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16 de maio de 2025

The Trees





Autor: Percival Everett
Género:
Contemporâneo
Idioma: Inglês

Páginas: 335

Editora: Influx Press

Ano: 2022

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Money, Mississípi.

Um homem branco é encontrado morto em casa com um segundo cadáver ao lado, que se assemelha a Emmett Till, um jovem negro de 14 anos linchado na mesma cidade 65 anos antes.

Dois detectives negros, do Departamento de Investigação do Mississípi, são enviados a Money para investigarem. O xerife, os seus ajudantes, o médico-legista e demais habitantes brancos colaboram contrariados.

Quando outras mortes macabras se sucedem, uma agente do FBI aparece para coordenar a investigação, após ser descoberto que duas das vítimas pertenciam à família de Carolyn Bryant, a mulher branca que acusou Emmett Till de a ter agredido sexualmente, o que levou ao seu linchamento.

Percival Everett escreveu um romance acutilante que mistura ficção policial e sátira, com vários apontamentos de humor ácido sobre a violência racial nos Estados Unidos.

Everett utiliza a linguagem de forma provocadora, e vários diálogos são tão divertidos como surreais. Os nomes das personagens secundárias são castiços e dão outra cor à acção: Helvetica Quip, Chester Hobnobber, Hickory Spit, Pete Built.

The Trees é um livro audaz e, da melhor forma possível, perturbador.

Foi considerado, aquando da sua publicação, livro do ano para o New York Times, o Chicago Tribune e a TIME. Recebeu o Prémio Bollinger Everyman Wodehouse e foi finalista da edição do Booker de 2022.

Eu li The Trees em Inglês, mas a obra está traduzida em Portugal, pela Livros do Brasil, com o título As Árvores.

«”How much is your cheapest one?”
“May I remind you that the dearly departed is going to be in this box for eternity,” Easy said. “By eternity I do mean forever.”
Daisy stared at him.
“We do have a pauper’s coffin. (…)
“I can live with that.”
“I guess Junior Junior will have to as well,” Easy said.
“Damn straight” Daisy said
.»

*****
(muito bom)

23 de agosto de 2022

Ring shout

  

Autor: P. Djèli Clark
Género: Ficção Especulativa

Idioma: Inglês

Páginas: 192

Editora: Tor.com (Kindle)

Ano: 2020

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Quando Ring shout me foi recomendado, não reconheci o nome do autor, P. Djèli Clark.

Mas quando vi a capa… a capa espectacular! e li a sinopse, não foi preciso mais nada para me convencer a comprá-lo.

O ano é 1920. O lugar é Macon, na Geórgia americana.

Uma força maligna ameaça dominar a América. Três jovens mulheres – Maryse, Sadie e Cordelia – não têm mãos a medir, entre o contrabando de whisky em plena Lei Seca, e a luta contra os "ku kluxes", criaturas sanguinárias que semeiam a destruição à sua passagem.

Todos os membros do Ku Klux Klan (KKK), devido à quantidade de ódio e intolerância em si, possuem o potencial para se transformar em "ku kluxes". De onde vem esta magia negra?

Vem da premissa (bastante original!) de que realizador D.W. Griffith é um bruxo e o seu filme O nascimento de uma nação - uma fita de 1915 de grande sucesso comercial que retrata os afro-americanos como irracionais e o KKK como uma força heróica -, é um feitiço que se alimenta da energia sombria da América, canalizando-a para os «homens-demónio em trajes brancos».

As forças que querem conquistar o mundo aproveitam-se do facto de o KKK estar no auge do seu poder e estatuto para se espalharem. E têm de ser derrotadas antes que dominem a nação.

Pessoalmente, achei a ideia muito interessante. A execução pelo autor foi impecável.

Ring shout, que aparece em algumas edições com o título alternativo Ring shout or Hunting ku kluxes in the end times, arrecadou os prémios  NebulaLocus e British Fantasy Awards quando saiu.

Apesar de ser uma história condensada em menos de duzentas páginas, há muita coisa a acontecer o tempo todo. A acção é rica e colorida, as personagens são complexas e o local é uma Macon alternativa cheia de pormenores e locais reais, misturados com mitos e ficção.

Apesar de Ring shout estar primeiramente classificado como terror, é um mix muito bem doseado de terror e fantasia urbana. Clark terá começado a esboçar a ideia para a história em 2015, baseando-se na diáspora africana, na cultura Gullah e no controverso filme de D.W. Griffith.

Há uns anos, eu costumava ler mais fantasia urbana (as séries de Sookie Stackhouse e de Mercy Thompson são aquelas que mais gostei e das quais guardo boas memórias) e foi muito bom revisitar o género.

Gostei bastante do trio de protagonistas, mulheres negras independentes, que se apoiam e entreajudam, numa relação de amizade sólida fortalecida por um inimigo comum. Adorei o uso do folclore local, assim como os pormenores sobrenaturais e de magia: os "night doctors", as "aunties", as mezinhas de Nana Jean.

A ideia das criaturas é genial: os "ku kluxes" vivem escondidos dentro de algumas pessoas, só sendo vistos por aqueles que possuem "a visão”. Quando mortos, transformam-se em cinza e desfazem-se sem deixar rasto. Juntando isto ao terror que o KKK espalhou durante os anos de actividade, é difícil pensar em algo mais terrível para a comunidade negra norte-americana.

P. Djèli Clark é o pseudónimo de Dexter Gabriel, um professor doutorado em História. Como autor, já recebeu inúmeros prémios e nomeações dentro da ficção especulativa.

O título Ring shout refere-se ao ritual religioso, praticado pela primeira vez por escravos africanos nas Índias Ocidentais e nos Estados Unidos, no qual os fiéis se movem em círculo enquanto arrastam os pés e batem palmas, por vezes gritando num semi-transe. Há uma forma mais moderna do ritual, a “pausa para louvar”, praticada em muitas igrejas negras e/ou pentecostais nos dias de hoje.

A leitura deste livro foi um prazer. Espero que seja traduzido em Portugal; no Brasil, foi publicado como Ring shout: grito de liberdade.

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(muito bom)