23 de agosto de 2026

Le chef-d'oeuvre inconnu

       









Autor: Honoré de Balzac
Género: Novela
Idioma: Francês
Páginas: 65
Editora: ePoints (Kindle)
Ano: 2015

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Li Le chef-d’œuvre inconnu (A obra-prima desconhecida), de Balzac, porque foi o livro votado pelo meu clube de leitura.

E ainda bem que assim foi: a última vez que lera Balzac foi no liceu e, tendo em conta a minha pilha de próximas leituras, não sei quando voltaria a este escritor.

Publicada originalmente em 1831, esta novela com menos de cem páginas, gira em torno da criação artística e da obsessão pela perfeição. Balzac tinha 32 anos e estava a iniciar o que viria a transformar-se na La Comédie humaine.

A história passa-se em Paris, no início do século XVII, e acompanha o jovem Nicolas Poussin, ainda longe do pintor célebre que viria a ser, num encontro que tem com os (fictícios) mestres Porbus e Frenhofer.

Frenhofer trabalha há dez anos numa pintura. Quando finalmente a revela, os outros veem um caos de cores, enquanto Frenhofer vê a sua obra-prima.

Há ainda um aspecto sombrio: Gillette, a lindíssima amante de Poussin, fora “oferecida” por ele a Frenhofer para posar, exposta em nome da arte. É uma passagem do conto muito interessante. Nenhum dos homens é capaz de reconhecer que a procura da perfeição deixou de ser criação e passou a ser obsessão.

É um bom texto, actual, com excelentes questões para reflectir e discutir; foi o que descobrimos nessa sessão do clube de leitura.

Li Le chef-d’œuvre inconnu em francês, mas a novela está traduzida em Portugal pela Documenta e, por estar no domínio público, também pode ser facilmente encontrada online, em inglês e noutras línguas.

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(bom)

16 de agosto de 2026

O adeus a Keigo Higashino aos 68 anos (1958-2026)

Fonte: Imagens Google

Nascido em Osaka em 1958, Higashino estudou engenharia e trabalhou numa empresa de componentes automóveis antes de se dedicar profissionalmente à literatura.

A sua estreia aconteceu em 1985 com After School, um romance policial que venceu o Prémio Edogawa Ranpo.

Naoko, Malice, Journey Under the Midnight Sun, The Miracles of the Namiya General Store e, sobretudo, The Devotion of Suspect X tornaram-se alguns dos seus títulos mais conhecidos internacionalmente.

Os seus livros foram traduzidos em mais de 40 países e adaptados ao cinema e à televisão. Em Portugal, tem dois títulos publicados. Para quem gosta de policiais, é um autor bastante recomendado. 

A ciência teve um papel recorrente na escrita de Keigo Higashino, mas a lógica científica dos seus enredos nunca elimina a dimensão emocional. O enigma não é apenas uma construção lógica, mas um mecanismo para observar as pessoas quando são colocadas perante situações extremas.

Fonte: Imagens Google

The Devotion of Suspect X (A devoção do suspeito X, em Portugal), vencedor do Prémio Naoki em 2006, é um exemplo dessa abordagem.

Higashino dizia que alguns escritores queriam emocionar quem os lia e outros cultivavam a beleza das palavras; ele queria, acima de tudo, surpreender os leitores com as suas ideias. Até onde vai a lealdade? O que fazer quando a justiça e a compaixão entram em conflito? Quanto daquilo que fazemos é determinado pelas circunstâncias?

Em 2023, Higashino atingiu a marca de mais de 100 milhões de exemplares vendidos no Japão - um dos escritores japoneses mais lidos da sua geração.

O seu último romance, Eternal Memory, o 106.º livro da sua bibliografia, foi publicado postumamente.

O escritor morreu a 23 de julho de 2026, aos 68 anos, vítima de cancro.

Fontes: MSN e Wikipédia


Fonte: Imagens Google

26 de julho de 2026

A segunda vida de Olive Kitteridge

     






Autor: Elizabeth Strout
Género: Literatura
Idioma: Português
Páginas: 344
Editora: Alfaguara
Ano: 2019
Tradução: Tânia Ganho 

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A segunda vida de Olive Kitteridge é a continuação de Olive Kitteridge (ler o meu apontamento aqui).

Elizabeth Strout mantém a mesma estrutura de histórias interligadas, passadas numa pequena cidade costeira (fictícia) do Maine. Cada capítulo funciona como um conto autónomo (Detido, Parto, Exilados, Coração), com Olive a aparecer ora como protagonista, ora como presença secundária.

A professora de Matemática, reformada há vários anos, continua frontal e emocionalmente pouco expressiva, embora a idade a tenha tornado mais consciente das suas falhas e lhe permita mostrar-se mais vulnerável.

À semelhança do primeiro livro, os temas continuam densos: a perda de autonomia e o isolamento que acompanham a velhice, a aceitação da morte, as segundas oportunidades amorosas, o arrependimento e o remorso.

A prosa da autora continua a saldar-se numa leitura calma e reflexiva, onde o interesse reside na psicologia das personagens e na emoção contida.

A "segunda vida" de Olive é uma aprendizagem de como viver com maior abertura emocional, em que o envelhecimento não é apresentado como decadência, mas como um processo de maior honestidade consigo própria.

Enquanto o primeiro livro explora as falhas humanas enquanto ainda há tempo para errar, o segundo debruça-se sobre o que permanece quando o tempo começa a escassear.

«Doía-lhe tudo, como se tivesse caminhado muito mais do que o seu corpo aguentava, doía-lhe o corpo inteiro, e pensou: dói-me a alma. E concluiu, então, que nunca devíamos encarar de ânimo leve a solidão que as pessoas sentiam no seu âmago, que as escolhas que faziam para evitarem essa escuridão escancarada eram escolhas que exigiam respeito.»

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(muito bom)

12 de julho de 2026

O surpreendente silêncio dos homens

       









Autor: Rita Ferro
Género: Romance
Idioma: Português
Páginas: 224
Editora: Dom Quixote
Ano: 2025

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O surpreendente silêncio dos homens, de Rita Ferro (1955–), foi publicado em 2025.

A escritora e cronista portuguesa estreou-se na literatura em 1990, e é autora de uma vasta obra que inclui romances, crónicas e livros de não-ficção. A sua escrita aborda frequentemente as relações humanas, a condição feminina, a família e temas sociais. 

Maria da Graça, narradora da história, cresce sob a influência do aviso que é preciso desconfiar dos homens. Ao longo do livro, conta-nos episódios da infância até à idade adulta, pontuados por manifestações de violência masculina. O romance aponta a forma como muitas mulheres são educadas para antecipar o perigo, moldando comportamentos e escolhas para se protegerem.

Ao longo das páginas, reparei que o tom se situou entre o romance introspectivo e o ensaio social, com Rita Ferro a abordar temas como o medo transmitido entre gerações e o silêncio dos homens perante comportamentos abusivos (de outros homens).

O "silêncio" do título estende-se aos homens que optam por não agir e/ou não censurar os comportamentos contra as mulheres, preferindo, ao invés, a passividade.

A escrita de Rita Ferro é directa e provocadora, e a narrativa interrompe para introduzir reflexões, estatísticas e comentários sobre a violência de género. Ao início, esta mudança de tom surpreendeu-me, mas acabou por se integrar naturalmente no romance.

Mais do que pela história que conta, O surpreendente silêncio dos homens destaca-se pelas questões que levanta, e pelo convite a uma reflexão necessária sobre as mesmas.

É importante evitar generalizações simplistas sobre homens ou mulheres, mas não devemos ignorar os factos e os números. A violência de género é uma realidade documentada e merece ser discutida sem preconceitos, sem se desvalorizar a dimensão do problema. 

«Os homens descobriram quase tudo, ninguém desmente. Depois da roda a escrita, o vidro, a lâmpada, o avião, a pólvora, o telefone, a televisão, a internet, o GPS. Mas não o melhor da vida: as mulheres. Não o seu corpo, as suas almas! Não pelo sexo, a reprodução, ou a família, mas por tudo quanto lhes damos, se merecem. E mesmo se não merecem.» 

«Deve-se ao homem a maior parte dos grandes feitos, sim senhor, porque até ao século XIX não nos deixaram sonhar, criar, arriscar. (...) lascaram a pedra, descobriram novos mundos, chegaram à Lua e a Marte, separaram siameses, transplantaram fígados e corações. Mas ainda não encontraram uma forma de nos poupar aos abusos, aos espancamentos, às violações? (...) E como conciliar a mesma mão que afaga e ampara, com a que brutaliza, sequestra, estupra?»

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(bom)

21 de junho de 2026

A cinco palmos dos olhos

    







Autor: Carlos Campaniço
Género: Literatura, Romance
Idioma: Português
Páginas: 272
Editora: Casa das Letras
Ano: 2025

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A cinco palmos dos olhos foi a minha estreia com o escritor Carlos Campaniço, nascido em Safara, no concelho de Moura, em 1973.

Comecei pelo seu título mais recente, pelo menos à data deste apontamento. Que boa descoberta!

O resumo deste romance: após o 25 de Abril, a aldeia alentejana de Aldeia Velha é transformada pela Reforma Agrária e pelo fim da Guerra Colonial. Entre ex-latifundiários, trabalhadores rurais, militantes políticos e sonhadores desiludidos, a comunidade adapta-se a uma nova realidade. 

Como elo de ligação entre a galeria de personagens temos um carteiro peculiar com a alcunha de Boca-Viúva, num romance que retrata tensões, esperanças e episódios do dia-a-dia de uma aldeia em mudança.

Foi muito bom ouvir e visualizar o Alentejo desses dias, e que Campaniço descreve tão bem! Algumas frases são pura poesia, e captam bem a musicalidade de como se fala na região, que tem um colorido muito próprio. 

Vivi em Beja vários anos e a experiência ficou-me gravada no coração, muito por força das pessoas que adoptaram
, como amiga e colega, esta alfacinha que cresceu nos subúrbios da capital. E voltar a esse quotidiano numa década que não vivi, e a uma ruralidade que não me é completamente familiar, em anos decisivos para o Portugal pós-ditadura, tornou a leitura muito mais rica.

Recomendo este livro, e a lerem escritores portugueses. E, pois claro!, já tenho outros livros de Campaniço debaixo de olho.

«Assim andava o Presidente da Junta desde que soubera do regresso do latifundiário. E logo depois o seu partido confirmaria a derrota inimaginável, o fim do sonho: os trabalhadores teriam de sair das terras de que tiravam o seu ganha-pão. (...)
"V
oltarão a pagar-nos aquele nada para trabalharmos para eles? Teremos de tirar os nossos filhos da escola, agora que todas as crianças têm direito a estudar, e irão para os campos aos sete ou oito anos de idade, como nós fomos? Haverá comida para todos, como há hoje, ou vamos pedir fiado nas lojas novamente? E trabalho? Agora todos temos trabalho. Voltaremos ao tempo em que seleccionavam apenas uns quantos na praça e os outros morriam à fome?

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(muito bom)

31 de maio de 2026

O tanto que grita este silêncio — porque se abstêm os portugueses?

      








Autor: Nelson Nunes
Género: Ensaio
Idioma: Português
Páginas: 111
Editora: Fundação Francisco Manuel 
dos Santos (e-book)
Ano: 2025

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O voto é um elemento essencial da vida democrática, e participar nas eleições é uma das formas mais importantes de exercer a cidadania.

Em Portugal, uma parte significativa da população escolhe repetidamente não exercer esse direito.

No livro O tanto que grita este silêncio: porque se abstêm os portugueses?, Nelson Nunes dedica-se a compreender o que leva tantos cidadãos a afastarem-se das urnas.

Através de testemunhos, análises e reflexões, revela um conjunto de motivações que inclui desconfiança nas instituições, desencanto com os partidos políticos, sentimento de impotência perante as decisões do poder, e uma forma deliberada de protesto.

Cada abstencionista representa uma história individual e uma relação particular com a democracia.

Um dos aspectos mais interessantes do livro é que o autor não procura convencer o leitor de que a abstenção é correcta ou incorrecta; o seu objectivo é compreender as causas de um comportamento que tem vindo a marcar a realidade portuguesa e que levanta questões importantes sobre representação, participação e confiança pública.

Num contexto em que a distância entre eleitores e instituições parece aumentar em várias democracias ocidentais, este ensaio é uma leitura pertinente.

Pessoalmente, acho importante participar nas eleições. Mesmo quando nenhum partido convence, creio que votar em branco ou nulo é preferível à abstenção. O livro surpreendeu-me pela consistência e racionalidade de muitos dos argumentos apresentados pelos abstencionistas. Ainda assim, não vejo por que razão essas mesmas posições não poderiam ser expressas através de um voto em branco.

Por outro lado, a obra chama a atenção para um aspecto interessante: os meios de comunicação tendem a analisar e discutir a abstenção, mas raramente dedicam a mesma atenção aos votos brancos e nulos. Isso cria uma diferença relevante. Quem se abstém como forma de protesto acaba por gerar debate público e visibilidade para a sua posição, enquanto quem se desloca às urnas para votar em branco ou nulo vê, muitas vezes, essa escolha passar despercebida.

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(muito bom)

11 de maio de 2026

A Idade da Pele

     






Autor: Dubravka Ugrešić
Género: Ensaio
Idioma: Português
Páginas: 200
Editora: Cavalo de Ferro
Ano: 2023
Título original: Doba ko
že
Tradução do Inglês: Rita Costa 

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Dubravka Ugrešic (1949-2023) nasceu na ex-Jugoslávia, na actual Croácia. 

Académica de Literatura Russa, as suas declarações contra a guerra nos Balcãs, em 1991, tornaram-na alvo de ódio nacionalista por parte de jornalistas, políticos e escritores, e levaram-na a abandonar o seu país natal e a exilar-se na Holanda.

Autora de ensaios e romances, traduzidos em mais de 20 línguas, venceu vários prémios literários — em 2016, a sua obra foi distinguida com o prémio Neustadt de Literatura

A idade da pele é um conjunto de ensaios escritos entre 2014 e 2018.
 Ugrešić escreve sobre a cultura contemporânea dominada pela imagem, pelo corpo e pela superficialidade, assente na ideia central de que vivemos numa era em que a pele — enquanto superfície — substituiu a profundidade, numa lógica cuja violência se torna mais evidente quando lida à luz dos crimes de guerra e da fragmentação jugoslava.
 

A autora, cujo estatuto de exilada atravessa todo o livro, é especialmente sensível às dinâmicas de pertença, trazendo uma perspectiva incisiva sobre o que significa existir num mundo onde tudo é visível, mas pouco é realmente compreendido, onde as emoções complexas são reduzidas a likes, emojis e slogans.

A idade da pele é um livro seco e intelectualmente rigoroso. A autora não oferece soluções nem consolo, e o tom irónico e humorístico não esconde a sua tristeza da perda irreversível que resultou na mentalidade que, crê, a guerra normalizou e persistiu.

Mais do que uma sequência de conflitos, a queda da Jugoslávia é, para Dubravka Ugrešić, a vitória da superfície sobre a complexidade.

«Graças aos media, a estupidez tornou-se global. (…) A sua principal tarefa não é tanto a desinformação, ou a informação parcial, mas a trivialização da informação. Os consumidores da informação, no momento em que ficam saciados, têm a forte sensação de que o tempo deixou de fluir, de que se encontram num buraco atemporal, deslocado, desligado e desorientado.»

«A misoginia é uma reacção instintiva nos pequenos países dos Balcãs. É tão comum, tão profundamente arreigada, tão omnipresente e tão flagrante que ninguém — nem quem a dissemina, nem as vítimas — dá conta. (…) E surge muitas vezes camuflada, atrás de uma máscara, nos lugares mais inesperados, como nos sonhos eróticos ou nas fantasias de jovens inocentes com uma parceira ideal, muda...»

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(bom)

30 de abril de 2026

O aniversário

   




Autor: Andrea Bajani
Género: Romance
Idioma: Português
Páginas: 144
Editora: Alfaguara
Ano: 2025
Título original: L'anniversario 
Tradução: Sofia Ribeiro 
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O aniversário assinala a estreia de Andrea Bajani em Portugal.

Este escritor italiano, nascido em 1975, é autor de vários romances premiados e traduzidos internacionalmente. 

O aniversário
 é o testemunho de um homem que corta todos os laços com a família de origem, decidido a sobreviver a um ambiente dominado por um pai autoritário e uma mãe anulada.

Num discurso sem floreados, o narrador analisa com precisão clínica a violência psicológica onde cresceu. O monólogo interior explica a emancipação em várias situações, e como a fuga se tornou o único gesto possível de libertação.

A escrita de Bajani é seca e cirúrgica, expondo um inferno familiar feito de silêncios, manipulação e dependência emocional. Apesar de curta, é uma leitura pesada. 

A intensidade e a lucidez do texto trazem uma frieza que tornam difícil um envolvimento emocional profundo. Mas sentimos sempre a ideia de uma ferida que não cicatrizou no narrador, e que a sua libertação, apesar de necessária, foi incompleta.

É um livro que provoca alguma, ou muita, angústia, dependendo da sensibilidade do leitor. 

«[A minha mãe] voltou ao fogão para cozinhar como antes e para ficar em silêncio, sem que o rosto traísse qualquer dissidência ou mau humor quando o meu pai, depois de nos pedir que disséssemos se o que tínhamos acabado de tirar da travessa era bom, dizia então que tinha sido ideia dele, que ele era a mente e a nossa mãe, apenas o braço.»

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(bom)