25 de maio de 2025

Small Things Like These

 



Autor: Claire Keegan
Género:
Literatura contemporânea
Idioma: Inglês

Páginas: 116

Editora: Faber & Faber

Ano: 2021

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Claire Keegan (1968–) é uma autora irlandesa multipremiada, traduzida em 20 países e publicada em revistas como a 'Granta' e a 'The New Yorker'.

Descobri-a ao ler Walk the blue fields – ler o meu apontamento sobre o livro aqui –, que adorei; li ainda o breve, e impactante, So late in the dayidem.

Small Things Like These foi publicado em 2021 e ganhou o Prémio George Orwell de Ficção Política e foi finalista do Booker Prize em 2022 – nesse ano, o premiado foi o escritor Shehan Karunatilaka, com The Seven Moons of Maali Almeida.

O livro segue Bill Furlong, um comerciante de carvão e combustível na cidade irlandesa de New Ross, em 1985.

É a época de Natal e Bill desdobra-se para atender aos muitos pedidos da clientela, enquanto se prepara para celebrar as festas com a esposa e as cinco filhas.

Homem simples e estóico, Bill é confrontado com um cenário que o sobressalta durante uma entrega de carvão ao convento local, ao encontrar um grupo de jovens emaciadas trabalhando nas cozinhas, sendo que uma delas pede a sua ajuda para fugir e se ir afogar no rio. Outro episódio se segue no convento, o que faz com que Bill revisite as suas memórias e veja a religião, e outras coisas, de outra forma.

A mãe de Bill foi-o ainda adolescente, e tornando-se mãe solteira, foi ostracizada pela família de origem. Porém, a sua patroa da altura, a Sra. Wilson, manteve-a no serviço doméstico da sua casa, algo que Bill lembra com carinho e gratidão.

Small Things Like These foi descrito por um crítico como um anti-conto de Natal.

A narrativa, com pouco mais de cem páginas, possui uma profundidade e clareza desarmantes, que toca temas como a moralidade, a bondade e a miséria. Dá-nos ainda a conhecer o fenómeno dos “asilos/lavandarias de Madalena”, instituições religiosas que abrigavam “mulheres perdidas”, algo que a própria Claire Keegan desconhecia, e que, assistindo a uma reportagem com testemunhos de sobreviventes, a impeliu a escrever o livro.

Eu li Small Things Like These na língua original; a obra está traduzida em Portugal, pela Relógio D’Água, com o título Pequenas Coisas como Estas.

O livro foi adaptado ao cinema em 2024, com Cillian Murphy, Michelle Fairley e Emily Watson nos principais papéis. Conto ver o filme.

«It was a December of crows. People had never seen the likes of them, gathering in black batches on the outskirts of town then coming in, walking the streets, cocking their heads and perching, impudently, on whatever lookout post that took their fancy, scavenging for what was dead, or diving in mischief for anything that looked edible along the roads before roosting at night in the huge old trees around the convent.
The convent was a powerful-looking place on the hill at the far side of the river with black, wide-open gates and a host of tall, shining windows, facing the town.»

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(muito bom)

16 de maio de 2025

The Trees





Autor: Percival Everett
Género:
Contemporâneo
Idioma: Inglês

Páginas: 335

Editora: Influx Press

Ano: 2022

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Money, Mississípi.

Um homem branco é encontrado morto em casa com um segundo cadáver ao lado, que se assemelha a Emmett Till, um jovem negro de 14 anos linchado na mesma cidade 65 anos antes.

Dois detectives negros, do Departamento de Investigação do Mississípi, são enviados a Money para investigarem. O xerife, os seus ajudantes, o médico-legista e demais habitantes brancos colaboram contrariados.

Quando outras mortes macabras se sucedem, uma agente do FBI aparece para coordenar a investigação, após ser descoberto que duas das vítimas pertenciam à família de Carolyn Bryant, a mulher branca que acusou Emmett Till de a ter agredido sexualmente, o que levou ao seu linchamento.

Percival Everett escreveu um romance acutilante que mistura ficção policial e sátira, com vários apontamentos de humor ácido sobre a violência racial nos Estados Unidos.

Everett utiliza a linguagem de forma provocadora, e vários diálogos são tão divertidos como surreais. Os nomes das personagens secundárias são castiços e dão outra cor à acção: Helvetica Quip, Chester Hobnobber, Hickory Spit, Pete Built.

The Trees é um livro audaz e, da melhor forma possível, perturbador.

Foi considerado, aquando da sua publicação, livro do ano para o New York Times, o Chicago Tribune e a TIME. Recebeu o Prémio Bollinger Everyman Wodehouse e foi finalista da edição do Booker de 2022.

Eu li The Trees em Inglês, mas a obra está traduzida em Portugal, pela Livros do Brasil, com o título As Árvores.

«”How much is your cheapest one?”
“May I remind you that the dearly departed is going to be in this box for eternity,” Easy said. “By eternity I do mean forever.”
Daisy stared at him.
“We do have a pauper’s coffin. (…)
“I can live with that.”
“I guess Junior Junior will have to as well,” Easy said.
“Damn straight” Daisy said
.»

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(muito bom)