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22 de fevereiro de 2021

Heretic: why Islam needs a reformation now

 

Autor: Ayaan Hirsi Ali
Género: Religião, Não Ficção

Idioma: Inglês

Páginas: 288

Editora: Harper (ebook)

Ano: 2015
 

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A primeira vez que li o nome de Ayaan Hirsi Ali foi no livro de Douglas Murray, A estranha morte da Europa
 
A história desta autora/política/activista é fascinante, ilustrada na autobiografia da mesma, Infiel. Hirsi Ali foi, durante anos, uma muçulmana praticante e o asilo político que lhe foi conferido pela Holanda deu-lhe acesso a uma educação e oportunidades impensáveis na sua nativa Somália. O resultado é que há várias décadas que é ateia e uma crítica do Islão. 
 
Em Heretic: why Islam needs a reformation now, a autora defende uma reforma interna do Islão e aponta o Ocidente como tendo um papel nessa reforma. Algumas ideias parecem algo fantasiosas, difíceis de implementar até numa sociedade “aberta e tolerante” (algo subjectivo), o que dá um tom mais controverso do que realista a alguns capítulos.

Para Hirsi Ali, a violência é inerente ao Islão porque o Islão não é uma religião pacífica; isso não significa que a crença islâmica torne os muçulmanos naturalmente violentos. O que acontece é que a incitação à violência justificada contra os infiéis (todos os que não são muçulmanos) é explicitamente declarada nos textos sagrados do Islão, e todas as ofensas que são elencadas (apostasia, adultério, blasfémia, ameaças à honra da família e ao próprio Islão) podem e devem ser defendidas por todos os muçulmanos. Uma pesquisa por vários jornais nos últimos anos demonstram como os actos de “defesa da honra e do bom nome e imagem do Islão” têm estado na base de inúmeros actos terroristas em França, na Alemanha, nos Países Baixos, na Bélgica...

Devemos ter em mente que o quadro negro que a autora nos pinta do Islão vem inteiramente da sua experiência pessoal e não de um desejo de polémica. Há um esforço visível em analisar cruamente a religião muçulmana, evitando o "politicamente correcto".

Conteúdo islamofóbico? Não. Algumas coisas precisam de ser analisadas, criticadas e submetidas a mudanças e reformas. Por que há-de o Islão de ser diferente e/ou ter um estatuto especial?

Este é um livro corajoso. Hirsi Ali livro menciona outros "companheiros de luta", vários activistas muçulmanos dispostos a discutir uma reforma do Islão. As suas vozes pretendem ecoar as de milhões que viverão na opressão e no medo. A própria autora vive com ameaças de morte desde que, em 2004, escreveu o guião da curta-metragem de Submission, realizado por Theo van Gogh, que foi assassinado por um fundamentalista islâmico pouco tempo depois da difusão daquela num canal de televisão. Desde então, qualquer difusão está proibida, embora a curta esteja disponível na internet. 

Até à data, o livro não foi editado em Portugal.

****
(bom)

12 de abril de 2020

Maid - hard work, low pay and a mother's will to survive

 
Autor: Stephanie Land
Género: Biografia
Idioma: Inglês
Páginas: 288
Editora: Hachette (ebook)
Ano: 2019

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Aos 28 anos, os planos de Stephanie Land passavam por ter um curso superior e tornar-se escritora. Quando um romance de Verão resultou numa gravidez não planeada, viu-se mãe solteira sem suporte familiar.

Para sobreviver, tornou-se empregada de limpeza; a dificuldade de proporcionar à filha a melhor vida possível, enquanto estudava on-line e passava 4 a 6 horas dárias a limpar casas, foi uma provação; à parte, mantinha um blog para manter o “bichinho” da escrita.

Em Maid, a autora fala da sua experiência de assalariada mal paga que depende de ajuda governamental para pagar a renda, as contas mensais e a alimentação. Fala do estigma de viver no limiar da pobreza, de pagar as compras de supermercado com cupões de alimentos e de se sentir encurralada.

Fala da classe média alta americana e de como é limpar as suas casas. Stephanie não conhece nem de vista a maioria dos clientes, não sabe o seu nome mas observa tudo com curiosidade; tenta imaginar a vida dos habitantes das casas através das suas roupas e objectos diversos, e várias vezes dá por si a pensar em como os bens materiais que tanto lhes inveja não são, afinal, garante de felicidade.

Há vários pormenores de como as limpezas às casas são feitas, como tudo é organizado, e a autora relata-nos o seu quotidiano de esfregar chãos e casas de banho até ficarem num brinquinho, e como o trabalho duro e sem benefícios resulta em espasmos musculares, noites mal dormidas e dores de costas suportadas com ibuprofeno.

Apesar de reconhecer a luta constante de Stephanie Land, e de ser inegável a sua tenacidade, tenho de admitir que não sou fã da sua forma de pensar, que levou a decisões pouco felizes – acredito que a sua fraca auto-estima e desamparo familiar não ajudaram.
 
Há um final feliz para a autora e para a filha, cujas circunstâncias eram extremamente difíceis - é bom ler uma história de superação.

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(bom)

10 de março de 2014

A praia do destino



Autor: Anita Shreve
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 416
Editora:
Edições Asa
ISBN:  978-972-413946-3
Título original: Fortune's Rocks
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Orgulho-me de ser eclética, o que se estende às artes, especialmente na música e na literatura. Leio livros de todos os géneros e não discrimino temas, embora tenha preferências.

A praia do destino foi uma oferta do meu amigo J., um livro que está na estante há anos e no qual decidi pegar depois da minha última leitura, As virgens suicidas, um livro sombrio e pesado que pedia uma leitura seguinte mais leve e positiva.

A acção passa-se no despertar de uma nova era, em 1900. Olympia Biddeford é uma jovem de 15 anos com uma educação apurada, convicta das suas opiniões. Filha única, tem no pai o seu maior impulsionador intelectual, que a instiga a ler autores inteligentes e desafiantes. Na casa dos Biddeford, os jantares e convívios são frequentes, e a família divide o tempo entre Boston e Fortune's Rock, onde passa os Verões.

No Verão em que completa 16 anos, Olympia apaixona-se perdidamente, um amor que vai desafiar as convenções da época: o seu eleito é John Haskell, um médico e pai de família, casado e vinte e cinco anos mais velho. A história de amor entre ambos é tão intensa que nenhum mede realmente as consequências até ao dia em que são descobertos e ambas as famílias veêm o seu mundo virado ao contrário, com Olympia a ter de lutar contra preconceitos e a ruína familiar.

A história é simples o suficiente para não criar grande expectativa, mas o que se destaca e me fez continuar a ler foi o estilo da autora, elegante e directo, sem nunca cair no exagero. As personagens estão longe de serem perfeitas (Olympia é menor quando se envolve voluntariamente com Haskell) e são credíveis ao ponto de ter pensado em dar um par de estalos à protagonista, uma narradora sincera e frontal com algumas escolhas questionáveis e o egoísmo próprio da idade.

A autora consegue manter o interesse do leitor com arte e introduz reviravoltas interessantes, abordando problemas sociais e culturais da época, mas mantendo o enfoque da acção na protagonista, uma jovem privilegiada que nunca chega a passar necessidades dignas desse nome mas cuja força interior é um exemplo.
 
Uma boa leitura, claramente feminina.

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(bom)