelodeon lhe terá oferecido para não revelar alegados abusos às mãos de um produtor influente - um homem a que Jennettte se refere como "o Criador".

Infelizmente, esta não é uma história inédita em Hollywood, com vários actores-criança a terem comportamentos auto-destrutivos quando entram na idade adulta; estou a pensar em Macauly Culkin e em Lindsay Lohan.

Jennette consegue ser engraçada e irónica na narração da sua história, com episódios engraçados e outros extremamente tristes, dando a entoação e a emoção que considerou adequadas à sua narrativa (escolhi a versão audiolivro). Fico feliz pela autora ter finalmente encontrado a paz para viver a sua vida da forma que sempre quis.

I'm glad my mom died ganhou o prémio Goodreads Choice Awards 2022 na categoria biografia/autobiografia com mais de 200 mil votos, batendo largamente a concorrência, que incluía as biografias de Viola Davis, Alan Rickman e Matthew Perry.

*****
(muito bom)

2 de janeiro de 2023

Olá, 2023!

Fonte: Google Search Engine

Boas entradas a todos! 

2022 está encerrado e inicia-se um novo ano.

No site Goodreads, já muitos começaram a estabelecer o número de leituras para 2023. Eu vou manter os 36 do ano passado - uma média de 3 livros por mês.


Dos livros lidos em 2022, foram muitos os que me proporcionaram horas extraordinárias, passadas na companhia de autores como Han Kang, Svetlana Alexievich, Orhan Pamuk e P. Djèli Clark.

Entre os livros que me ficaram na memória, houve banda desenhada, romance, não-ficção e ficção especulativa:

- O burlão nas Índias, de Ayroles e Garrido;

- Vozes de Chernobyl, de Svetlana Alexievich;

- Pele de Homem, de Hubert e Zanzim;

- A vegetariana, de Han Kang;

- O jogador de xadrez, de David Sala;

- As esganadas, de Jô Soares;

- Ring shout, de P. Djèli Clark;

- O romancista ingénuo e o sentimental, de Orhan Pamuk;

- Questões escaldantes, de Margaret Atwood


Em 2022, o mundo da literatura ficou mais pobre com o desaparecimento de Hilary Mantel, Peter Straub, Javier Marías, Jô Soares e Thich Nhat Hanh. Que descansem em paz e continuem imortais nas obras que nos deram.

Continuei a escrever ficção, algo que me dá muito gosto. 💕

E tive novo incentivo em prosseguir neste caminho ao ser publicada pela segunda vez! Foi na antologia Sangue, das Edições Trebaruna, para a qual escrevi
o conto Sob a névoa.

Imagem: Edições Trebaruna




Dei ainda a minha primeira entrevista como escritora ao portal Fábrica do Terror, ao que se seguiu outra entrevista no blogue da Liliana Raquel, uns meses após. 

E para fechar com chave d'ouro um ano de muito trabalho e consideráveis desafios pessoais, a antologia onde fui publicada pela primeira vez, Sangue Novo, com o conto Ritos, foi premiada no Fórum Fantástico. 💕
 
Caros leitores, espero que continuem a vir ao blogue em 2023, e que daqui tirem inspiração para o próximo livro que lerem/oferecerem.

Desejo-vos, e aos vossos, muita saúde, paz interior e boas leituras!

Fonte: Google Search Engine