Idioma: Português
Páginas: 48
Editora: Edições Asa
Ano: 2025
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A chegada de Astérix e Obélix à Lusitânia é, por si só, uma ideia assinalável.
Como acontece com os Bretões, Corsos, Belgas e os próprios Gauleses, a questão é saber que características escolheriam para caricaturar os Lusitanos, e se nós próprios lhes acharíamos graça.
Fabcaro escolheu a melancolia, associando-a à saudade: nostalgia, tristeza, esperança e uma certa inclinação para o derrotismo. É uma caricatura reconhecível, mas também desconfortável, assente numa visão dos portugueses ligada às vagas de emigração das décadas de 1960 e 1970.
Porém, referências como Viriato, fado, saudade, bacalhau, pastéis de nata e hospitalidade continuam a ser associações intemporais.
E há graça neste jogo de clichés. O fado
e Amália funcionam
bem, com a melancolia lusitana a transformar-se numa
arma contra os Romanos, assim como os jogos de palavras do texto
original e da parte das tradutoras (Sacanês,
o eléctrico
XXVIII, o Hepimilis, a
Primarquês).
Mas o humor também é desigual em Astérix na Lusitânia, com piadas mornas, como a dos pastéis de nata apresentados como inferiores à pastelaria francesa. Do lado da tradução, o uso exagerado do ”ó pá” cansa à segunda página.
A história do garum é bastante simples e não acrescenta muito. Ainda assim, há momentos divertidos e referências culturais bem fisgadas.
Nunca saberemos qual teria sido a versão de Goscinny e Uderzo. Astérix na Lusitânia diverte e proporciona um prazer estranho quando nos reconhecemos (pouco ou muito) na caricatura.
(bom)


