12 de junho de 2022

Seis anos depois

  

Autor: Harlan Coben
Género: Thriller, Mistério

Idioma: Português

Páginas: 288

Editora: Editorial Presença

Ano: 2013
Título original:
Six years 

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Já li alguns livros de Harlan Coben. Escrevi um apontamento sobre o Não contes a ninguém aqui no blog; é um dos escritores a considerar quando quero ler um thriller, um género prolífico com milhares de novos títulos (e várias reedições de bestsellers) a saírem todos os anos.
 
Recentemente, li o Seis anos depois.
 
A sinopse do livro: passaram-se seis anos desde que Jake Fisher assistiu ao casamento do amor da sua vida com outro homem. Durante esse período, ele cumpriu a promessa de não voltar a contactar Natalie, mas quando lê o obituário do marido dela, não consegue impedir-se de ir ao funeral. 
 
... Acontece que a viúva não é Natalie, mas outra mulher que Jake nunca viu. Começa então uma busca pela verdade e por Natalie, por quem Jake continua apaixonado
 
Sendo este livro um thriller, não vai ser uma tarefa fácil para o protagonista.
 
Jake é solteiro e reservado, um professor de Ciência Política com uma vida pacata. Descobrimos o que o faz largar tudo para se envolver nas sucessivas situações incríveis que lhe acontecem quando decide encontrar Natalie, persistindo em averiguar o paradeiro de alguém com quem esteve envolvido um par de meses há mais de meia década. O livro é contado na primeira pessoa, com várias considerações pessoais e tiradas humorísticas a que nos vamos habituando.

As partes menos boas passam pelo "elenco de apoio" (o melhor amigo, a colega com contactos úteis, os vilões), todas figuras que nos habituámos a ver nos filmes de acção, que dizem e agem como esperado. Não é dramático. Há ainda uns quantos capítulos a meio que se tornam repetitivos e se arrastam, e a inclusão dos mesmos quebrou o ritmo da narrativa durante umas dezenas de páginas.

No fim, a trama intrigante compensou, assim como a mistura de situações onde várias pessoas mentem e manipulam e desorientam o protagonista. Tudo muito bem executado, pois Harlan Coben tem mais do que provas dadas e muitos prémios literários neste género: chapeau.

 
Seis anos depois foi uma boa escolha para um período de férias: um mistério com bom ritmo e várias reviravoltas que nos entretêm e mantêm o suspense. Recomendado

****
(bom)

31 de maio de 2022

Garra

 

Autor: Cecelia Ahern
Género: Romance

Idioma: Português

Páginas: 288

Editora: Suma de Letras

Ano: 2021
Título original:
Roar 

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Cheguei a este livro através de um artigo online. Nele, falava-se de uma nova série feminista, com uma abordagem original que misturaria elementos futuristas e de realismo mágico.
 
O elenco da série, Roar, tem vários nomes sonantes: Nicole Kidman, Hugh Dancy, Alison Brie, Alfred Molina. Apesar de preferir não ver trailers, decidi ver o mais curto que encontrei e fiquei interessada. Então, decidi ler o livro antes de ver a série.

Garra é o primeiro livro que leio de Cecelia Ahern, apesar de ter visto o filme baseado no seu romance de estreia - P.S. I love you. Cecelia é uma autora irlandesa publicada em 50 países com vendas que ascendem a 25 milhões de exemplares. 

Composto por 30 contos diferentes, Garra ilustra em cada história uma faceta diferente da mulher moderna: esposa, mãe, profissional, confrontada com preconceitos e limitações, e com situações de violência. As protagonistas de cada história são anónimas, sendo sempre referidas como «a mulher».

Achei excelente a ideia de contos em vez de uma narrativa longa, o que torna a leitura mais apetecível. Mais ainda para mim, que tenho o hábito de ler mais do que um livro ao mesmo tempo.

Li o livro com calma, degustando as histórias e as mensagens, mais ou menos óbvias, em cada uma. Apreciei quase todas, porque houve umas quantas que não me disseram grande coisa, mas no global, apreciei as metáforas e, sobretudo, os elementos de fantasia e de surrealismo, presentes nos contos da mulher que comia fotografias, da que ficava na prateleira, da que devolveu o marido, ou da que se vestia de cor-de-rosa - os meus contos favoritos do livro.

Garra é um livro imaginativo, apesar de algumas das mensagens serem enfraquecidas pela curta duração da história ou por uma "moral" demasiado óbvia - aconteceu nos contos que apreciei menos, como a história da mulher que pensava que tinha o espelho partido, a da que sorriu, ou da que tinha um (fato) forte. Mas é de louvar o comentário social, bastante relevante.

Uma nota final para a capa, que resulta muito bem - excerto do livro aqui. Quando possível, vou ver a série. 

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(bom)

22 de maio de 2022

My evil mother

 

Autor: Margaret Atwood
Género: Conto
Idioma: Inglês
Páginas: 32
Editora: Amazon Original Stories (Kindle)
 Ano: 2022

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Margaret Atwood é considerada a maior escritora canadiana viva, com uma vasta produção literária de ficção, poesia e ensaio. Ganhou o Booker Prize duas vezes, acumulando vários outros prémios e distinções. 

Tornou-se uma das minhas autoras de referência quando li A história de uma serva há muitos anos, uma leitura que mexeu (e ficou) comigo.

Fiz a sua Masterclass de escrita criativa há uns anos e adorei: o curso, já de si interessante e bem estruturado, foi pontuado pelo sentido de humor aguçado e o olhar vivo de Atwood. Continuo fã. 

Da minha estante, Os Testamentos (Booker Prize em 2019) chamam-me a atenção de vez em quando, mas enquanto não lhe(s) pego, surgiu a hipótese de revisitar a escritora num formato mais breve.

Em My evil mother, seguimos a história de uma jovem a crescer nos subúrbios canadianos dos anos 50, criada pela mãe solteira, uma figura excêntrica ao ponto de haver rumores de que é uma bruxa. E poderá ser verdade, à medida que vamos descobrindo o quotidiano das duas, pontuado pelos conflitos habituais do choque de gerações mas também pelo comportamento e comentários da progenitora.

É uma excelente história que se lê com um sorriso e algumas gargalhadas. A mãe da narradora faz e diz coisas que dão um colorido invulgar à narrativa e nos faz simpatizar com a filha. No final, a reviravolta faz-nos ler, e apreciar, a história de outra forma.

My evil mother é um conto que explora uma relação complexa entre mãe e filha, as inquietudes e dinâmicas do relacionamento, abordando o controlo parental e o condicionamento das crianças. Tem vários detalhes deliciosos e é espantoso como Margaret Atwood conseguiu condensar tantos pormenores e emoção em trinta páginas! A ler.

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(muito bom)