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11 de janeiro de 2024

The lost daughter

 

Autor: Elena Ferrante
Género: Romance
, Contemporâneo
Idioma: Inglês

Páginas: 148

Editora: Europa Editions

Ano: 2008
Título original:
La figlia oscura

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Autora bestseller, famosa pela sua tetralogia napolitana (um sucesso adaptado pela HBO), Elena Ferrante é o pseudónimo de uma escritora italiana, cuja identidade é mantida em segredo absoluto.

Na minha estreia a lê-la, escolhi este livro por ser um dos mais curtos e por ter sido adaptado ao cinema – conto ver o filme.

The lost daughter centra-se em Leda, uma professora universitária perto dos cinquenta, que decide fazer umas férias sozinha, aproveitando o facto das suas duas filhas adultas se terem mudado para outro país e ela poder, enfim (palavras dela), desfrutar de uma vida solitária.

Atenta às interacções das pessoas que vê na praia todos os dias, chama-lhe a atenção Nina e a filha, Elena, e a boneca que a pequena leva para todo o lado. A curiosidade de Leda torna-se uma obsessão, ao ponto de Leda roubar a boneca da criança, o que vai despoletar várias situações.

A história é bastante introspectiva, com Leda a revelar-se uma protagonista pouco simpática, que tem uma visão de si mesma crua e intransigente.

Os temas centram-se nas relações mãe-filha, na maternidade e na condição feminina. A história avança lentamente, com Leda a reflectir nas escolhas que fez no passado, como a sua vida mudou quando se tornou mãe, e como é viver a solo agora que as filhas cresceram.

The lost daughter salda-se num bom livro e numa leitura desconfortável.
 

«My only obligation with regard to the girls was to call once a day to see how they were, what they were doing (…) They called me often too, especially Bianca, who had a more imperiously demanding relationship with me, but only to know if blue shoes would go with an orange skirt, if I could find some papers left in a book and send them urgently, if I was still available to be blamed for their rages, their sorrows (…).»

****
(bom)

6 de junho de 2021

Tokyo decadence

 
Autor: Ryu Murakami
Género: Contos

Idioma: Inglês
Páginas: 258
Editora: Kurodahan Press (Kindle)
 Ano: 2019
(1.ª edição: 1988)

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Ryu Murakami
é um escritor e realizador japonês nascido em 1952.

Apesar não ser parente de Haruki Murakami (Kafka à beira-mar; 1Q84; Norwegian wood), é conhecido no milieu cultural japonês como "o outro Murakami".

O seu primeiro romance, Almost Transparent Blue, escrito quando Murakami ainda era estudante, foi um bestseller e recebeu o prémio literário mais conceituado do Japão, consagrando-o como "o" autor japonês de literatura violenta.

Tokyo Decadence é uma boa amostra do seu trabalho, um conjunto de 15 contos seleccionados de cinco colecções publicadas entre 1986 e 2003.

Os protagonistas dos contos não são gueixas, artistas tímidos ou homens de negócios convencionais; são marginais/alienados que habitam uma Tóquio cruel e sombria, que alimenta os vícios de drogados, prostitutas e degenerados.

A prosa de Tokyo Decadence tem um tom único na sua mordacidade. As personagens recorrem à prostituição, ao consumismo e à droga para encherem as suas vidas, mentindo e roubando sem remorsos. A maioria das personagens femininas são mentalmente desequilibradas, histéricas e ninfomaníacas; a maioria das personagens masculinas são bêbadas, prostitutas e tóxico-dependentes.

Apesar do tom decadente e cenários deprimentes, Tokyo Decadence é interessante e lê-se bem; rapidamente nos habituamos ao tom sombrio, às relações humanas pouco salutares e ao excesso de vício. As história são por vezes salpicadas com dança e música cubanas - que o autor ajudou a difundir no Japão. É dificil prever como as histórias vão acabar; Murakami não recorre a clichés; alguns contos acabam abruptamente. 

Tirando um par de contos algo descartáveis, a maioria fica na memória. Alguns estão interligados e há temas recorrentes, o que ajuda a criar uma coesão narrativa. 

Achei esta leitura uma boa introdução à obra do autor.

****
(bom)

26 de maio de 2020

O Alquimista


Autor: Paulo Coelho
Género: Auto-ajuda, Motivacional
Idioma: Português
Páginas: 108
Editora: Planeta (ebook)
Ano: 1988

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Publicado em 1988, O Alquimista foi o livro que lançou o brasileiro Paulo Coelho para a ribalta.

Paulo Coelho nasceu em 1947, no Rio de Janeiro. Tem os seus livros traduzidos em dezenas de idiomas e recebeu prémios literários na Austrália, nos EUA, na França, e em Itália. É o escritor brasileiro mais vendido e lido no mundo.

Apesar disso, nunca senti vontade de o ler. Mesmo tendo umas poucas amigas que mo aconselhavam... mas cujos gostos literários não eram concordantes com os meus. Não aconteceu.

Recentemente, durante o período de confinamento, eu e a uma amiga decidimos fazer uma leitura conjunta de um livro com poucas páginas e tema acessível. Dos candidatos, ganhou O Alquimista, o livro que permaneceu na lista de bestsellers do New York Times durante anos.

A história: um jovem pastor tem o sonho recorrente de um tesouro escondido e das pirâmides egípcias. Decide ir em busca do tesouro, encontrando pelo caminho várias personagens que lhe transmitem ensinamentos, entre os quais os conceitos da Lenda Pessoal, da Alma do Mundo e da Linguagem Universal. A busca pelo tesouro despoleta, assim, um processo de enriquecimento espiritual e o leitor tira(ria) vantagem das várias revelações a par com o protagonista.

N'O Alquimista, o autor não descreve fisicamente as personagens além do género, focando-se antes nas roupas e acessórios que usam. Isso torna a história mais universal, sem associações extra que poderiam desviar a atenção do que é importante: a mensagem. Isto porque o tesouro acima mencionado é uma metáfora para o auto-conhecimento.

A escrita é pontuada por frases simples e curtas, que permitem ler o livro de uma assentada ou fazendo paragens e retomar a leitura sem perder o fio à meada.

«Quando você quer uma coisa, todo o Universo conspira para que possa consegui-la.»
 
A centena de páginas da edição que li resumem-se a um conjunto de banalidades num tom religioso que rapidamente se torna monótono. A história não é desenvolvida, o protagonista não é interessante nem multidimensional (novamente a vagueza da universalidade), algumas frases soam estranhas mesmo se lidas em voz alta (vejo algum conteúdo made in Brasil mas leio pouco em Português do Brasil, pelo que admito que a falha aqui pode ser minha), não há elevação espiritual. Certamente que o facto das minhas expectativas serem elevadas não ajudaram.
 
Gostaria de ter apreciado o livro (a minha amiga gostou bastante) mas não o achei estimulante de todo. Vago e sem estrutura, desinspirado até, apesar das entrevistas que li em que Paulo Coelho diz que sonhou com o livro, viajou até ao Egipto e sempre acreditou que esta história singraria. E fê-lo, mas eu nada colhi.

Leio todos os géneros literários e já li bons livros de auto-ajuda/motivacionais, com trajectórias espirituais inspiradoras, alguns dos quais têm um apontamento aqui no blog: Can't hurt me, The choice, A gata do Dalai Lama, The art of happiness. Há vários outros títulos que ainda não li e que me inspirarão tanto como O Alquimista inspirou outras pessoas; isso consola-me.
 
**
(fraco)

22 de abril de 2020

A Peste



Autor: Albert Camus
Género: Romance
Idioma: Inglês
Páginas: 320
Editora: Vintage (ebook)
Ano: 2012

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Publicada em 1947, A Peste é considerada uma das obras mais notáveis de Albert Camus, Nobel da Literatura de 1957.
 

O livro tem sido muito mencionado desde que o mundo entrou em "quarentena covid" e parece ter-se tornado leitura obrigatória.

A acção d'A Peste passa-se em Orão, na Algéria sob domínio francês, onde
as vidas dos habitantes são controladas «pelos seus hábitos, as rotinas de trabalho, idas a restaurantes e cinemas, casos amorosos superficiais». 

Quando de um dia para o outro, começam a ver-se alguns ratos mortos pelas ruas, a vida continua sem sobressaltos. Quando os ratos começam a morrer às centenas, o que obriga à recolha visível e cremação dos cadáveres, o facto é noticiado ainda sem grande alarido. Quando começam a surgir as primeiras mortes entre a população, as autoridades estão reticentes em adoptar medidas extremas.
  
«Everybody knows that pestilences have a way of recurring in the world; yet somehow we find it hard to believe in ones that crash down on our heads from a blue sky. There have been as many plagues as wars in history; yet always plagues and wars take people equally by surprise.»

Leva algum tempo mas, gradualmente, o público começa a ver a epidemia como um desastre colectivo. A peste traz «justiça imparcial», com vítimas de todos os estratos sociais. Finalmente decreta-se a quarentena. Aqueles que tentam escapar da cidade são alvejados.

Devido ao elevado número de mortes, os funerais começam a ser feitos sem cerimónia. Eventualmente, torna-se necessário enterrar as vítimas em valas comuns. Quando não há mais espaço no cemitério, as autoridades começam a cremar os corpos.

Vários meses se passam até se voltar à normalidade. 

Até lá, a população tem de lidar com o isolamento, a privação, o desaparecimento de entes queridos, a mortalidade iminente. Há saques, contrabando, escapes hedonistas. Há esperança, amizade, superação, numa história que é densa e fortemente filosófica. Os temas são actuais e a semelhança com o que se passa presentemente é arrepiante. É uma grande narrativa.

Não é um livro perfeito. Pessoalmente, creio que é demasiado longo; teria lucrado com o corte de alguns capítulos. Há muita repetição e algumas situações parecem acessórias, sendo inicialmente muito desenvolvidas e concluídas sumariamente. Há somente um par de personagens femininas (e são secundárias).

No final, relembra-se que uma pandemia está sempre iminente - apenas adormecida -, e o ser humano nada pode fazer para o impedir. É um facto que não podemos negar, somos disso testemunhas; o mundo não será o mesmo depois disto.
*****
(muito bom)