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21 de junho de 2026

A cinco palmos dos olhos

    







Autor: Carlos Campaniço
Género: Literatura, Romance
Idioma: Português
Páginas: 272
Editora: Casa das Letras
Ano: 2025

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A cinco palmos dos olhos foi a minha estreia com o escritor Carlos Campaniço, nascido em Safara, no concelho de Moura, em 1973.

Comecei pelo seu título mais recente, pelo menos à data deste apontamento. Que boa descoberta!

O resumo deste romance: após o 25 de Abril, a aldeia alentejana de Aldeia Velha é transformada pela Reforma Agrária e pelo fim da Guerra Colonial. Entre ex-latifundiários, trabalhadores rurais, militantes políticos e sonhadores desiludidos, a comunidade adapta-se a uma nova realidade. 

Como elo de ligação entre a galeria de personagens temos um carteiro peculiar com a alcunha de Boca-Viúva, num romance que retrata tensões, esperanças e episódios do dia-a-dia de uma aldeia em mudança.

Foi muito bom ouvir e visualizar o Alentejo desses dias, e que Campaniço descreve tão bem! Algumas frases são pura poesia, e captam bem a musicalidade de como se fala na região, que tem um colorido muito próprio. 

Vivi em Beja vários anos e a experiência ficou-me gravada no coração, muito por força das pessoas que adoptaram
, como amiga e colega, esta alfacinha que cresceu nos subúrbios da capital. E voltar a esse quotidiano numa década que não vivi, e a uma ruralidade que não me é completamente familiar, em anos decisivos para o Portugal pós-ditadura, tornou a leitura muito mais rica.

Recomendo este livro, e a lerem escritores portugueses. E, pois claro!, já tenho outros livros de Campaniço debaixo de olho.

«Assim andava o Presidente da Junta desde que soubera do regresso do latifundiário. E logo depois o seu partido confirmaria a derrota inimaginável, o fim do sonho: os trabalhadores teriam de sair das terras de que tiravam o seu ganha-pão. (...)
"V
oltarão a pagar-nos aquele nada para trabalharmos para eles? Teremos de tirar os nossos filhos da escola, agora que todas as crianças têm direito a estudar, e irão para os campos aos sete ou oito anos de idade, como nós fomos? Haverá comida para todos, como há hoje, ou vamos pedir fiado nas lojas novamente? E trabalho? Agora todos temos trabalho. Voltaremos ao tempo em que seleccionavam apenas uns quantos na praça e os outros morriam à fome?"»

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(muito bom)

8 de abril de 2025

Borboleta

     



Autor: Madeleine Pereira
Género: Banda desenhada
Idioma: Português
Páginas: 176
Editora: Edições Asa
Ano: 2025

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Madeleine Pereira, autora luso-descendente, nasceu em 1997 em Paris. Mora em Angoulême, a capital francesa da Banda Desenhada.

Borboleta é a sua estreia como ilustradora.

A BD foca-se, principalmente, na história de Madeleine, e na do seu pai, que emigrou para França em 1973, fugindo ao Estado Novo. O pai sempre hesitou em falar do seu país natal e da sua infância sob a ditadura.

Assim, o livro foi uma oportunidade para a artista conhecer melhor o país das suas raízes e a sua História, assim como parte das crónicas da comunidade portuguesa que emigrou para França nas décadas de 1960 e 1970.

Fonte: imagem do livro

Em Borboleta, que combina (auto)biografia e ficção, Madeleine Pereira ilustra a repressão da ditadura, o medo dos jovens de serem chamados para a Guerra Colonial, e a vida e os costumes numa sociedade autoritária. Fala ainda do preconceito dos franceses pelos emigrantes.

Para recriar visualmente o que lhe foi contado, a autora recorreu a fotografias de família, a documentos do Museu do Aljube e a imagens de arquivo da RTP.

Desenhado a lápis de cor e a caneta preta, Borboleta é um livro muito bonito que retrata um pedaço de História da Diáspora portuguesa.

Recomendadíssimo.

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(muito bom)