Mostrar mensagens com a etiqueta escrita criativa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta escrita criativa. Mostrar todas as mensagens

4 de janeiro de 2024

Boas-vindas a 2024!


Boas entradas a todos os leitores do bué de livros!

2023 chegou ao fim e inicia-se um novo ano, que trará consigo muitas novas leituras.

No site Goodreads, já se começaram a estabelecer o número de leituras para este ano; eu vou apontar para os 18 livros.


Em 2023, muitos foram os títulos que me proporcionaram horas extraordinárias, passadas na companhia de autores ímpares como Claire Keegan, Afonso Cruz, Ashley Audain e Bernardine Evaristo.

Entre os livros que me ficaram na memória, não faltou ecletismo, entre banda desenhada, biografia, literatura juvenil, terror, thriller e romance:

- Rapariga, Mulher, Outra, de Bernardine Evaristo - livro vencedor do Booker Prize de 2019;

- Os livros que devoraram o meu pai, de Afonso Cruz;

- The only good Indians, de Stephen Graham Jones - livro vencedor do Bram Stoker de 2020;

- Pequenas grandes mentiras, de Liane Moriarty;

- Instinto, de Ashley Audain;

- Ainda bem que a minha mãe morreu, de Jennette McCurdy;

- Walk the blue fields, de Claire Keegan;

- Something is killing the children, de James Tynion IV, Werther Dell'Edera e Miquel Muerto


O mundo da literatura ficou mais pobre com o desaparecimento do lendário Milan Kundera e do magistral Cormac McCarthy, um dos meus escritores de referência, ambos imortais nas obras que nos deixaram.

Numa nota pessoal, continuarei a escrever ficção, algo que tem reclamado mais espaço e que me dá muito gosto.

Nos últimos três anos, fui publicada quatro vezes e espero seguir neste caminho de partilha das minhas histórias.

A antologia Sangue, das Edições Trebaruna, para a qual escrevi o conto Sob a névoa, foi premiada no Fórum Fantástico com o Grande Prémio Adamastor de Literatura Fantástica Portuguesa 2023.

 
Caríssimos leitores, espero que continuem a vir ao blogue em 2024, e que vos possa sugerir o próximo livro que lerem e/ou oferecerem.

Em 2023, o bué de livros teve quase 14 mil novas visualizações - o total desde que foi fundado vai nas 244 mil visualizações (e uns trocos). Obrigada!
😊

💙 Votos amigos de paz, saúde e boas leituras 💙

 
Imagens: Google Search Engine

29 de maio de 2023

The War of Art

  

Autor: Steven Pressfield
Género: Não Ficção

Idioma: Inglês

Páginas: 108

Editora: Fastpencil Inc
(e-book)
Ano: 2010

---

The War of Art, com o subtítuloWinning the inner creative battle” é citado com frequência em listas de leitura relacionadas com escrita criativa

Não fiz a ligação à primeira com o autor dos dramas históricos Portas de Fogo e A última Amazona, que li faz anos, mas é o mesmo Steven Pressfield, um escritor bestseller.

The War of Art é um livro curto, com capítulos breves que vão directos ao assunto.

E o assunto é como compreender e combater as barreiras psicológicas que muitos artistas enfrentam para produzirem as suas obras, algo que Pressfield intitula de « resistência ».

Assim, por exemplo, alguém que quer escrever um livro pode desanimar, por achar que não tem nada de novo e/ou relevante a dizer; ou alguém que está a pensar tornar-se freelancer, pode debater-se com dúvidas de que não tem talento suficiente que lhe permita viver da actividade.

O livro envereda, por vezes, por caminhos de auto-ajuda que podem não ser do agrado de alguns. Goste-se, ou não, dessas incursões, rapidamente se volta ao tom motivacional e à abordagem prática - como referi, é um livro curto.

The War of Art identifica como a « resistência » se manifesta e impede o artista de progredir ou acabar a sua obra.

Dá dicas de como a combater e ir além da mesma, misturando conselhos com considerações filosóficas q.b. sobre musas, inspiração e o valor da arte que se produz.

Há partes algo rebuscadas (lembro-me de um parágrafo sobre Hitler ter sido um artista falhado e poder ter canalizado a sua energia desastrosamente – estou a parafrasear), mas, lembremo-nos, o autor é um contador de histórias...

No geral, gostei bastante das metáforas e da mensagem.

****
(bom)

27 de junho de 2022

O romancista ingénuo e o sentimental

 

Autor: Orhan Pamuk
Género: Não Ficção

Idioma: Português

Páginas: 144

Editora: Editorial Presença

Ano: 2012
Título original:
Saf ve düşünceli romancı 

---

Orhan Pamuk, nascido em Istambul, é um escritor e professor de Literatura. Recebeu em 2006 a mais alta distinção na área - o Nobel -, a que se junta(ra)m numerosos prémios e distinções literárias. A sua obra está traduzida em mais de cinquenta línguas.

Tenho alguns livros do escritor na minha lista, mas foi este, um dos poucos títulos de não ficção que escreveu, o primeiro que li.

O romancista ingénuo e o sentimental nasceu de um convite a Pamuk, da parte da Universidade de Harvard, para falar sobre a arte de escrever. O resultado dessas palestras seria depois condensado neste livro, seis capítulos em que o laureado fala sobre o que se passa quando lemos romances, a transição para o mister de escritor, e como ambos co-existem.

«Os romances são vidas segundas, vidas paralelas às nossas. (...) O que se passa na nossa cabeça, na nossa alma, quando estamos a ler um romance? Em que medida essas sensações interiores diferem de quando estamos a assistir a um filme, a ver um quadro ou a ouvir um poema, mesmo que seja um poema épico? Um romance pode, de vez em quando, dar-nos o mesmo prazer que uma biografia, um filme, um poema, um quadro ou um conto de fadas. No entanto, o efeito verdadeiro único da arte do romance é fundamentalmente diferente do efeito provocado por outros géneros literários, por um filme ou um quadro.»

Pamuk partiu de duas classificações do poeta e filósofo Friedrich Schiller para classificar os poetas: os ingénuos - os que escrevem espontaneamente, sem implicações intelectuais ou éticas, ao sabor do momento e animados por algo maior ligado à Natureza, a Deus, ao Universo - e os sentimentais - os que escrevem  conscientes de métricas e estruturas, refinando métodos e ideias, sabendo o que querem transmitir desde o início. 

Depois faz o seu próprio comentário a esta distinção, aplicando-o aos romancistas, partindo da sua experiência como leitor, depois como um escritor, analisando como as duas partes se complementam. O resultado é um livro cativante, escrito por alguém claramente apaixonado por livros.

Pelo meio, Pamuk fala ainda sobre a sua paixão pela pintura, como a complementa com o seu amor pela escrita - «pintando palavras» quando escreve -; analisa algumas passagens de Anna Karénina (Tolstoi), «um dos mais perfeitos romances alguma vez escritos», e remata comentando sobre a importância do "centro", ou o coração, da história.

Não é um livro consensual pois somos leitores (e, alguns de nós, escritores) de formas diferentes, mas cativa pelo entusiasmo com que Pamuk relata a sua experiência como ambos, e comenta sobre as passagens de alguns dos seus livros favoritos a partir dessas mesmas perspectivas.

O romancista ingénuo e o sentimental é um livro sobre livros. Para quem gosta de ler, haverão poucos temas mais interessantes. No fim, pouco importam as diferenças entre escritores ingénuos e sentimentais, que serve como ponto de partida para uma reflexão mais rica e profunda sobre a literatura. 

*****
(muito bom)

31 de janeiro de 2022

The plot

 

Autor: Jean Hanff Korelitz
Género: Thriller
Idioma: Inglês
Páginas: 322
Editora: Faber Faber
 Ano: 2021

---

Em The plot, o protagonista, Jacob Finch Bonner (Jake), é um escritor que não consegue repetir o sucesso do seu primeiro livro. Desinspirado mas querendo continuar ligado à área, lecciona cursos de escrita criativa.

É num destes cursos que um dos alunos partilha com ele o enredo do seu romance, com uma «reviravolta tão única que só pode resultar num best-seller». Jake, mesmo relutante perante a arrogância do outro, também acredita que é um enredo tão bom que mesmo mal escrito, só pode ser bem-sucedido. 
 
(Do lado do leitor, estamos curiosos sobre o que poderá ser.)

Anos depois, Jake descobre que o aluno morreu e que nunca publicou nada com o tal enredo imbatível. E decide usá-lo. O livro é um sucesso imediato, que traz a Jake a consagração, inúmeros fãs e muito dinheiro.

Porém, o escritor vive num medo constante de ser descoberto. Um dia, começa a receber mensagens anónimas de alguém que ameaça desmascará-lo...

À medida que a história de The plot avança, o culpado torna-se óbvio muitos capítulos antes do final. Não é assim tão dramático se preferirmos absorver a história analisando o plágio de Jake e a sua tormenta por o ter feito. Lido dessa perspectiva, o livro melhora, embora isso não oculte outras falhas.

Aquando do início do livro, somos apresentados a Jake e aos seus novos alunos do curso de escrita criativa. As personagens estão a ser desenvolvidas e, de repente, a história “dá um salto” de uns poucos anos, sem menção das personagens iniciais, focando-se apenas em Jake.

A opção da história dentro da história (com capítulos do best-seller "plagiado" intercalados com a acção do livro), não acrescenta muito e quebra o ritmo dos capítulos mais tensos - embora seja compreensível o seu uso.

Descobrir o culpado também não é difícil, mesmo para quem não seja leitor assíduo de thrillers. Como não há um grande número de personagens, é ainda mais óbvio. A própria ideia do plágio, como está aqui apresentada, é discutível q.b.: Jake partiu de uma ideia e criou as personagens quase de raíz noutro cenário e circunstâncias – terá mantido a reviravolta, o que permitiu a alguém ligar a história do livro ao ex-aluno de Jake. Mas não é uma reviravolta tão extraordinária assim. Acho que é uma zona cinzenta o suficiente para suscitar dúvidas.

Fica a questão: terá Jake realmente plagiado? Talvez. E talvez seja esse o verdadeiro tema do livro, embora a sinopse penda claramente para o thriller. O livro não desafia, não coloca questões éticas suficientes que o tornariam imensamente mais estimulante - neste campo, o filme As palavras, apesar de curto em duração, é melhor conseguido.

No final, a sinopse apelativa foi prejudicada por um ritmo e final desinspirados, com The plot a ficar aquém do esperado.

***
(mediano/razoável)

22 de novembro de 2021

Sangue Novo: uma antologia - lançamento e divulgação

 

Surreal. Foi a sensação que tive quando soube, este ano, que ia ser publicada pela primeira vez.

É uma emoção saber que as nossas palavras vão ser impressas para todos lerem, numa partilha que vale ouro. É uma emoção desafiante de descrever: a confirmação de algum talento, a recompensa da disciplina, a superação do desconforto, um perpétuo sorriso de humildade.

Quer se venda vinte ou vinte mil livros, o primeiro livro é um testamento de muitas coisas. Há que aproveitar o momento e depois seguir em frente, tentando manter um pouco da maravilha que é poder dizer-se: sou escritora.

Vou ser publicada com outros 14 cúmplices (uma pequena bio de todos os autores aqui) numa antologia de terror em português, intitulada Sangue Novo, a ser lançada no próximo sábado, 27 de Novembro, às 17h, na livraria Ler Devagar. Ajudem à divulgação, passem a palavra, apareçam se puderem!

Esta foi uma jornada que fiz acompanhada dos restantes colegas autores, guiados pelo mui talentoso Pedro Lucas Martins, ele próprio um autor de terror (vencedor de vários prémios literários), que fez as vezes de editor, revisor e ilustrador, generoso como só os grandes sabem ser.

O livro já pode ser adquirido, online, nos sites da Bertrand, da Wook, da Convergência, do Projecto Foco, e da Amazon, em formato papel ou ebook.

Com as editoras tradicionais, há sempre a hipótese de se pedirem cópias promocionais para divulgação. Mas esta é uma edição de autor, e não há, infelizmente, essa hipótese.

No entanto, gostaria de oferecer um exemplar em papel a um leitor do bué de livros. Basta que enviem uma frase "aterradora” a explicar porque devem ser o(a) eleito(a) para  [e-mail apagado], até 27 de Novembro à meia-noite (hora local portuguesa); dêem asas (de morcego) à vossa imaginação!

Eu vou, depois, escolher a frase que mais gostar e contactar o vencedor para confirmar uma  morada de envio. Podem participar os residentes na Europa e no Brasil.

ATUALIZAÇÃO: Obrigada a todos pelas frases enviadas! Foi escolhido o vencedor. O livro vai seguir em breve para o Norte de Portugal.