13 de dezembro de 2021

O adeus a Anne Rice aos 80 anos

Fonte: variety.com

Anne Rice, baptizada Howard Allen Frances O'Brien, nasceu em Nova Orleães em 1941.

Ao longo da sua carreira, publicou mais de 30 livros, muitos deles dentro da temática gótica e sobrenatural, e vendeu mais de 150 milhões de exemplares. Assinou ainda com os pseudónimos A.N. Roquelaure e Anne Rampling. 
 
É uma das autoras de terror mais prolíficas, uma das poucas mulheres dentro do género que se conseguiu afirmar e alcançar a fama. 
 
O seu primeiro livro, Entrevista com o vampiro, saiu em 1976 e tornou-se um sucesso de vendas imediato - seria adaptado ao cinema em 1994, um sucesso de bilheteira com Tom Cruise, Brad Pitt e Antonio Banderas, e nomeado para dois Óscares. Anne Rice terá escrito o livro numa semana, após a morte da filha.
 
Li vários dos seus livros durante a adolescência, e é uma das minha autoras favoritas desses verdes anos. Lembro com especial carinho a série das bruxas Mayfair.

Em 2005, a autora anunciou que deixaria de escrever obras sobre vampiros, bruxas e outros seres fantásticos, dedicando-se a outros géneros literários. Creio que não li nenhum dos seus títulos publicados após o ano 2000.
 
Anne Rice faleceu no pássado sábado, dia 11, vítima de complicações pós-AVC.
 
Para a posteridade, ficam sobretudo as suas personagens vampíricas, figuras sedutoras e eruditas, por vezes cansadas de uma imortalidade monótona, que arrebataram milhões de leitores pelo mundo fora.

 Fontes:
Wikipedia e AnneRice.com.

10 de dezembro de 2021

Miss October #1 - Playmates, 1961

 

Autores: Stephen Desberg, Alain Queireix
Género: Banda desenhada
Idioma: Inglês
Páginas: 50
Editora: Europe Comics (Kindle)
 Ano: 2018

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Hollywood, 1961.

O detective Clegg é o responsável pela investigação de uma série de crimes, onde mulheres jovens são mortas com violência, os corpos deixados em poses semelhantes aos das raparigas que aparecem na Playboy

Viktor (nome peculiar para uma mulher...) Scott perdeu a audição no seguimento de uma violenta tentativa de violação. Decidida a descobrir o agressor, recorre aos serviços de uma investigadora privada, financiando a contratação através do roubo de jóias e de obras de arte.

Fonte:
comiconline.com

Depois os caminhos de Clegg e Scott cruzam-se e as coisas ficam turvas, com ele a sentir o impulso de a ajudar e ela de se esquivar - ao fim de contas, é uma ladra. 
 
O tom do livro é uma homenagem ao género noir dos anos 40 e 50 do século XX, com o detective de moral duvidosa e a femme fatale a envolverem-se, indo contra todas as regras de ética profissional... e bom senso. 
 
A forma como as mulheres são retratadas é também fiel ao género noir, quase todas passivas e manipuláveis q.b., vítimas do seu desejo por homens sem escrúpulos (e há-os a cada página: gangsters, polícias corruptos, mentirosos), quase todas personagens sem nuance assinalável.
 
Fonte: comiconline.com
 
Adoro o desenho de Miss October #1 - Playmates, 1961. Nota-se pormenor acrescido na forma como as mulheres são desenhadas, especialmente nas cenas intímas; é Los Angeles e parece que metade da cidade dorme com a outra metade, por isso há várias vinhetas nesse tom.
 
Algumas partes da história parecem confusas mas como é uma série, vou esperar pela conclusão caso sejam pistas ou referências que farão o "clique" mais tarde.

Fonte: comiconline.com
 
Este é o primeiro de uma série de 4 livros - já todos editados. A história deste primeiro volume, Miss October #1 - Playmates, 1961, acaba algo abruptamente, sem qualquer cliffhanger. Mas adoro policiais e gosto muito do traço usado, por isso vou continuar a investir nesta série. E recomendo a quem goste de policiais, especialmente noir.
 
Entretanto, já estou a ler o segundo livro: Miss October #2 - Murder of the month.

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(bom)

2 de dezembro de 2021

A história de uma Serva - novela gráfica

 

Autor: Margaret Atwood, Renée Nault
Género: Banda desenhada
Idioma: Português
Páginas: 240
Editora: Bertrand Editora
 Ano: 2020

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Estava entusiasmada em pegar neste livro. Li o clássico de Margaret Atwood há mais de quinze anos, e tenho seguido a série, que soma, até à data, 4 temporadas, e é excelente, passem os vários desvios da narrativa original.

A nossa narradora é Defred, uma "serva" de Gileade, onde quase todas as actividades estão vedadas às mulheres.

Fonte: Google Search Engine

É neste futuro distópico, no território onde costumava existir os Estados Unidos, que se situa a República de Gileade, governada por uma teocracia totalitária cristã que derrubou o antigo regime democrático.
 
A sociedade de Gileade está organizada em castas, e as mulheres perderam quase todos os direitos. Defred (literalmente "de Fred", visto que está destacada na casa do Comandante Fred Waterford, e é pertença dele), é uma "serva", fazendo parte da casta de mulheres que são mantidas para fins reprodutivos pela famílias da classe dominante, numa época onde a esterilidade é epidémica e quase não nascem bebés.
 
Fonte: Google Search Engine
 
Condensar a complexidade e riqueza do livro é impossível, mas a novela gráfica inclui todos os aspectos centrais, assim como algumas citações literais, do romance de Margaret Atwood.
  
A obra original, lançada em 1985, já era relevante e pouco fantasiosa, e suscitou debates e análises; décadas passadas, continua relevante e mais próxima de alguns problemas que enfrentam as sociedades: uma poluição galopante e a persistência de várias doenças que grassam em várias nações e todos os anos fazem mais e mais vítimas. As leituras são múltiplas quando se examinam os problemas e desafios das nações actuais, e se comparam com a desta realidade distópica.

Fonte: Google Search Engine
 
Apesar do livro de Margaret Atwood permitir uma imersão e envolvimento diferentes, esta novela gráfica capta perfeitamente a mensagem da fonte; nisso, as ilustrações de Renée Nault são magistrais, com um traço enriquecido com o uso de aguarelas.
 
A adaptação da história ao formato BD, feita pela autora, capta a força do conteúdo original.
 
A história de uma Serva, neste formato de novela gráfica, não é substituto do romance, mas poderá aguçar a curiosidade de quem não o leu se começar por aqui.

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(muito bom)