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Nascido em Lisboa em 1942, António Lobo Antunes formou-se em Medicina e especializou-se em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda.
A experiência como médico militar na Guerra Colonial em Angola marcou decisivamente a sua escrita. Dessa vivência nasceram alguns dos seus primeiros romances, como Memória de Elefante (1979), Os Cus de Judas (1979) e Conhecimento do Inferno (1980), obras que o afirmaram como uma das vozes mais fortes da ficção portuguesa do pós-25 de Abril.
Ao longo de mais
de quatro décadas publicou cerca de quarenta livros e construiu uma
escrita singular, centrada na memória e na
exploração da experiência humana.
Entre as suas obras mais
conhecidas estão Manual dos Inquisidores, Auto
dos Danados, Exortação
aos Crocodilos e Eu
Hei-de Amar uma Pedra.
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Amplamente traduzido e
distinguido com vários prémios, incluindo o Prémio Jerusalém em 2005 e o Prémio Camões em 2007, foi
frequentemente apontado como candidato ao Nobel da Literatura — distinção
que nunca recebeu e à qual dizia não dar grande importância.
Mais
do que prémios, interessava-lhe o trabalho literário em si:
escrevia à mão, sem planos prévios. Dizia viver “em
guerra civil” consigo mesmo e descrevia a escrita como um processo
intenso e quase físico, comparando o fim de um livro à
convalescença de uma doença.
Nos últimos anos afastara-se da vida pública e doara o seu espólio literário à cidade de Lisboa. A sua morte marca o desaparecimento de uma das vozes mais influentes da literatura em língua portuguesa.
A Dom Quixote anunciou que tem previsto, para Abril de 2026, o lançamento do livro «Poemas», reunindo poesia inédita escrita pelo escritor ao longo da vida.
António Lobo Antunes morreu a 5 de Março de 2026, vítima de doença oncológica.
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