Li
Le chef-d’œuvre inconnu (A obra-prima desconhecida),
de Balzac, porque foi o livro votado pelo meu clube de leitura.
E
ainda bem que assim foi: a última vez que lera Balzac foi no liceu
e, tendo em conta a minha pilha de próximas leituras, não sei
quando voltaria a este escritor.
Publicada originalmente em 1831, esta novela com menos de cem páginas, gira em torno da criação artística e da obsessão pela perfeição. Balzac tinha 32 anos e estava a iniciar o que viria a transformar-se na La Comédie humaine.
A história passa-se em Paris, no início do século XVII, e acompanha o jovem Nicolas Poussin, ainda longe do pintor célebre que viria a ser, num encontro que tem com os (fictícios) mestres Porbus e Frenhofer.
Frenhofer trabalha há dez anos numa pintura. Quando finalmente a revela, os outros veem um caos de cores, enquanto Frenhofer vê a sua obra-prima.
Há ainda um aspecto sombrio: Gillette, a lindíssima amante de Poussin, fora “oferecida” por ele a Frenhofer para posar, exposta em nome da arte. É uma passagem do conto muito interessante. Nenhum dos homens é capaz de reconhecer que a procura da perfeição deixou de ser criação e passou a ser obsessão.
É um bom texto, actual, com excelentes questões para reflectir e discutir; foi o que descobrimos nessa sessão do clube de leitura.
Li Le chef-d’œuvre inconnu em francês, mas a novela está traduzida em Portugal pela Documenta e, por estar no domínio público, também pode ser facilmente encontrada online, em inglês e noutras línguas.
****
(bom)




