15 de maio de 2022

A minha primeira entrevista como escritora

Desde miúda que adoro ler. Sempre vivi rodeada de livros, faço questão de seguir as novidades do meio literário e dos meus autores favoritos. Continua a ser emocionante descobrir autores novos... Ah! e adoro falar sobre livros e partilhar trivia sobre os escritores e as suas histórias.

O "bichinho" da escrita surgiu na minha adolescência, foi sendo alimentado pontualmente ao longo dos anos, consolidando-se na criação de dois blogs e numa participação activa no extinto site livra.pt. Finalmente, começou a reclamar mais espaço próprio.

Já vos falei aqui, há uns meses, da minha estreia como escritora.

O meu conto "Ritos" integrou a antologia Sangue Novo, organizada por Pedro Lucas Martins, lançada em Novembro de 2021.

Em breve, vou ter mais um conto publicado, intitulado "Sob a névoa", numa outra antologia, Sangue, da editora Trebaruna, a ser lançada na Feira do Livro de Lisboa deste ano. Darei mais pormenores quando puder.

Fonte: Google images


Há uns dias, foi publicada na Fábrica do Terror, a minha primeira entrevista como autora.

Partilho o link convosco, caros leitoras e leitores do bué de livros, e, leiam a entrevista ou não, desde já um obrigada gigante por continuarem a vir a este cantinho.

Um agradecimento à Fábrica pelo interesse e divulgação de uma nova autora. Foi uma segunda colaboração, uma vez que publicaram um microconto meu, intitulado Verão Quente, que podem ler aqui.

Fiquem bem, e boas leituras!

Fonte: fabrica-do-terror.com

8 de maio de 2022

Nevertheless, she persisted

 

Autor: Vários
Género: Antologia
Idioma: Inglês
Páginas: 47
Editora: Tor Books (Kindle)
 Ano: 2020

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Esta antologia reúne vários microcontos (flash fiction, Wikipédia), uma forma de narrativa com vários séculos de história que tem ganho um novo fôlego nos últimos anos.

She was warned. She was given an explanation. Nevertheless, she persisted. 

Este foi o ponto de partida para todos os textos incluídos em Nevertheless, she persisted, uma escolha intencional e baseada numa situação ocorrida em 2017 no Senado norte-americano: a democrata Elizabeth Warren foi silenciada enquanto lia uma carta de Coretta Scott King, viúva de Martin Luther King (notícia), uma acção justificada pelo líder da maioria republicana da seguinte forma: «she was warned. she was given an explanation. nevertheless, she persisted.» (ela foi avisada. foi-lhe dada uma explicação [e] mesmo assim, ela insistiu). Esta última expressão tornou-se viral e foi adaptada por vários movimentos feministas - Wikipédia.

Na altura, o episódio "incendiou" ainda as redes sociais, com várias críticas a serem feitas em defesa da liberdade de expressão, no geral, e ao direito das mulheres a serem ouvidas, em particular, originando debates sobre a igualdade de género.

Uma das suas manifestações no mainstream foi na forma desta antologia, editada por Diana M. Pho e constituída por 11 autoras
, quase todas vencedoras de prémios literários ligados ao género fantástico e à ficção científica. 

Reconheci três dos nomes, mas ainda não lera nada de nenhuma. Abaixo, está o índice e, a negrito, os meus micro contos favoritos:

- Our Faces, Radiant Sisters, Our Faces Are Full of Light!, de Kameron Hurley
- God Product, de Alyssa Wong
- Alchemy, de Carrie Vaughn
- Persephone, de Seanan McGuire
- Margot and Rosalind, de Charlie Jane Anders
- Astronaut, de Maria Dahvana Headley
- More than Nothing, de Nisi Shawl
- The Last of the Minotaur Wives, de Brooke Bolander
- The Jump Rope Rhyme, de Jo Walton
- Anabasis, de Amal El-Mohtar
- The Ordinary Woman and the Unquiet Emperor, de Catherynne M. Valente

O livro foi lançado em 2020, por ocasião do dia da Mulher, e continua gratuito - via Kindle ou online na página da editora. 

Apesar das limitações que a "flash fiction" apresenta em si mesma, mais o facto das histórias, quase todas, começarem com as mesmas três frases, o que traz consigo alguma previsibilidade, Nevertheless, she persisted é uma boa antologia, um excelente exemplo de micro contos de qualidade, todos eles muito bem escritos. 

A diversidade das autoras permite ao leitor a exposição a diferentes vozes e emoções, o formato curto das histórias é ideal para ler num dia ou dosear entre leituras mais longas, e... o livro é grátis.

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(bom)

1 de maio de 2022

A vegetariana

 

Autor: Han Kang
Género: Romance

Idioma: Português

Páginas: 192

Editora: Leya

Ano: 2019
Título original:
채식주의자 

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A vegetariana é uma história dividida em três partes: “A vegetariana”, “Mancha mongólica” e “Árvores flamejantes”. Cada parte é narrada por uma personagem ligada à titular da história, Yeong-hye: primeiro o marido, depois o cunhado e, por último, a irmã.

Yeong-hye é-nos descrita pelo marido como uma pessoa sem «rigorosamente nada de especial». Ele considera-a uma dona de casa cumpridora e uma esposa atenta e pouco expressiva. Ele, por sua vez, é um empregado discreto e pouco ambicioso.

Os dois fazem uma vida normal, sem sobressaltos. Até ao dia em que Yeong-hye anuncia que passou a ser vegetariana. A única explicação que dá é que teve um sonho, sem revelar que o mesmo, extremamente sombrio e sangrento, a abalou ao ponto de alterar a forma como se vê, e ao mundo.
 
E é nas primeiras páginas que descobrimos que esta história não é sobre escolhas alimentares, focando-se antes na crueldade e violência humanas. Estas irrompem no mundo de Yeong-hye, agora “desperta”, passando esta a ser alvo da frustração, intolerância e agressividade da família mais próxima, que a confronta e a tenta obrigar a voltar ao “normal”.

A nossa personagem principal nunca tem voz, com a sua história a ser contada do ponto de vista de outras pessoas. Na contra-capa há a indicação de que o livro comenta sobre a sociedade sul-coreana que lhe serve de cenário. É fácil, depois, fazer a leitura das nuances ligadas ao minimizar das aspirações das mulheres, o seu papel secundário, e as expectativas de comportamento dos sexos.

A multitude de interpretações possíveis, nascida do conflito entre o lado primitivo e natural e o lado condicionado pela família e pela sociedade do ser humano, é um ponto forte. O livro tem "apenas" 190 páginas, mas são páginas que pulsam de cor, textura e emoções! Há vários momentos de luz e de escuridão, de sonho e de pesadelo, carregados de simbolismo.

A vegetariana é um livro extraordinário e brutal. As sensações que me provocou permaneceram vívidas, mesmo entre as pausas de leitura.

Este título ganhou o Booker Prize de 2016, uma lista de candidatos que incluía Orhan Pamuk (Nobel da Literatura de 2006), Elena Ferrante e José Eduardo Agualusa.

Entretanto, encomendei outro livro de Han Kang.

Numa nota final, uma menção à excelente capa da edição portuguesa. 

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(fenomenal)