27 de junho de 2021

Palmas para o Esquilo

 
Autores: David Soares, Pedro Serpa
Género: Banda desenhada

Idioma: Português
Páginas: 52
Editora: Kingpin books
 Ano: 2013

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David Soares é um dos meus autores portugueses favoritos. É a primeira vez que o leio em formato banda desenhada.

Palmas para o Esquilo é uma leitura breve mas intensa. 

Uma frase na contra-capa marca o tom: «qual é a diferença entre a imaginação e a loucura?»

Dois homens num asilo tentam comunicar, entre si e com o mundo, da melhor forma que podem, privados de coerência e em vão porque «a loucura é uma antilinguagem porque não permite a comunicação».

Sozinhos dentro do seu próprio mundo, existem em solidão. Através dos excelentes desenhos de Pedro Serpa, vemos os seus pensamentos, memórias e emoções.

Escrever sobre a saúde mental é delicado. Continua um tema tabu para muitas pessoas e permanece um enigma para as pessoas que a acompanham e tratam, a crer pelos artigos publicados pelos especialistas.

Como ponto negativo, tenho a apontar um uso excessivo de vocábulos empolados em várias frases seguidas, que obrigam a uma pausa na leitura para reflectir, tentar perceber pelo contexto ou mesmo procurar o significado dos mesmos num dicionário. Talvez tenha sido para demonstrar como falar sobre a doença mental é um desafio e muito pouco perceptível, mas pareceu-me um bocadito pretencioso.

«Porque nada é mais cintilante que o fogo da criação. Nada brilha com mais radiância. E, no entanto, nada é mais frágil que esse fogo. Nada é mais efémero.» (página 26)

Não sendo o meu livro favorito de David Soares, Palmas para o Esquilo é mais uma prova do imenso talento deste autor.

****
(bom)

6 de junho de 2021

Tokyo decadence

 
Autor: Ryu Murakami
Género: Contos

Idioma: Inglês
Páginas: 258
Editora: Kurodahan Press (Kindle)
 Ano: 2019
(1.ª edição: 1988)

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Ryu Murakami
é um escritor e realizador japonês nascido em 1952.

Apesar não ser parente de Haruki Murakami (Kafka à beira-mar; 1Q84; Norwegian wood), é conhecido no milieu cultural japonês como "o outro Murakami".

O seu primeiro romance, Almost Transparent Blue, escrito quando Murakami ainda era estudante, foi um bestseller e recebeu o prémio literário mais conceituado do Japão, consagrando-o como "o" autor japonês de literatura violenta.

Tokyo Decadence é uma boa amostra do seu trabalho, um conjunto de 15 contos seleccionados de cinco colecções publicadas entre 1986 e 2003.

Os protagonistas dos contos não são gueixas, artistas tímidos ou homens de negócios convencionais; são marginais/alienados que habitam uma Tóquio cruel e sombria, que alimenta os vícios de drogados, prostitutas e degenerados.

A prosa de Tokyo Decadence tem um tom único na sua mordacidade. As personagens recorrem à prostituição, ao consumismo e à droga para encherem as suas vidas, mentindo e roubando sem remorsos. A maioria das personagens femininas são mentalmente desequilibradas, histéricas e ninfomaníacas; a maioria das personagens masculinas são bêbadas, prostitutas e tóxico-dependentes.

Apesar do tom decadente e cenários deprimentes, Tokyo Decadence é interessante e lê-se bem; rapidamente nos habituamos ao tom sombrio, às relações humanas pouco salutares e ao excesso de vício. As história são por vezes salpicadas com dança e música cubanas - que o autor ajudou a difundir no Japão. É dificil prever como as histórias vão acabar; Murakami não recorre a clichés; alguns contos acabam abruptamente. 

Tirando um par de contos algo descartáveis, a maioria fica na memória. Alguns estão interligados e há temas recorrentes, o que ajuda a criar uma coesão narrativa. 

Achei esta leitura uma boa introdução à obra do autor.

****
(bom)

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