3 de agosto de 2021

Promethee 13:13

 

Autores: Andy Diggle, Shawn Martinbrough
Género: Banda desenhada (Sci-fi)
Idioma: Inglês
Páginas: 98
Editora: ComiXology Originals
 Ano: 2020

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Recentemente, num fórum online de banda desenhada, recomendava-se vivamente a série francesa de ficção científica Prométhée, de Christophe Bec, iniciada em 2008.

Quando fui à procura dos livros, vi que havia uma prequela de homenagem, visto que a série acabou em 2020, com o 21.º título. 

Essa prequela é este livro, Promethee 13:13, pelo qual decidi começar antes de me aventurar pelos restantes 21.

Em Promethee 13:13, temos Darla como protagonista, uma mulher atormentada por visões apocalípticas desde que foi alegadamente raptada por extra-terrestres em miúda. E isto porque, ao longo dos anos, Darla se convenceu de que teria uma doença mental e que a medicação que tomava evitavam as alucinações que erradamente teria interpretado como visões e sonhos.

Mas uma situação envolvendo a nave Atlantis vem alterar as coisas. Ao mesmo tempo que Darla é raptada por um grupo de pessoas que acredita que o fim do mundo está para breve e que ela é a chave para o impedir, começa uma contagem decrescente que culmina a 21 de Setembro de 2019, às 13:13. 

A história não adianta muito como prequela, pelo que é essencial ler a série para mergulhar na trama. Promethee 13:13 antecipa mas não concretiza, mas é interessante o suficiente para querer ler a série francesa.
 
Podem ver algumas vinhetas aqui.

***
(mediano/razoável)

29 de julho de 2021

Knock knock (the Skillute cycle #1)

 

Autor: S.P. Miskowski
Género: Terror
Idioma: Inglês
Páginas: 303
Editora: Kindle Edition
 Ano: 2011

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Knock knock, traduzido para português como "truz truz", apareceu no meu radar por recomendação de uma booktuber.

Nunca tinha ouvido falar nem da autora nem do livro, que já tem uns anos.

A história é sobre um trio de amigas que vive em Skillute, onde não se passa grande coisa. 

Um dia, depois da escola, passeando-se pela floresta e assustando-se umas às outras com lendas locais, decidem fazer um pacto: nunca terem filhos. 

As consequências dessa brincadeira, feita quando têm 11 anos e que resulta na evocação de um espírito maligno, vão assombrá-las, e ao lugar onde vivem, por várias décadas.

O livro segue as três protagonistas na sua vida adulta e vivendo em Skillute. A história avança a bom ritmo até chegar ao meio, onde se arrasta por alguns capítulos bem menos interessantes e que pouco acrescentam à história. Depois, retoma na parte final do livro, com um fim bem conseguido.

Pouco assustador mas muito atmosférico e bem escrito, Knock knock  foi uma excelente descoberta. 

Recomendadíssimo para fãs do sobrenatural.

Há mais três livros nesta série, The Skillute cycle, que podem ser livros individualmente.

****
(bom)

24 de julho de 2021

Liebestrasse

 
Autores: Greg Lockard, Tim Fish,
Lucas Gattoni, Hector Barros
Género: Banda desenhada
Idioma: Inglês
Páginas: 98
Editora: ComiXology Originals
 Ano: 2019

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Liebestrasse traduz-se do alemão como "rua do amor".

Conta a história de amor de dois homens na Alemanha dos anos trinta, com a ascensão ao poder do partido nazi - o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães.

Sem surpresa, não é uma história com um final feliz.

O livro foca-se na relação dos protagonistas, com a acção passada  num período que não é habitual neste tipo de histórias. Vale mais por isso e pela beleza das ilustrações do que pela história em si, que não é original. Tal não significa que é menos relevante por isso, é simplesmente um facto. 

Com quase cem páginas, Liebestrasse está muito bem ilustrado e tem alguns momentos dramáticos muito bem conseguidos, sem nunca recorrer à violência gráfica.

O livro foi nomeado para "Outstanding Comic Book" nos prémios GLAAD 2020, criados para homenagear as representações inclusivas da comunidade LGBT nos media.

Há uma entrevista com dois dos autores aqui, que inclui excertos do livro.

****
(bom)

20 de julho de 2021

Pest


Autor: Matt Shaw
Género: Thriller
Idioma: Inglês
Páginas: 99
Editora: Kindle Edition
 Ano: 2020

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Pest apareceu na lista de leituras recomendadas do Kindle.

Já tinha visto o nome de Matt Shaw em listas de livros de terror. Tem vários contos e livros editados, a maioria em edição de autor. As pontuações costumam ser altas.

Apesar de ser mencionado que Pest não é o género de história habitual do autor, que costuma escrever coisas mais extremas e aterradoras, achei a sinopse interessante e achei que seria um título tão bom como qualquer outro para me aventurar.

A história é sobre um tipo que gosta de assediar desconhecidas na internet enviando-lhes fotografias pornográficas, visando o nojo e o choque das destinatárias. Uma noite, uma das mulheres vai mais longe e decide inverter o jogo. Segue-se uma troca... interessante entre ambos.

A acção progride rapidamente - o livro tem 99 páginas. As descrições são gráficas q.b. e têm o seu contexto, mas um pouco mais de desenvolvimento das personagens teria elevado a história. Como está, apoia-se demasiado no efeito-choque (é subjectivo, mas há partes realmente nojentas) e fica enfranquecida, apesar do tema do ciberassédio ser (infelizmente) actual.

A capa do livro induz em erro relativamente ao contéudo; gosto mas associei-a a outros tipos de história quando li a sinopse
.

Vou ler mais qualquer coisa de Matt Shaw mas na próxima será um título de terror, o género onde colhe mais elogios.

***
(mediano/razoável)

15 de julho de 2021

Cartas a um jovem escritor

 

Autor: Colum McCann
Género: Ensaio

Idioma: Português

Páginas: 196

Editora: Clube do Autor

Ano: 2017
 

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Nunca li nada de Colum McCann, embora tenha um livro dele na estante, Apeirogon: viagens infinitas, nomeado para o Booker Prize de 2020. 
 
Quando me falaram de Cartas a um jovem escritor, como aspirante a escritora nos tempos livres, ignorei a menção do "jovem" no título e priorizei o livro, que tem menos de 200 páginas.
 
Os capítulos são curtos e começam com uma citação quase sempre excelente de um escritor/intelectual conhecido. 
 
O tom é encorajador e entusiasta, ideal para quem se está a iniciar na escrita, e o contéudo cheio de generalidades.
 
Finda a leitura, acho que o título é adequado. É realmente direccionado (e útil) aos jovens escritores, embora aqueles menos jovens - desde que iniciantes -, possam também beneficiar das ideias do autor.
 
Para leitores que tenham lido outras obras da mesma temática, Cartas a um jovem escritor fica aquém e o tom de "vamos a isto!" sem aprofundar ideias, esgota-se ao fim dos capítulos iniciais. Não há aqui nada de novo.
 
Pessoalmente, recomendo Thrill me - essays on fiction, de Benjamin Percy; a antologia Writers workshop of horror; e o incontornável Escrever: memórias de um ofício, de Stephen King.
 
Fica a ideia presente em todos estes livros: há que ler muito, escrever ainda mais e, caso se almeje a publicação, não desanimar.

***
(mediano/razoável)

10 de julho de 2021

A promessa do faroleiro

 

Autor: Pedro Lucas Martins
Género: Terror
Idioma: Português
Páginas: 27
Editora: Kindle Direct Publishing
 Ano: 2019

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Pedro Lucas Martins foi, em 2018, o vencedor da 1.ª edição do Prémio António de Macedo com As sombras de Lázaro.

É a minha descoberta mais recente do género fantástico escrito em português.

A promessa do faroleiro é uma leitura curta e bastante atmosférica.

O protagonista é Gil do Bom Levante, um faroleiro que, como o pai antes dele, está de vigia na Praia dos Ossos, pronto a exterminar com a sua espingarda os vhar dhragol, demónios amaldiçoados que saem das águas negras.

A história está muito bem escrita, transmitindo com mestria a inquietude do espaço e a enormidade do fardo do faroleiro Gil. A reviravolta é bem explorada e o final perturbador.

Uma nota final para a excelente capa.

«Seguiu assim pelo areal negro, que parecia estalar a cada passo das suas botas, em direcção ao ponto luminoso criado pelo fogo. Este ainda ardia, fúnebre como uma pira, iluminando o corpo já cuspido pelas ondas, envolto numa espuma biliosa, como se nem o oceano o quisesse. Mas Gil sabia bem que não era assim. O mar era o eterno solitário. Queria sempre mais companhia.» (página 10)

*****
(muito bom)

27 de junho de 2021

Palmas para o Esquilo

 
Autores: David Soares, Pedro Serpa
Género: Banda desenhada

Idioma: Português
Páginas: 52
Editora: Kingpin books
 Ano: 2013

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David Soares é um dos meus autores portugueses favoritos. É a primeira vez que o leio em formato banda desenhada.

Palmas para o Esquilo é uma leitura breve mas intensa. 

Uma frase na contra-capa marca o tom: «qual é a diferença entre a imaginação e a loucura?»

Dois homens num asilo tentam comunicar, entre si e com o mundo, da melhor forma que podem, privados de coerência e em vão porque «a loucura é uma antilinguagem porque não permite a comunicação».

Sozinhos dentro do seu próprio mundo, existem em solidão. Através dos excelentes desenhos de Pedro Serpa, vemos os seus pensamentos, memórias e emoções.

Escrever sobre a saúde mental é delicado. Continua um tema tabu para muitas pessoas e permanece um enigma para as pessoas que a acompanham e tratam, a crer pelos artigos publicados pelos especialistas.

Como ponto negativo, tenho a apontar um uso excessivo de vocábulos empolados em várias frases seguidas, que obrigam a uma pausa na leitura para reflectir, tentar perceber pelo contexto ou mesmo procurar o significado dos mesmos num dicionário. Talvez tenha sido para demonstrar como falar sobre a doença mental é um desafio e muito pouco perceptível, mas pareceu-me um bocadito pretencioso.

«Porque nada é mais cintilante que o fogo da criação. Nada brilha com mais radiância. E, no entanto, nada é mais frágil que esse fogo. Nada é mais efémero.» (página 26)

Não sendo o meu livro favorito de David Soares, Palmas para o Esquilo é mais uma prova do imenso talento deste autor.

****
(bom)

6 de junho de 2021

Tokyo decadence

 
Autor: Ryu Murakami
Género: Contos

Idioma: Inglês
Páginas: 258
Editora: Kurodahan Press (Kindle)
 Ano: 2019
(1.ª edição: 1988)

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Ryu Murakami
é um escritor e realizador japonês nascido em 1952.

Apesar não ser parente de Haruki Murakami (Kafka à beira-mar; 1Q84; Norwegian wood), é conhecido no milieu cultural japonês como "o outro Murakami".

O seu primeiro romance, Almost Transparent Blue, escrito quando Murakami ainda era estudante, foi um bestseller e recebeu o prémio literário mais conceituado do Japão, consagrando-o como "o" autor japonês de literatura violenta.

Tokyo Decadence é uma boa amostra do seu trabalho, um conjunto de 15 contos seleccionados de cinco colecções publicadas entre 1986 e 2003.

Os protagonistas dos contos não são gueixas, artistas tímidos ou homens de negócios convencionais; são marginais/alienados que habitam uma Tóquio cruel e sombria, que alimenta os vícios de drogados, prostitutas e degenerados.

A prosa de Tokyo Decadence tem um tom único na sua mordacidade. As personagens recorrem à prostituição, ao consumismo e à droga para encherem as suas vidas, mentindo e roubando sem remorsos. A maioria das personagens femininas são mentalmente desequilibradas, histéricas e ninfomaníacas; a maioria das personagens masculinas são bêbadas, prostitutas e tóxico-dependentes.

Apesar do tom decadente e cenários deprimentes, Tokyo Decadence é interessante e lê-se bem; rapidamente nos habituamos ao tom sombrio, às relações humanas pouco salutares e ao excesso de vício. As história são por vezes salpicadas com dança e música cubanas - que o autor ajudou a difundir no Japão. É dificil prever como as histórias vão acabar; Murakami não recorre a clichés; alguns contos acabam abruptamente. 

Tirando um par de contos algo descartáveis, a maioria fica na memória. Alguns estão interligados e há temas recorrentes, o que ajuda a criar uma coesão narrativa. 

Achei esta leitura uma boa introdução à obra do autor.

****
(bom)

30 de maio de 2021

Collective darkness

 

Autor: Vários (Antologia)
Género: Contos, Terror
Idioma: Inglês
Páginas: 167
Editora: Editing Mee (Kindle)
 Ano: 2020

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Collective Darkness é uma antologia de 12 contos de terror de autores nunca publicados.

Sendo a segunda antologia que leio num espaço de poucas semanas, e com a outra ainda fresca na memória, esta ficou um pouco aquém da primeira.

Mais uma vez, os temas são variados: fantasmas, vampiros, locais
isolados, monstros na escuridão. A intensidade também difere, com nenhum verdadeiramente aterrador.

Gostei bastante de três contos:


Padua's eyes – Jonathan Reddoch - o meu favorito; passado na era medieval, onde uma jovem vê o pai e o pónei de estimação serem atacados por um vampiro e depois perseguidos pelos locais... e ela decide vingar-se.

Red flag – K.R. Patterson
- um conto sobre a dinâmica entre uma mãe e o filho, com uma reviravolta final interessante.

Polter geist – Jen Ellwyn - um rapaz determinado em recuperar um artefacto numa loja com "sombras" por todo o lado, tenta sair sem ser detectado; bom clima de suspense.

Apesar desta antologia não ter contido histórias tão interessantes, aprecio bastante descobrir novas "vozes", quiçá algumas delas os autores de referência no género daqui a uns anos.

***
(mediano/razoável)

23 de maio de 2021

Dream story (Traumnovelle)

 

Autor: Arthur Schnitzler
Género: Romance

Idioma: Inglês
Páginas: 128
Editora: Penguin (Kindle)
 Ano: 1926

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Dream story apareceu no meu radar por causa do filme De olhos bem fechados, o último filme de Stanley Kubrick, que morreu poucos dias após o filme estar pronto, em 1999. Os protagonistas são Nicole Kidman e Tom Cruise, casados na altura.

Kubrick e Frederic Raphael basearam-se neste livro para escrever o guião do filme, depois do primeiro o ter lido e lançado o desafio ao segundo.

Vi o filme primeiro, várias vezes - e gosto bastante -, mas prefiro fazer o contrário para não ser influenciada aquando da leitura. 

Ao ler Dream story, no entanto, foi fácil lê-lo sem imaginar os actores e cenários do filme, pois a obra de Schnitzler passa-se na Viena dos anos 20 e a de Kubrick na Nova Iorque dos anos 90; a atmosfera é muito diferente. Porém, também é notória como os argumentistas se inspiraram no livro e seguiram fielmente a narrativa. 

A figura central do livro é Fridolin, um médico austríaco casado com Albertine, com quem tem uma filha pequena. Uma noite, Albertine confessa ao marido uma fantasia que teve com um estranho nas suas últimas férias; Fridolin retribui contando que também se sentiu atraído por alguém.

A partir daí, Fridolin vê todas as suas interacções com outras mulheres de uma forma diferente, mais receptivo a insinuações e ao flirt, mais aberto à sua beleza e capacidade de atracção.

Vendo pacientes no hospital e ao domicílio, infiltrando-se numa soirée privada onde todos estão mascarados, o autor coloca o protagonista em múltipas situações onde a tensão psicológica e sexual da vida de casado estão sempre presentes nos monólogos de Fridolin. Há um tom pouco explícito ao longo de toda a história, reforçando o ambiente de sonho e e ambiguidade da acção.

No final, podemos conjecturar que a história talvez não seja o sonho de Fridolin mas de Albertine. Ou ir ainda mais além na especulação. Na época em que foi escrito, com Freud a revolucionar as ideias sobre o sonho, o desejo e a sexualidade, o facto de Dream story não ser linear permite várias interpretações. Kubrick soube jogar com isso na sua adaptação.

Em Portugal, foi publicado pela Relógio d'Água com o título História de um sonho.

Li num artigo que os livros de Arthur Schnitzler estavam na lista negra dos nazis para as famosas queimas de livros, juntamente com os de Freud, Zweig e Remarque, entre outros; tenho curiosidade em ler mais deste autor.

****
(bom)

18 de maio de 2021

Night terrors vol. 1

 

Autor: Vários (Antologia)
Género: Contos, Terror

Idioma: Inglês
Páginas: 221
Editora: Scare Street (Kindle)
 Ano: 2020

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Publicitado como uma antologia de contos de terror, Night terrors vol. 1 está longe de ser assustador.

Como em todas as antologias de terror que tenho lido, a qualidade dos contos varia significativamente, assim como os temas tratados: fantasmas, demónios, psicopatas, maldições, lugares assombrados.

São 13 contos distintos e apenas três são maus; os outros dez estão bem escritos e/ou têm temas interessantes, mas quase todos têm finais desinspirados ou sem sentido, o que é uma pena.

Abaixo está a lista, e os que estão a negrito e com um pequeno resumo foi os que mais gostei; os dois primeiros e os dois últimos foram os meus favoritos. 

1. Cool air – Peter Cronsberry - uma septuagenária adquire um objecto mágico numa loja de antiguidades peculiar.

2. The presentation – Tarphy H. Worn
- um homem vive as piores horas da sua vida no dia em que tem de fazer uma apresentação aos accionistas da empresa.

3. The homeowner’s guide to sanity – K.M. McKenzie
4. Retrospective: Florne’s ghost – Emil Pellim

5. 7734 – Ryan Benson terror no Ártico.

6. Aisle three – Rosie O’Carroll
7. Pumpkin patch – C.B. Channell
8. The third father – A.M. Todd

9. Troop 94’s last scouting trip – Karl Melton - um grupo de escuteiros passa uma noite inesquecível num porta-aviões assombrado.

10. Play it, win it, kill it – J.M. White
11. Satan’s town – Bob Johnston

12. Everything as it was – Warren Benedetto - uma comunidade de agricultores é assolada por uma praga.  

13. Summer camp – Ron Ripley
- um caçador nato de criaturas sobrenaturais descobre os seus poderes.

Talvez dê hipótese a mais um dos livros desta série de antologias (que já conta 14 volumes até à data) para descobrir novas vozes de um dos meus géneros favoritos.

Além disso, comparada com outras antologias que li no passado, com nomes mais sonantes, foi uma leitura satisfatória.

***
(mediano/razoável)

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