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22 de agosto de 2021

O canto de Aquiles

 

Autor: Madeline Miller
Género: Romance

Idioma: Português

Páginas: 344

Editora: Bertrand Editora

Ano: 2011
 

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O canto de Aquiles foi o romance de estreia de Madeline Miller. 
 
Já tinha lido outro romance da autora, baseado também na mitologia grega: Circe. Gostei muito da escrita elegante e de todos os pormenores, claramente resultado de uma pesquisa minuciosa.
 
Sempre gostei da mitologia clássica, do misto de fantasia e exaltação do Homem à mercê de deuses caprichosos. A crescer, um dos meus livros mais queridos era um dicionário de mitologia greco-romana de Pierre Grimal, de capa vermelha reluzente, que li de uma ponta à outra, completamente embalada por histórias de homens e mulheres aventureiros.

N'O canto de Aquiles, seguimos Aquiles, «o melhor dos gregos», filho da divina Tétis e do (humano) rei Peleu; Aquiles é a personificação do guerreiro: forte, veloz, belo e destemido. O nosso narrador é Pátroclo (cujo nome significa "honra do pai"), o fiel companheiro e, mais tarde, amante de Aquiles; é ele o foco da história, a personagem que seguimos de perto e cuja evolução acompanhamos. Pátroclo idolatra Aquiles e é pelos seus olhos que vemos e julgamos os actos deste.
 
Seguimos a infância de Pátroclo, o seu exílio para a corte do pai de Aquiles, como os dois se tornam inseparáveis e, mais tarde, as circunstâncias que levam à sua participação na Guerra de Tróia - palco de façanhas militares durante uma era de heróis.
 
Sabemos o fim da história mas isso não a torna menos involvente. O amor entre Pátroclo e Aquiles experimenta altos e baixos, evolui com os anos e tem as características de uma bela e comovente história de amor.
  
O canto de Aquiles é um livro para ser degustado, escrito com uma elegância invulgar que já reconheço como uma das marcas literárias de Madeline Miller.
 
A autora disse que demorou dez anos a escrevê-lo, pesquisando os textos clássicos e tentando captar o tom perfeito para o narrador. Sem dúvida que o conseguiu.   
 
Ele é uma arma, um assassino. Não se esqueçam disso. Podemos usar uma lança como bengala, mas isso não altera a sua natureza.
 
O canto de Aquiles, que conquistou o Orange Prize 2012, é um romance belíssimo que vamos recomendar a amigos leitores.
 
Em Portugal, está disponível em formato papel e e-book; podem ler um excerto aqui.
 

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(muito bom)

11 de novembro de 2019

Circe


Autor: Madeline Miller
Género: Romance
Idioma: Inglês
Páginas: 333
Editora: Bloomsbury Publishing
Ano: 2019

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Sou fã de mitologia grega desde miúda, por isso Circe não tinha de ser especialmente apelativo para me prender a atenção - o suficiente para comprar o livro sem grande ponderação.

Mas fê-lo desde a primeira página e continuou a fazê-lo até ao fim; a escrita elegante e fluida, rica em descrições, fez-me virar página após página, seduzida pela voz de Circe, mulher que ficou na História como a semi-deusa feiticeira, amante de Ulisses, que transformava em porcos os homens que ancoravam na sua ilha. Madeline Miller dá-nos outra pessoa, menos demonizada.

Filha do deus Hélios, personificação do Sol, e da ninfa Perseis, a jovem Circe não se integra bem no palácio do pai entre os irmãos e os primos, estando sempre à margem. A sua voz "estranha", parecida às dos mortais, e o desinteresse pelas intrigas palacianas, fazem com que não seja procurada pelos seus pares. A mãe, ausente desde cedo, está mais interessada em manter o seu estatuto de favorita do que em investir tempo na educação da prole.

Assim, Circe cresce habituada a auto-entreter-se e a manter-se longe dos olhares alheios, e do falatório, dos que a rodeiam. Pelos seus olhos, vemos como os deuses podem ser caprichosos e cruéis. Neste aspecto, gostei especialmente das cenas com Prometeus. 

Décadas mais tarde, Circe é exilada para a ilha de Eana, uma gaiola dourada onde é rapidamente esquecida pelos outros deuses. Aqui, torna-se especialista em venenos e drogas, solidificando a figura que ficou para a posteridade e que é associada com Atena, Cila, Medéia, Pasífae, Dédalo. Na ilha, é visitada por Hermes regularmente, e as interações entre os dois são dos capítulos mais interessantes do livro. Em Eana, Circe aprende o que é o amor, a violência, a perda, a saudade, e os seus limites. A autora conta-nos uma história de maturidade e de aceitação que se desenrola ao longo de vários séculos (um luxo exclusivo de deuses e semi-deuses).

A escrita é elegante, com passagens muito bem conseguidas. A voz de Circe é cândida, sincera no relato das suas falhas e das suas lutas. Gostei bastante, acho que Miller escreve muito bem; espero ler o Canto de Aquiles em breve.
 
Adenda 30/03/2023: O livro foi publicado em Portugal pela Minotauro com o título Circe; saiu em Setembro de 2020, depois deste apontamento.

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(bom)