8 de janeiro de 2026

Bem-vindo, 2026!

Fonte: alamy.com

Olá, e bom ano aos que me lêem!

2026 está aí, fresco e fofo; 2025 não deixará saudades.

No site Goodreads, já se começaram a estabelecer o número de livros para este ano. 

Eu li os 18 livros a que me propus o ano passado; este ano, aumentei para 20. 😁


Cumpre-se a tradição, e trago-vos a minha lista best of do ano que findou. 

Em 2025, muitos foram os livros que me proporcionaram horas deliciosas, na companhia de excelentes autores: José Luís Peixoto, Claire Keegan, Aurora Venturini, R.F. Kuang, Percival Everett.

As primas, de Aurora Venturini — lançado aos 85 anos da autora,  a minha melhor leitura de 2025;

Small things like these, de Claire Keegan  um livro breve, cheio de emoção e humanidade;

The trees, de Percival Everett  o uso do humor negro para falar de coisas sérias;

Yellowface, de R.F. Kuang  viciante na forma como aborda a fama (literária);

  Em teu ventre, de José Luís Peixoto  um apontamento belíssimo sobre as aparições aos pastorinhos em Fátima;

The wizard of the Kremlin, de Giuliano da Empoli  uma viagem ficcional aos bastidores do poder russo;

 Borboleta (banda desenhada)  a estreia de uma autora luso-descendente, e o seu olhar sobre a comunidade portuguesa que emigrou para França nas décadas de 1960 e 1970

A literatura ficou mais pobre com o desaparecimento do escritor peruano Mario Vargas Llosaaclamado como um dos romancistas mais importantes da América Latina.

Fonte: Goggle Images
 
Caríssimos leitores, espero que, em 2026, continuem a visitar o bué de livros.

Em 2025, o blogue teve mais de 17.500 novas visualizações (mais 1.500 do que em 2024). Muito obrigada! 😊

💛 Votos sinceros de paz, saúde e boas leituras 💛

26 de dezembro de 2025

250 anos de Jane Austen (1775-1817)

Fonte: Imagens Google

A 16 de Dezembro [2025], assinalaram-se os 250 anos do nascimento de Jane Austen (1775–1817).

No século XVIII, onde o quotidiano feminino era tido como trivial, Austen publicou num mundo literário dominado por romances sentimentais e narrativas góticas.

A escritora foi profundamente subversiva, transformando o quotidiano em matéria literária séria: casamentos, heranças, visitas sociais, pequenas humilhações — tudo o que parecia menor tornou-se um palco de conflito moral e psicológico, (d)escrito num tom de ironia moral sem moralismo.

Austen observou sem condescendência, e mostrou o ridículo sem humilhar. Criou personagens femininas com interioridade moderna, sem serem arquétipos - Elizabeth Bennet, Anne Elliot, Emma Woodhouse - que pensam, erram, reflectem. Nunca se casou, mas criticou o casamento como instituição económica, e expôs, com clareza cirúrgica, como o amor estava condicionado por dinheiro, classe e sobrevivência.

Jane Austen escreveu sobre coisas que não envelhecem: autonomia feminina em sistemas restritivos, escolha versus conveniência, desejo versus segurança.

Ocupa um lugar singular na literatura, com seis romances publicados, nenhum deles épico ou trágico. É estudada nas universidades, está na cultura popular e no imaginário colectivo.

Em 2025, 250 anos depois do seu nascimento, o olhar de Jane Austen segue lúcido, irónico e de uma delicadeza implacável.

Fonte: Imagens Google

13 de dezembro de 2025

A cicatriz

 





Autor: Maria Francisca Gama
Género:
Romance, Contemporâneo
Idioma: Português

Páginas: 168

Editora: Suma de Letras

Ano: 2024

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A cicatriz é um bestseller português que saiu em 2024. Foi o segundo romance da autora, Maria Francisca Gama (1997-), formada em Direito.   

Na plataforma Goodreads, tem, à data deste apontamento, mais de 14 mil avaliações, com uma média de 4 em 5 estrelas possíveis.

A acção passa-se no Rio de Janeiro, pano de fundo de uma paixão entre dois jovens portugueses. Depois de dias de férias idílicos, aproveitam uma das últimas noites para irem jantar fora. Decidem regressar a pé para o hotel, mas não se recordam se o caminho é pela esquerda ou pela direita. E como se lê na contracapa o livro, como é que a vida pode mudar tanto por uma escolha irrisória?

A cicatriz fala de amor, de trauma e de violência, alternando diferentes períodos temporais. A questão da identidade e autonomia femininas está presente em toda a narrativa.

O ritmo é lento, com a protagonista a revelar-se gradualmente, bem trabalhada. As personagens secundárias são menos desenvolvidas. 

Quanto às nuances políticas apontadas por alguns leitores, eu não as li assim. Pareceu-me que as preocupações feministas surgem naturalmente da experiência das personagens - o foco é no individual e no psicológico.

É um romance que exige paciência para a introspecção e que faz perguntas ligadas à memória e à superação ou cicatrização das nossas feridas (físicas e emocionais).

A cicatriz é uma leitura curta mas densa.

«No entanto, nesta noite, talvez pelos gins bebidos ao jantar ou pelo cansaço acumulado das férias, tanta passeata, mergulhos, beijos e sexo, não sabíamos exatamente por onde ir. Era sexta-feira, as ruas estavam cheias de gente, tão cheias que era difícil atravessá-las, e acabámos por nos perder. "Agora é para a esquerda ou para a direita?"»

****
(bom)