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9 de maio de 2020

Brave

 
Autor: Rose McGowan
Género: Biografia
Idioma: Inglês
Duração: 6h e 53min
Editora: Harper Audio
Ano: 2018
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O nome de Rose McGowan evoca algumas interpretações do cinema indie, onde se estreou nos anos 90. Com o passar dos anos, fez a transição para o cinema comercial (Scream de Wes Craven; Planet Terror de Robert Rodriguez) e para a televisão (Charmed). Depois deixou de aparecer. Há uns anos, quando se assumiu como uma das vítimas de abuso sexual de Harvey Weinstein, tornou-se uma das figuras principais do movimento Me Too.

Brave começa pelo início: Rose nasceu em Itália em 1973, no culto “Children of God”, de onde o pai se escapou com os filhos tinha Rose 10 anos. A relação com os pais, mesmo fora do culto e já a viver nos EUA, sempre foi turbulenta. Anos mais tarde e já adulta, diz que caiu vítima de outro culto: o de Hollywood.

Apesar de gostar dos filmes em que participava, McGowan diz que sempre se sentiu desconfortável com a obsessão por um corpo e rosto perfeitos e pela constante sexualização da sua imagem. O ponto de viragem foi no final dos anos 90, quando se terá tornado mais uma vítima de Harvey Weinstein. Rose teria 23 anos, estava habituada a relações abusivas e a ver o seu valor ligado ao quão sexy era a sua imagem. Quando alegadamente contou o que acontecera, o conselho foi que ficasse calada (a autora critica o enorme grupo de pessoas em Hollywood que auxiliam os “inúmeros predadores sexuais a ficarem impunes”, a fim colherem benefícios pessoais do poder e do dinheiro dos agressores); nunca apresentou uma queixa na polícia.

Após este episódio, Rose McGowan decidiu afastar-se do mundo do cinema e investir na sua vida afectiva - a sua relação com o músico Marilyn Manson deu que falar. Quando protagonizou um filme com Robert Rodriguez mantendo uma relação com ele (que era casado), foi a gota d’água: era definitivamente uma actriz ambiciosa disposta a tudo e uma mulher promíscua. Tinha agora um rótulo e nada do que fizesse iria alterar isso...

Brave é um manifesto sem barreiras. Rose McGowan assume-se como uma activista destemida e determinada a expôr a verdade sobre a indústria do entretenimento, e ficar calada e não fazer ondas não é opção. Pelo caminho, desmonta o conceito de fama e lança uma luz fria sobre a máquina de Hollywood, da qual se recusa voltar a fazer parte. Urge aos leitores que se recusem a ser manipuladas pelos filmes e sejam corajosas, num apelo à acção de homens e mulheres para "serem gentis e decentes uns para com os outros".

A autora queixa-se que, durante anos, não foi ouvida, não sentiu que fosse respeitada ou levada a sério. Algumas mulheres poderão identificar-se com isto, principalmente quando é descrita a forma como se espera que uma mulher aja quando confrontada com o mundo real: agradável, educada, dócil, facilmente manipulada. 

Livros como Brave podem iniciar discussões sobre a necessidade das mulheres denunciarem situações de assédio e violência. Devem fazê-lo; essas histórias precisam de ser contadas. O facto de algumas vozes terem criticado a Rose McGowan por ser alegadamente doente mental em nada diminui a mensagem do livro nesse aspecto - já para não dizer que as pessoas com problemas mentais também têm voz. A autora admite que foi diagnosticada com transtorno depressivo e que durante anos sofreu de anorexia nervosa. 

Brave é um livro que nos deixa desconfortável, onde questionamos as escolhas da autora que repudia a indústria que lhe deu fama e sustento durante vários anos e que parece ter quase sempre escolhido parceiros abusivos. Nisso Rose McGowan está longe de ser uma mentora. O seu estilo é emocional e há muita raiva e linguagem colorida. É um facto e não deve ser um impedimento para não o ler. Os seus vídeos no YouTube mostram uma mulher zangada, transtornada e muito fragilizada; cada um é livre de interpretar e aceitar o seu discurso abrasivo e linguagem corporal

Ouvi este audiolivro duas vezes seguidas e o impacto da mensagem não perdeu impacto aquando da segunda escuta. A importância de muito do que é dito é tão relevante como isso.

*****
(muito bom)

31 de agosto de 2014

I remember nothing: and other reflections

Autor: Nora Ephron
Género:
Humor
Idioma: Inglês

Páginas: 137
Editora: Knopf (Kindle edition)
Ano: 2010
ISBN:  978-0-307-59560-7
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Nora Ephron, falecida em 2012, tornou-se famosa por êxitos de bilheteira como Você tem uma Mensagem, When Harry Met Sally e Sintonia de Amor. No campo das letras, distinguiu-se pelos seus artigos femininos  na revista Esquire e pelos livros espirituosos sobre a condição feminina, de que Não gosto do meu pescoço - e outros humores, achaques e amores da vida das mulheres e este I remember nothing: and other reflections são um exemplo.

Gosto da frontalidade e do humor de Nora. Este livro alterna capítulos longos com outros de 3 páginas, onde a autora descreve a sua evolução como jornalista numa época em que as mulheres eram relegadas para tarefas menores, como é ter um rolo de carne com o seu nome (num restaurante de um amigo), como lidar com um fracasso de bilheteira ou como o fenómeno do e-mail passou de benção a maldição, sempre num tom divertido e passando de um assunto sério para um trivial com desprendimento.

O livro foi publicado 2 anos antes da morte da autora, e é engraçado como Nora aflora o assunto da morte constantemente sem o referir directamente, focando-se antes no avançar da idade, na dificuldade em reconhecermos que estamos velhos e perceber como a memória (e outras coisas) começa a falhar.

O livro que li dela antes deste falava mais directamente de morte e de doença, mas conseguia ser mais leve. Nora não se referia à família como aqui (o alcoolismo da mãe, que morreu ao 57, e o corte de relações com uma das irmãs, por motivos de herança) e é possível perceber que tem alguns assuntos pendentes mas dá para perceber que o livro não funciona como terapia, embora o tom seja confessional.
 
Continuo a não ser grande apreciador da filmografia de Nora Ephron, mas acho-a uma mulher interessante e adoro o seu sentido de humor; o seu legado é positivo em todos os aspectos e sei que leria todos os seus livros futuros.

***
(mediano/razoável)

14 de julho de 2013

Não gosto do meu pescoço



Autor: Nora Ephron
Género:
Contemporâneo
Idioma: Português
Editora: Casa das Letras
Páginas: 184
ISBN:  978-9-72-461717-6
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Nora Ephron, falecida em 2012, tornou-se famosa por escrever e realizar êxitos de bilheteira como Você tem uma Mensagem, Casei com uma Feiticeira e Sintonia de Amor. No campo das letras, distinguiu-se pelos seus artigos femininos  na revista Esquire e pelos livros espirituosos sobre a condição feminina, de que Não gosto do meu pescoço - e outros humores, achaques e amores da vida das mulheres é um exemplo.

Nora é bastante cândida e divertida na forma como fala das várias atribulações da vida de uma mulher madura: o envelhecimento, a saída dos filhos de casa, as operações plásticas, a morte dos amigos. Num tom ligeiro, dá como exemplo o pescoço e como este revela, implacavelmente, a idade de uma mulher.

«O pescoço denuncia-nos. Os nossos rostos contam mentiras e os nossos pescoços contam a verdade. Temos de serrar uma sequóia para lhe averiguar a idade, o que não seria necessário de as sequóias tivessem pescoço

A autora teve uma vida bastante cheia, com 3 casamentos, filmes de sucesso e alguns prémios. O livro conta alguns dos pontos de viragem da vida de Nora Ephron sem ser uma biografia. A mensagem é directa: o tempo passa, acontecem coisas boas e acontecem coisas más, mas o que escolhemos reter é uma escolha individual.
 

Apesar de se falar de morte e doença, também se fala de filhos e carreira, de beleza e relacionamentos. A escrita é leve e o tom bem-humorado, sarcástico, apurado. O livro chega ao fim rapidamente, mas com menos de 200 páginas, outra coisa não seria de esperar.

«De vez em quando leio um livro sobre o envelhecimento e seja quem for o autor diz sempre que é magnífico ser velho. É magnífico ser sensato, sábio e sagaz; é magnífico estar naquela fase da vida em que se compreende o que é realmente importante. Não suporto pessoas que dizem coisas deste tipo. Em que é que estão a pensar? Não têm pescoço?!»

Mesmo não apreciando particularmente a filmografia de Nora Ephron, achei Não gosto do meu pescoço - e outros humores, achaques e amores da vida das mulheres um livro bastante razoável apesar de ligeirinho. É um bom presente para uma mulher mais velha; foca os assuntos certos sem deprimir e sem ser professoral.
 
   
avaliação: *** (mediano)
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