27 de agosto de 2021

Roots

  

Autor: Tara O'Connor
Género: Banda desenhada
Idioma: Inglês
Páginas: 152
Editora: Top Shelf Productions
 Ano: 2017

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Este foi um dos livros disponibilizados recentemente pelo programa Prime Reading (que só descobri há umas semanas), uma funcionalidade disponível para aderentes do Amazon Prime.

Neste campo, não sou esquisita: em papel, em formato electrónico, em audiolivro, uso tudo o que está disponível, embora, consoante o género do livro, prefira uns formatos a outros. Para BD, gosto especialmente do formato electrónico, onde posso aumentar a imagem e ver os detalhes dos desenhos.

Roots é um livro biográfio; nele, a autora americana, e protagonista, Tara O'Connor, decide, após um divórcio doloroso (passe o pleonasmo) que a deixa à nora, investigar as suas raízes familiares viajando até à Irlanda. Uma vez lá, e resumindo, estabelece uma ligação com os lugares e as pessoas, sente-se integrada e apaixona-se. 
 
O enredo tem um tom cómico e romântico, e as ilustrações são expressivas - as minhas partes favoritas são quando a autora, indecisa sobre o que fazer, é assombrada pela sua voz interior, que aparece sob a forma de uma Tara mais nova e inexperiente (de 17, 19 ou 23 anos), que a tenta impedir de fazer algo diferente, relembrando inseguranças e erros passados. 
 
Roots é rico em temas mas, infelizmente, não atinge o potencial, embora aflore vários aspectos interessantes. É uma história de uma pessoa normal, como qualquer um de nós, desnorteada após um golpe forte, confrontada com situações quotidianas, que tenta recuperar emocionalmente. 
 
O ponto mais fraco é que nenhum dos aspectos  - a busca pelas raízes familiares, o novo relacionamento amoroso, a descoberta de uma nova cultura no outro lado do Atlântico -, são especialmente explorados ou aprofundados - talvez com umas dezenas de páginas extra -, embora o romance ganhe mais destaque com o avançar da acção.
 
Uma leitura agradável. Podem ver algumas vinhetas aqui.

***
(mediano/razoável)

22 de agosto de 2021

O canto de Aquiles

 

Autor: Madeline Miller
Género: Romance

Idioma: Português

Páginas: 344

Editora: Bertrand Editora

Ano: 2011
 

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O canto de Aquiles foi o romance de estreia de Madeline Miller. 
 
Já tinha lido outro romance da autora, baseado também na mitologia grega: Circe. Gostei muito da escrita elegante e de todos os pormenores, claramente resultado de uma pesquisa minuciosa.
 
Sempre gostei da mitologia clássica, do misto de fantasia e exaltação do Homem à mercê de deuses caprichosos. A crescer, um dos meus livros mais queridos era um dicionário de mitologia greco-romana de Pierre Grimal, de capa vermelha reluzente, que li de uma ponta à outra, completamente embalada por histórias de homens e mulheres aventureiros.

N'O canto de Aquiles, seguimos Aquiles, «o melhor dos gregos», filho da divina Tétis e do (humano) rei Peleu; Aquiles é a personificação do guerreiro: forte, veloz, belo e destemido. O nosso narrador é Pátroclo (cujo nome significa "honra do pai"), o fiel companheiro e, mais tarde, amante de Aquiles; é ele o foco da história, a personagem que seguimos de perto e cuja evolução acompanhamos. Pátroclo idolatra Aquiles e é pelos seus olhos que vemos e julgamos os actos deste.
 
Seguimos a infância de Pátroclo, o seu exílio para a corte do pai de Aquiles, como os dois se tornam inseparáveis e, mais tarde, as circunstâncias que levam à sua participação na Guerra de Tróia - palco de façanhas militares durante uma era de heróis.
 
Sabemos o fim da história mas isso não a torna menos involvente. O amor entre Pátroclo e Aquiles experimenta altos e baixos, evolui com os anos e tem as características de uma bela e comovente história de amor.
  
O canto de Aquiles é um livro para ser degustado, escrito com uma elegância invulgar que já reconheço como uma das marcas literárias de Madeline Miller.
 
A autora disse que demorou dez anos a escrevê-lo, pesquisando os textos clássicos e tentando captar o tom perfeito para o narrador. Sem dúvida que o conseguiu.   
 
Ele é uma arma, um assassino. Não se esqueçam disso. Podemos usar uma lança como bengala, mas isso não altera a sua natureza.
 
O canto de Aquiles, que conquistou o Orange Prize 2012, é um romance belíssimo que vamos recomendar a amigos leitores.
 
Em Portugal, está disponível em formato papel e e-book; podem ler um excerto aqui.
 

*****
(muito bom)

15 de agosto de 2021

The tent

 

Autor: Kealan Patrick Burke
Género: Terror
Idioma: Inglês
Páginas: 50
Editora: Amazon (Kindle)
 Ano: 2017

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Kealan Patrick Burke é um autor de terror que comecei a ler no ano passado (Kin e Sour candy).

Burke tem vários contos publicados em edição de autor na Amazon, e elabora as capas da maioria deles, uma actividade que lhe permitiu trabalhar com vários nomes sonantes no género - elaborou as capas para livros de Bentley Little, Joe R. Lansdale, Tim Lebbon e J.F. Gonzalez.

Em The tent, temos uma família em tensão a acampar na floresta. O mau tempo e a incapacidade de comunicarem uns com os outros é uma tragédia em si mesma, mas descamba quando se deparam com uma tenda abandonada no meio da floresta, debaixo de uma chuva intensa a que tentam escapar.

Esta não é uma história nova: mau tempo, conflitos e um predador que não se compadece dos dramas das personagens. Mas está muito bem escrita e, apesar de curta, faz-nos torcer por aqueles que tentam sobreviver.

Todo o conto poderia ser um prólogo de uma história maior, mas também resulta muito bem em formato abreviado.

Vencedor e várias vezes nomeado para os Bram Stoker Awards,
Kealan Patrick Burke é uma voz original dentro do género.

Para a lista completa da sua bibliografia, fica aqui o link para o site do autor.

****
(bom)

9 de agosto de 2021

The Final Girl support group

  

Autor: Grady Hendrix
Género: Terror
Idioma: Inglês
Páginas: 384
Editora: Titan Books (Kindle)
 Ano: 2021

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Grady Hendrix foi um dos meus autores-descoberta de 2020; gostei bastante de We sold our souls e de Horrorstör

Hendrix é um autor bestseller que tem mais de uma dezena de livros publicados. 

The Final Girl support group é o seu último livro; saiu o mês passado e a HBO já adquiriu os direitos para uma série de televisão.

Faz sentido. The Final Girl support group é um bom livro mas funcionará melhor no ecrã. Existem demasiadas referências que apenas fãs de terror (Pesadelo em Elm Street, Halloween, Sexta-feira 13, Massacre no Texas, Gritos) poderão "apanhar", e há umas quantas personagens difíceis de distinguir entre si.

O título do livro alude às seis personagens principais, cada uma delas uma "final girl", a última pessoa viva de um massacre, e aquela que sobrevive para contar o que se passou. Esta figura foi popularizada por vários filmes de terror das décadas de 70 e 80 (mencionados acima). 

Estas seis mulheres, tornadas famosas por um evento horripilante, reúnem-se uma vez por mês com uma psicóloga para discutir traumas e desafios - daí o título do livro. 
 
A nossa protagonista, Lynette, é membro desse grupo. Vive em constante sobressalto desde o massacre que a deixou sem família há 20 anos; isolada e paranóica, vê perigo em todo o lado. É ela que vai reagir pior quando uma das "final girls" é assassinada, tentando convencer o grupo que há um plano em marcha para as matar a todas, o que vai originar muitos conflitos.
 
A primeira parte do livro é a mais difícil de passar. O enfoque é em Lynette e as outras personagens são pouco desenvolvidas. Alguns diálogos também são um pouco descabidos, com recurso a expressões pouco usadas por alguém que já não anda no liceu - a maioria das personagens tem mais de quarenta anos. 
 
Depois, flui melhor. Há muita acção e violência q.b., sem nunca recorrer ao mau gosto.  
 
O autor descreve muito bem as consequências do stress pós-traumático e a forma como cada sobrevivente escolheu usar a sua "fama", com críticas à exploração do drama humano pelos media e por Hollywood.
 
Um bom livro, escrito por um fã de filmes de terror.

****
(bom)

3 de agosto de 2021

Promethee 13:13

 

Autores: Andy Diggle, Shawn Martinbrough
Género: Banda desenhada (Sci-fi)
Idioma: Inglês
Páginas: 98
Editora: ComiXology Originals
 Ano: 2020

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Recentemente, num fórum online de banda desenhada, recomendava-se vivamente a série francesa de ficção científica Prométhée, de Christophe Bec, iniciada em 2008.

Quando fui à procura dos livros, vi que havia uma prequela de homenagem, visto que a série acabou em 2020, com o 21.º título. 

Essa prequela é este livro, Promethee 13:13, pelo qual decidi começar antes de me aventurar pelos restantes 21.

Em Promethee 13:13, temos Darla como protagonista, uma mulher atormentada por visões apocalípticas desde que foi alegadamente raptada por extra-terrestres em miúda. E isto porque, ao longo dos anos, Darla se convenceu de que teria uma doença mental e que a medicação que tomava evitavam as alucinações que erradamente teria interpretado como visões e sonhos.

Mas uma situação envolvendo a nave Atlantis vem alterar as coisas. Ao mesmo tempo que Darla é raptada por um grupo de pessoas que acredita que o fim do mundo está para breve e que ela é a chave para o impedir, começa uma contagem decrescente que culmina a 21 de Setembro de 2019, às 13:13. 

A história não adianta muito como prequela, pelo que é essencial ler a série para mergulhar na trama. Promethee 13:13 antecipa mas não concretiza, mas é interessante o suficiente para querer ler a série francesa.
 
Podem ver algumas vinhetas aqui.

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(mediano/razoável)

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