16 de março de 2014

O quinto filho


Autor: Doris Lessing
Género:
Romance Contemporâneo
Idioma: Português
Editora:
Europa-América
ISBN:  560-107-203304-7
Título original: The fifth child
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O quinto filho é o primeiro livro que leio de Doris Lessing, premiada com o Nobel da Literatura em 2007 (morreu em 2013). Foi recomendado pela minha amiga Tânia, que mo emprestou. Apesar de ter tido uma semana preenchida, arranjei tempo para o ler; é uma leitura viciante.

A acção passa-se na Inglaterra dos anos 60, uma década de mudança onde se procura um escape à vida tradicional defendida pelas gerações anteriores e se quebram os dogmas sociais.

Mas os jovens Harriet e David defendem esses valores tradicionais: sonham ter uma família numerosa, viver longe da agitação citadina e ter uma vida caseira e virada para os valores familiares. Quando se encontram, reconhecem-se como iguais e rapidamente começam a planear um futuro em conjunto. Num espaço de poucos anos, o sonho a dois de Harriet e David toma forma: uma casa enorme num idílico cenário verde, sempre cheia de familiares; quatro filhos saudáveis e cheios de vida; auxílio financeiro e apoio emocional dos pais, que os suportam nas suas decisões de uma vida cor-de-rosa.

A quinta gravidez de Harriet vem perturbar tudo. Desde o início que ela percebe as diferenças relativamente às gestações anteriores. Desta vez, tem uma gravidez agitada que a deixa esgotada e apreensiva sobre o filho por nascer, o que a obriga a ter um comportamento diferente e a questionar o nascimento do quinto filho.

Quando Ben nasce, tudo muda, afectando a dinâmica familiar: é uma criança sombria e assustadora, com um comportamento anti-social. Não inspira simpatia nem amor, apesar dos esforços dos pais e irmãos em integrá-lo e amá-lo, e não procura o contacto humano, evitando-o sempre que possível. Os familiares que enchiam a casa dos Lovatt começam a afastar-se e David e Harriet começam a questionar as suas escolhas e a tomar algumas decisões que criam desavenças.

A acção foca-se principalmente em Harriet e no seu quinto filho, e na forma como tudo se altera quando Ben nasce e a sua presença na família. A escrita de Doris Lessing é frontal, as personagens são bem construídas e a história envolve-nos.

O saldo final é uma leitura complexa e desconfortável q.b., que trata sobre escolhas e sacrifícios, e que se torna algo brutal, o que faz imaginar um final sombrio que fica em aberto. Foi uma boa introdução a Doris Lessing.

Escrito em 1988, O quinto filho teve uma sequela em 2000, Ben in the world, por publicar em Portugal. 

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(bom)

10 de março de 2014

A praia do destino



Autor: Anita Shreve
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 416
Editora:
Edições Asa
ISBN:  978-972-413946-3
Título original: Fortune's Rocks
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Orgulho-me de ser eclética, o que se estende às artes, especialmente na música e na literatura. Leio livros de todos os géneros e não discrimino temas, embora tenha preferências.

A praia do destino foi uma oferta do meu amigo J., um livro que está na estante há anos e no qual decidi pegar depois da minha última leitura, As virgens suicidas, um livro sombrio e pesado que pedia uma leitura seguinte mais leve e positiva.

A acção passa-se no despertar de uma nova era, em 1900. Olympia Biddeford é uma jovem de 15 anos com uma educação apurada, convicta das suas opiniões. Filha única, tem no pai o seu maior impulsionador intelectual, que a instiga a ler autores inteligentes e desafiantes. Na casa dos Biddeford, os jantares e convívios são frequentes, e a família divide o tempo entre Boston e Fortune's Rock, onde passa os Verões.

No Verão em que completa 16 anos, Olympia apaixona-se perdidamente, um amor que vai desafiar as convenções da época: o seu eleito é John Haskell, um médico e pai de família, casado e vinte e cinco anos mais velho. A história de amor entre ambos é tão intensa que nenhum mede realmente as consequências até ao dia em que são descobertos e ambas as famílias veêm o seu mundo virado ao contrário, com Olympia a ter de lutar contra preconceitos e a ruína familiar.

A história é simples o suficiente para não criar grande expectativa, mas o que se destaca e me fez continuar a ler foi o estilo da autora, elegante e directo, sem nunca cair no exagero. As personagens estão longe de serem perfeitas (Olympia é menor quando se envolve voluntariamente com Haskell) e são credíveis ao ponto de ter pensado em dar um par de estalos à protagonista, uma narradora sincera e frontal com algumas escolhas questionáveis e o egoísmo próprio da idade.

A autora consegue manter o interesse do leitor com arte e introduz reviravoltas interessantes, abordando problemas sociais e culturais da época, mas mantendo o enfoque da acção na protagonista, uma jovem privilegiada que nunca chega a passar necessidades dignas desse nome mas cuja força interior é um exemplo.
 
Uma boa leitura, claramente feminina.

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(bom)

2 de março de 2014

Novas adaptações marcam 125.º aniversário do nascimento de Agatha Christie

A BBC1 anunciou a encomenda de 6 episódios da série Partners in Crime, versão televisiva das aventuras da dupla de detectives Tommy and Tuppence, criada por Agatha Christie.
 
Thomas e a esposa Prudence são dois detectives amadores, surgidos em 1922, que protagonizam 4 romances e 15 contos da autora, os últimos dos quais foram publicados em livro em 1929, com o título de Unidos pelo Crime (Partners in Crime), daí o nome da série.

Fonte: Edições ASA
Na literatura, o casal inicia as suas aventuras aos vinte anos de idade. Com o avançar dos livros, vão envelhecendo; na última aventura, o casal está na faixa dos setenta anos. O actor David Walliams interpretará Tommy. A actriz que dará vida a Prudence, conhecida como Tuppence, ainda não foi escolhida.

Partners in Crime é uma das produções encomendadas pela BBC para celebrar os 125 anos de nascimento de Christie, em 2015.

O canal anunciou ainda a encomenda de três episódios da mini-série As dez figuras negras / And then there were none.

Fonte: Edições ASA
Considerada a obra prima de Christie (concordo), a versão televisiva será exibida no Natal de 2015.

Na história, dez pessoas, cada uma responsável pela morte de alguém (sem que tenham sido condenadas por isso), encontram-se isoladas numa ilha, onde vão morrendo, uma a uma, encenando o poema 'Ten Little Indians'. O elenco ainda não foi divulgado.

O canal prepara também vários documentários sobre a vida e obra da escritora, que serão exibidos pelos canais BBC1 e BBC2.

Fonte: BBC